terça-feira, 20 de maio de 2008

OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA

“Eu odeio cobras, Jock. Eu as odeio.”


Logo no início, descobrimos que algo terrível vai acontecer, e "Os Caçadores da Arca Perdida" estabelece um ritmo frenético que não se rompe até o final do filme – um final irônico que relembra nada menos que "Cidadão Kane" (1941). É, contudo, a única referência num filme que, de qualquer forma, dedica-se exclusivamente aos gloriosos tempos dos filmes B. “Os Caçadores da Arca Perdida” é um dos mais frenéticos, engraçados, engenhosos e estilizados filmes de aventura feitos pelo cinema norte-americano. É uma homenagem às series antigas e baratas que transcendem suas inspirações para tornarem-se, de fato, em filmes reais, tais como os temos em nossa imaginação. O filme é uma colaboração entre Steven Spielberg (diretor) e George Lucas (um dos produtores executivos) que, com Philip Kaufman, escreveu a história original na qual se baseou o roteiro de Lawrence Kasdan.

Como “Guerra nas Estrelas” (1977) ajudou George Lucas em todas as formas de criação de mitos, contos e personagens fictícios, unindo-os numa obra de grande originalidade, e “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977), de Spielberg trouxe um alento positivo aos filmes de ficção que se tinham tornado banais, “Os Caçadores da Arca Perdida” refina todo esse material em um filme que renova as memórias de como se realizar uma película desde primórdios do cinema, embora possuindo uma e rara e muito maior sensibilidade artística.

O filme, que é sempre divertido, sem nunca ser caricato. É sobre Indiana Jones (Harrison Ford), um rude professor de arqueologia com uma aptidão para aterrissar em situações difíceis nos mais exóticos cantos do planeta e sua namorada esporádica Marion Ravenwood (Karen Allen), a filha de um arqueólogo mundialmente famoso. Quando nos deparamos com Marion pela primeira vez, ela está correndo num boteco no remoto Nepal. Como Marion parou ali administrando um negócio no Nepal nunca é explicado, mas “Os Caçadores da Arca Perdida” é genial, tanto pelas coisas que explica como pelas deixadas sem explicação.

O ano é 1936, e mostra as tentativas de Indiana e Marion, a serviço do governo norte-americano, em descobrir a Arca da Aliança antes que um grupo de arqueólogos nazistas possa apoderar-se dela. Hitler, que é descrito como um homem obcecado por coisas obscuras, está firmemente decidido em encontrar a Arca, que contém os Dez Mandamentos, colocadas ali por Moisés como originalmente escritos nas tábuas.

A Arca é referida diferentemente como: (1) capaz de conferir poderes mágicos à pessoa que se apossa dela, (2) ser alguma coisa que o homem não pode usurpar, sendo “fora deste mundo” e, por último, (3) como um veículo de comunicação com Deus. Não se imagina qual o risco de vida que Indiana e Marion têm que passar a cada segundo para evitar que a Arca seja levada até Berlim!

Após a reconciliação no Nepal, seguida da fuga da morte nos Andes, Indiana e Marion voam ao Egito onde há razoes para acreditar que os nazistas estão prestes a achar a Arca nas escavações de um templo chamado Poço das Almas. Mesmo antes de chegarem às escavações, no entanto, enfrentam diversos obstáculos a serem superados no Cairo, incluindo tentativas de assassinato, um bem sucedido seqüestro e um destino pior que a morte para Marion nas mãos de um renegado arqueólogo francês, chamado Belloq (Paul Freeman).

Não se pode contar muito da história, mas vale lembrar que Indiana e Marion, separados ou juntos, deparam-se com inúmeras situações em sua jornadas, tais como um confinamento numa tumba antiga repleta de serpentes, um ataque com flechas com veneno, comidas envenenadas, tortura com estaca em brasa, e também uma supermala, na qual Indiana, em cima do cavalo, tenta alcançar um caminhão nazista que carrega a recém descoberta Arca em direção a Cairo, com traslado para Berlim. O clímax do filme, no qual os poderes da Arca são demonstrados para todos, é quase tão surpreendente como aquela demonstrada no clímax de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977).

