Os filmes de Rodolfo Valentino não são marcos no cinema. Apenas oferecem algo mais que fantasias exóticas, um simples espetáculo de exibição; contudo, estabeleceu-se um novo tipo de erotismo na maneira de interpretar, freqüentemente com pequenos gestos ( típicos no cinema mudo). Aqui Valentino faz o papel do jovem Ahmed e sua “vitima” é a bela bailarina Yasmin (Vilma Banky), a filha de um ladrão. Sua submissão como escrava sexual é o preço pago por sua traição: depois de um breve romance, Ahmed foi seqüestrado e torturado pelos bandidos do pai da jovem, uma boa ocasião para mostrar o peito cortado diante dos torturadores que chicoteavam e, sobretudo, diante da câmera. Haverá algumas lutas de espada bem coreografadas e uma ou outra dança do ventre para que o equívoco se desfaça e o filho do deserto possa cavalgar com sua noiva ao pôr-do-sol. Para controlar um pouco a agressividade sexual de Valentino, símbolo do orgulho oriental ferido, o sheik, como o chamavam deste há tempo, aparece em um interessante papel duplo.
”O Filho do Sheik” é a continuação de seu primeiro grande êxito, “O Sheik” (1921). Além de interpretar o filho, Valentino (com a barba grisalha) dá vida ao pai de Ahmed. O papel de Diana, sua antiga conquista, e agora mãe, volta a ser interpretado por Agnes Ayres. O sheik trata sua esposa com ternura e enfrenta a ira de seu filho com a indulgência da idade: ambos papéis ficam bem no ator e conseguem satisfazer os gostos mais conservadores. Entretanto, do ponto de vista artístico, é mais interessante a hábil aplicação da cortina partida para criar as imagens com os dois Valentinos.
Além dessas sofisticações, o filme traz alguns personagens divertidos que formam o contraponto cômico do filme: o criado psicótico de Ahmed deleita-se como um neném ao estrangular o inimigo e Ghabah (Montagu Love); o capitão dos ladrões, por outro lado, tem uma espécie de bufão. Assim, o resultado é uma fantasia oriental com decorações modestas, de pouca duração, mostrando como os americanos se passam por árabes. O filme foi rodado no deserto do Arizona, com resultados bem bastante convincentes.
Não vi muitos filmes de Valentino. Na verdade, assiti “O Sheik” e tenho “O Águia” (1925) em VHS – no qual faz o papel de um tenente russo que cai nas graças de Catarina II . Porém, achei este melhor. Falei com pessoas que já haviam assistido a toda a filmografia de Valentino e afirmaram que ”O Filho do Sheik” é considerado o seu melhor trabalho. Não é à toa que sua fama está ligada a esse filme, que se converteu em seu legado. Não deixe de conhecer.
"O Filho do Sheik" (The Son of the Sheik)
1921 – EUA - 68 min. – Preto e Branco – AVENTURA
Direção: GEORGE FITZMAURICE. Roteiro: FRANCES MARION, FRED DE GRESAC e GEORGE MARION JR. Fotografia: GEORGE BARNES. Música: GERARD CARBONARA e ARTUR GUTTMANN. Produção: GEORGE FITZMAURICE E JOHN W. CONSIDINE JR. para a FEATUREPRO INC.
Elenco:
RUDOLPH VALENTINO (Ahmed, o Filho do sheik/sheik Ahmed Ben Hassan), VILMA BANKY (Yasmin), AGNES AYRES (Diana), GEORGE FAWCETT (Andre), MONTAGU LOVE (Ghabah), KARL DANE (Ramadan), BULL MONTANA (Ali), BYNUNSKY HYMAN (Pincher) e WILLIAM DONOVAN (S´rir).
Cenas do Filme:
Do mesmo diretor:

Mata Hari

