terça-feira, 17 de novembro de 2009

A PROMESSA

“Uma vez que você aceita seu destino…”


Conhecido por épicos históricos como “O Imperador e o Assassino” (1999) e por ser o responsável pelo único filme chinês a ganhar a Palma de Ouro em Cannes por “Adeus, Minha Concubina” (1993), Chen Kaige também colecionou fracassos quando foi para Hollywood ao realizar “Mata-me de Prazer” (2002). Acertou novamente a mão ao voltar a seu país e filmar outro épico. Tido como o filme mais caro já rodado na China, “A Promessa” é grandioso. Contudo, enquanto algumas cenas chegam a tirar o fôlego, outras carecem dele. Como Zhang Yimou, que também faz parte de uma geração de diretores surgidas na China, Chen redescobriu um velho gênero conhecido como wuxia, que mistura contos de amor encantados com lutas marciais. Assim como “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), de Zhang, “A Promessa” conta a história de saudade, honra e múltiplas identidades. Enquanto Chen utiliza-se de tecidos esvoaçando e flores flutuando pelo ar, o filme não possui o mesmo visual arrebatador de “Adagas...”. A tonalidade é menos vibrante, as acrobacias mais tímidas, embora algumas vezes registra sensações mais fortes.

O ponto crucial é um triângulo romântico envolvendo o vanglorioso general Guangming (Hiroyuki Sanada), seu escravo cabeludo Kunlun (Jang Dong-Gun) e a Princesa Qingcheng (Cecilia Cheung), que foi amaldiçoada por uma deusa (Chen Hong). Segundo a profecia, Qingcheng está sentenciada a perder cada homem por quem se apaixonar, a não ser que o inverno se torne primavera e a maldição seja revertida.

“A Promessa” alterna momentos de genuíno romance e cenas acrobáticas, que poderiam ser melhor desenvolvidas. Por ser épico, os efeitos visuais deveriam ser utilizados com mais cautela, a fim de que o encantamento não seja confundido com acrobacias visuais e desande. Às vezes tem-se essa sensação. Mas é somente uma sensação. Quando pensamos que a coisa vai desandar, volta aos trilhos.

Kunlun vem de uma tribo que foi dizimada por um genocida chamado Wuhuan (Nicholas Tse). Tem a capacidade de correr em alta velocidade, atributo explorado em diversas seqüências, que lembra um pouco os bisões correndo durante “Dança com Lobos” (1990) - algo que Peter Jackson tentou recentemente com dinossauros.

Mais tarde, o general despacha seu escravo para uma cidade imperial a fim de resgatar o imperador. Kunlun, vestido na armadura de seu mestre, acaba se passando por esse e, usando um elmo dourado, acaba fazendo o contrário - assassina o regente e salva a princesa, que prontamente se apaixona por ele.

Agora o coração de Qingcheng pertence ao general ou a seu escravo? Nós e Kunlun suspeitamos que já tenhamos a resposta verdadeira, mas o general verdadeiro ganha os louros e juntos vivem um período juntos. Essa lua-de-mel, já que há contas a pagar da morte do imperador e o embate dom o vilão Wuhuan, que chacinou a família de Kunlun no passado.

"A Promessa" leva um tempo arrumando essa confusão de elementos de sua história. O diretor coloca muita emoção e o resultado é no minimo interessante. Apesar de um tratamento visual que às vezes lembra um jogo de vídeo game medieval, há certa grandeza e charme no enredo — e suficiente convicção do elenco como um todo — para fazer o filme no mínimo lembrar do retorno desse bom diretor.



A Promessa (Wu Ji)
2005– CHINA - 103 min. – Colorido – DRAMA
Direção: CHEN KAIGE. Roteiro: CHEN KAIGE E ZHANG TAN, baseado em história de CHEN KAIGE. Fotografia: PETER PAU. Montagem: DYLAN TICHENOR. Música: KLAUS BADELT. Produção: HONG CHEN, HAN SANPING E ERNST STROH, distribuído pela WARNER INDEPENDENT PICTURES.

Elenco: JANG DONG-GUN (Kunlun), HIROYUKI SANADA (Guangming), CECILIA CHEUNG (Qingcheng), NICHOLAS TSE (Wuhuan), LIU YE (Snow Wolf), HONG CHEN (Manshen), QIAN CHEN (Imperador) e XIAO WEI YU (Ye Li).



Cenas do filme:


Assista também:




Adeus Minha Concubina

6 comentários:

Wally disse...

Achei este filme uma bagunça. Incoerencia total. O visual é lindo, mas desconexo.

cineamador disse...

Pretendo assistir.

Jacques disse...

Wally, de fato eh um Chen Kaige atipico.abcs

Cine, veja e diga o que achou. Abcs

Tata Py disse...

Olá, Meu nome é Thays Py e trabalho na Agência de Comunicação Núcleo da Idéia.
Gostaria de ter o seu e-mail para que possamos fazer contato para parceria.

Desde já agradeço.

Thays Py
mkt7@nucleodaideia.com.br

O Homem que Engarrafava Nuvens disse...

Olá, Meu nome é Thays Py e trabalho na Agência de Comunicação Núcleo da Idéia.
Gostaria de ter o seu e-mail para que possamos fazer contato para parceria.

Desde já agradeço.

Thays Py
mkt7@nucleodaideia.com.br

Marcus Costa disse...

Assisti a esse filme faz um tempo, mas lembro de ter gostado bastante. O excesso de deslumbramento visual, em alguns momentos, o tornava enfadonho. No entanto, o enredo consegue manter tudo nos trilhos. Fora os momentos de excesso, o filme tem cenas encantadoras.