sábado, 5 de abril de 2008

CHEGA DE SAUDADE

“Se a vida fosse um filme, qual filme seria? Juventude Transviada.”


É sobre o passado, é sobre o presente. Cada pessoa tem uma maneira de lidar com seus problemas, seus fantasmas. As personagens de “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky tentam - se não resolver - amenizar suas dores, praticando um social num salão de danças noturno para pessoas da terceira idade, em busca de um amor, do tempo perdido. E não são poucas. O par central, Álvaro (Leonardo Villar) e Alice (Tônia Carrero), vivem a insatisfação do casal que permaneceu muitos anos juntos. Ele, outrora o rei do pedaço, convive com o fantasma do abandono de sua primeira mulher (Selma Egrei, que aparece em flashback), e a sua impotência em demonstrar afeto à Alice, que perambula pelo salão vitimada por Alzheimer – sua única demonstração de carinho à mulher resume-se em pedir ao garçom de fazer lembrá-la (uma vez que ela sempre esquece) dos horários que ele precisa tomar pílulas.

Tem, também, a solteirona Elza – interpretada por uma Betty Faria, em grande estilo – nutrindo a esperança de ser observada por cada coroa que adentra o recinto e tem que se conformar com sua amiga, Nice, tendo mais sucesso que ela – personagem vivido por Miriam Mehler. A crise da idade também não fica esquecida, quando Marici (Cássia Kiss) se vê preterida por uma jovem, que dança com seu parceiro ao longo da noite, enquanto o namorado desta toca os playbacks da noite. Marici finge que nada disso a afeta, procurando entender como o elixir da juventude, por melhor que seja, pode valer mais que um cálice de vinho envelhecido; ele, Eudes (Stepan Nercessian), tendo nos braços a jovem, exercita, mesmo que platonicamente, o potencial de seus hormônios, querendo demonstrar que consegue manter duas mulheres sob seus encantos malandros.

A jovem Bel (Maria Flor), e namorada do DJ Marquinhos, vê na maturidade, embora malandra, de Eudes, o contraponto ao seu namorado – ainda desvestido do savoir faire requerido para um relacionamento. Como não poderia faltar, há também a sofisticada Rita (Clarisse Abujamra) que não resiste a entregar-se aos prazeres da carne, num misto de voyeurismo e auto-erotismo, para completar o vendaval paixões e sentimentos. Além do mais, outros personagens, surgem e somem, como coadjuvantes, em elenco bastante afinado.

Filmado em São Paulo, a película explora a saudade, o remorso, a traição, o inconformismo e, sobretudo, a tentativa de exortar as frustrações de cada personagem em busca da felicidade – perdida ou ainda não acontecida. A diretora Laís Bodanzky poderia ter buscado uma linguagem mais lenta e intimista (uso de planos panorâmicos em detrimento de close-ups), de forma a dar mais densidade aos personagens.

Entretanto, em seu segundo filme, consegue através de grandes nomes de nosso cinema e televisão compensar essas falhas. E, desta forma, isso contribui para que ela não deixe a peteca cair, ou, como canta Elza Soares, na participação que faz: “...nao deixe o samba morrer...”



Chega de Saudade (Chega de Saudade)
2008 – BRA - 92 min. – Colorido – DRAMA
Direção: LAÍS BODANZKY. Roteiro: LAÍS BODANZKY e LUIZ BOLOGNESI. Fotografia: WALTER CARVALHO. Montagem: PAULO SACRAMENTO. Música: EDUARDO BID. Produção: CAIO GULLANE e FABIANO GULLANE.

Elenco: LEONARDO VILLAR (Álvaro) TÔNIA CARRERO(Alice), CÁSSIA KISS (Marici), BETTY FARIA (Elza), STEPAN NERCESSIAN (Eudes), MARIA FLOR (Bel), PAULO VILHENA (DJ Marquinhos), CLARISSE ABUJAMRA (Rita), ELZA SOARES e MARKU RIBAS(Crooners da banda), CONCEIÇÃO SENNA (Aurelina), MARCOS CESANA (Garçon), LUIZ SERRA (Ernesto), MIRIAM MEHLER (Nice) e MARLY MARLEI (Liana).



Trailer Original:




Assista também:



Bicho de Sete Cabeças

4 comentários:

Cid disse...

Jacques, sou fã do seu blog.

Abraços

http://cidtpompeufilho.blog.terra.com.br/

Pedro disse...

Eu achei Chega de Saudades um filme maravilhoso.

Cecilia Barroso disse...

Esse filme é muito sensível e belo. Interessantíssimo!

Miguel Andrade disse...

meia boca!