quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O GIGANTE DE FERRO

“As almas não morrem.”


Inspirado numa fábula do poeta inglês Ted Hughes, escrita em 1968, o filme retrata através da visão dos anos 90 um pouco do período da guerra fria, quando o mundo ficou polarizado entre duas potências – ex- URSS e EUA. Por outro lado, coloca em discussão todas aquelas ficções cientificas da década de 50, na qual algumas cidades do interior dos EUA era invadidas por seres extraterrenos e a Terra vivia uma constante ameaça de destruição e isso, por si só, justificava que um batalhão de soldados, agentes de Governo e a inteligência política norte-americana atuassem para salvaguardar a democracia e a humanidade. O que na verdade fica muito aparente em “O Gigante de Ferro” é como ele ridiculariza a utilização bélica – particularmente bomba nuclear – e seus mandatários que, num misto de ambição pessoal, maldade e até paranóia, poderiam submeter o povo a uma extinção em massa.

Isso é mostrado através da amizade entre um brilhante garoto e um robô metálico gigante, que cai no mar numa noite de tempestade, na cidade de Rockwell em 1957. Hogarth Hughes (Elie Marienthal), filho de uma garçonete batalhadora, Annie (Jennifer Aniston), salva o robô quando o mesmo fica preso numa fiação de rede de alta tensão, ao comer uma torre elétrica – ele é de ferro, portanto, alimenta-se dessa substância.

Ao passo que na escola Hogarth aprende com seus colegas como se deve proteger de um possível ataque nuclear, ele ensina seu amigo metálico fora da escola que seu modelo de herói é o Superman e que matar é um mal. Também, dentro do limite que sua pequena idade permite, ensina o robô a discernir entre diversos objetos e a falar nomes.

Além disso, conversam sobre os valores humanos e de vida. Hogarth acaba percebendo a natureza pacífica do novo amigo quando um pequeno revolver de brinquedo apontado para ele, é capaz de transformá-lo numa poderosa arma de destruição, mas sempre com objetivos de defesa. É uma bela alusão ao fato de que os seres humanos nunca deveriam atacar alguém, exceto em caso de autodefesa.

A cidade começa a perceber fatos estranhos ocorrendo, na maioria deles, carros (ou parte deles) e peças metálicas de grande dimensão que vão desaparecendo, à medida que servem de alimentação ao personagem principal. Não demora muito para que um agente do Governo seja acionado para investigar a situação.

Pistas levam o agente à casa de Hogarth e a investigação faz com que ele peça ajuda a um artista beatnik, Dean (Harry Connick Jr), que toma conta de um ferro velho, para que o local sirva de esconderijo ao robô.
Enquanto isso, o cruel agente, Kent Mansley (Christopher McDonald), vai fechando o cerco para achar o robô, encabeçando uma patrulha do Exército, tanques e aviões, que invadem a cidade em busca do gigante; até mesmo um submarino nuclear é acionado na tentativa de destruir o pacifico, mas alienígena gigante metálico.

Lançado pela Warner e dirigido por Brad Bird, o grande artista da atual Pixar, “O Gigante de Ferro” , antes de ser ótimo filme de animação, é uma bela e forte parábola antibélica. O período o qual remonta talvez não encontre eco em todas as idades; mas isso é o de menos. A garotada vai gostar e até poder se identificar com a história de um robô que aprende lições com um menino. Quem não conversava com um amigo inanimado quando criança?.

Muitos adultos também vão gostar de ver como esse filme mágico pode mostrar a seus filhos os perigos do uso de armas e as vantagens e méritos da tolerância e de um mundo pacífico.



"O Gigante de Ferro" (The Iron Gian)
1990 – EUA - 86 min. – Colorido – DESENHO ANIMADO
Direção: BRAD BIRD. Roteiro: TIM McCANLIES, baseado na história de BRAD BIRD e na obra “The Ion Man”, de TED HUGHES. Supervisão de Animação: TONY FUCILE. Fotografia: STEVEN WILZBACH. Montagem: DARREN T. HOLMES. Música: MICHAEL KAMEN. Produção: ALLISON ABBATE E DES McANUFF, distribuído pela WARNER BROS.

Elenco:
JENNIFER ANISTON (voz de Annie Hughes) HARRY CONNICK JR. (voz de Dean McCoppin), VIN DIESEL (voz do Gigante de Ferro), JAMES GAMMON (voz de Foreman Marv Loach/ Floyd Turbeaux), CLORIS LEACHMAN (voz da Sra. Tensedge), CHRISTOPHER McDONALD (voz de Kent Mansley), JOHN MAHONEY (voz do General Rogard), ELI MARIENTHAL (voz de Hogarth Hughes) e M. EMMET WALSH (voz de Earl Stutz).



Cenas do Filme:


Assista também:




Ratatouille

7 comentários:

Johnny Strangelove disse...

Uma das melhores animações já feitas na história da animação ...
Se Brad Bird merecia o Oscar de Animação ... era com certeza para esse impecavel projeto ...
Se cair um fio de lagrima no rosto do espectador, não é para ficar triste e sim agradecer por ser introduzido por uma história lindissima ...

Lindo mesmo
abraços

Wally disse...

Uma ótima animação, e a grande revelação da capacidade primorosa de Brad Bird como contador de histórias, que viria apenas a ser aperfeiçoada com o excelente Ratatoille e o fenomenal Wall-E.

Ciao!

Miguel Andrade disse...

Obra-prima realmente. Sensível e inteligente. Uma peninha ter sido distribuído mal e parcamente pela Warner.
A maior prova de que fracassos comerciais nada têm haver com êxitos artísticos.

Pedro Henrique disse...

Nossa, clássico. Dá vontade de rever!

Abraço!

Kau disse...

Pô,Jacques! Esse filme é excepcional!! Brad Bird se afirmando como um diretor notável neste gênero...

Abraços!

Miguel Andrade disse...

Kau, rsrsrsrsrsrsrsr. Na faixa de comentários de Os Incríveis Brad Bird disse que dá chilique pra quem chama animação de gênero. Ele diz que animação é técnica, não gênero.

Jacques disse...

Strangelove, é um belo filme. Tem traços de E.T, e a roupagem 50´s torna-o diferenciado. Abcs.

Wally, também a capacidade de entreter adultos e jovens, com histórias simples mas contadas de modo singular.

Como falei acho-o um belo filme. Não sei se uma obra-prima, mas sem dúvida para ser lembrado.Abcs

Pedro, reveja-o. Tive dificuldade em encontrá-lo. Boa sorte.

Kau, é sim. Concordo com vc. Abcs