Harrison Ford e Karen Allen fazem um par de intensa cumplicidade, cheio de recursos; ele, com sua jaqueta, e sua visão de raios-X; ela, com sua beleza de Margot Kidder e sua habilidade como beberrona, um jeito sarcástico, mas recheado de charme. Steven Spielberg também realizou um filme que parece ter custado bilhões de dólares (foi filmado, dentre outros lugares, na Tunísia, França, Inglaterra e Havaí), mesmo que algumas tomadas de produção remetam-nos aos antigos e fabulosos filmes B.

A cidade do Cairo que vemos na tela é obviamente uma cidade ao norte da África, mas também, obviamente, não é o Cairo. Não há pirâmides à vista. Meu único protesto é que Spielberg não tenha inserido uma tomada familiar do Cairo nas cenas para termos certeza que estaríamos lá. Leslie Dilley, a diretora de arte, deveria ter insistido nisso; porém, se nós não tivemos tudo, conseguimos quase tudo. Mesmo assim, esse talvez seja o melhor filme de aventuras da década de 80.




"Os Caçadores da Arca Perdida" (Raiders of the Lost Ark)
1981 – EUA - 115 min. – Colorido – AVENTURA
Direção: STEVEN SPIELBERG. Roteiro: LAWRENCE KASDAN, baseado em argumento de GEORGE LUCAS e PHILIP KAUFMAN. Fotografia: DOUGLAS SLOCOMBE. Montagem: MICHAEL KAHN. Música: JOHN WILLIAMS. Produção: GEORGE LUCAS, para LUCASFILMS LTD.

Elenco: HARRISON FORD (Indiana Jones) KAREN ALLEN (Marion Ravenwood), PAUL FREEMAN (Dr. Rene Belloq), RONALD LACEY (Major Arnold Toht), JOHN RHYS-DAVIES (Sallah), DENHOLM ELLIOTT(Dr. Marcus Brody), ALFRED MOLINA (Satipo), WOLF KAHLER (Cel. Dietrich), ANTHONY HIGGINS (Gobler) e VIC TABLIAN (Barranca/Monkey Man).

Prêmios:
Oscar de Melhor Som (Gregg Landaker), Melhores Efeitos Visuais (Richard Edlund e Kit West), Melhor Direção de Arte (Leslie Dilley) e Melhor Montagem (Michael Kahn)/1981.

Trailer Original:


Do mesmo diretor:



Indiana Jones e o Templo da Perdição

11 comentários:

Louis Vidovix disse...

Gosto bastante desse filme e de toda a série Indiana Jones! Cinema pipoca de qualidade!

Johnny Strangelove disse...

Indiana Jones é algo unico ... é indispensavel ver no cinema ...
abraços e parabens pelo especial ...

Tito disse...

Cara, eu vi o novo! Tem tudo o que um fã da série espera. É muito bom e, ao que parece, não será o último da série não.

Pedro Henrique disse...

Agora nos resta assistir ao novo...

Miguel Andrade disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel Andrade disse...

Jacques, se eu acertar de quefilme é aquela música ali do lado o quê que eu ganho?

Jacques disse...

Louis e Johnny, toda a série realmente é uma das melhores, no gênero Aventura, da década de 80.

Tito, vou assisti-lo logo. Quanto a ser o último da saga, pode ser que não seja. Vamos ver quanto tempo Harrison Ford persistirá. Mesmo que alguém venha substitui-lo - assim como não houve ninguém melhor que Christopher Reeve, como Superman e Sean Connery (apesar do troca-troca), como 007, dificilmente haverá outro Indy, como Harrison Ford. Abcs

Pedro, concordo...

Miguel, vc ganha conhecimento. Se gostar da música, talvez fique curioso em assitir ao filme que a música faz referência. Abcs

Isabela disse...

Tenho boas recordações desse filme, e grande simpatia. Espero que o novo faça ao menos jus a memória desse que se tornou um classico!

Ibertson Medeiros disse...

Gosto muito de Os Caçadores da Arca Perdida.
Super divertida.
Aquela cena de abertura na floresta, com Alfred Molina é genial.
E o que contém as melhores cenas de ação.
É o meu preferido de Indy.

Miriam disse...

Adoro toda série. E parabéns pela trabalho sobre a Greta Garbo. Ela merece sua dedicação.
Beijos

Jacques disse...

Isabela e Ibertson, realmente é um grande filme. Há cenas marcantes. Assim que vir o novo, vou comentá-lo aqui. Abcs

Miriam, Também gosto muito da série. Como disse, trata-se de uma das melhores dos anos 80.. Legal que tenha gostado da "Biografia da Semana". Aguarde novidades. Abcs