domingo, 7 de junho de 2009

NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA

“Nunca esqueçamos que nós somos a notícia verdadeira, não eles.”


O filme é apenas uma história bem narrada, com uma edição eficiente – com destaque para a cena em que a subeditora do programa de notícias atravessa o estúdio, correndo, para entregar a tempo uma fita que deve imediatamente entrar no ar – é um trabalho de interpretação bem esculpido pelo diretor. Holly Hunter brilha como a obsessiva e temperamental Jane Craig; William Hurt, embora exagere nos tiques do apresentador de telejornais Tom Grunick, dá um curioso ar blasé ao personagem; finalmente, Albert Brooks mostra-se muito a vontade na pele do correspondente Aaron Altman. Há ainda uma participação especial de Jack Nicholson, no papel de um apresentador do jornal de Nova Iorque, admirado e temido, que intimida todos. O enredo trata, sobretudo, dos bastidores do jornalismo audiovisual e da forma que se comportam os profissionais da área, capazes, como apresenta o próprio filme, de forjarem uma lágrima durante uma entrevista somente com o intuito de causar maior impacto no público e conseqüentemente ascenderem na escala hierárquica do departamento jornalístico.

Os jornalistas que são pressionados pela necessidade de trabalhar rapidamente, empurrados pelo sistema de trabalho, correndo de um lado para o outro, deixando de retratar noticias que realmente importam; aqueles que mergulham na rotina e que acabam se acostumando e gostando de viver na ânsia e tensão que resulta em apertar botões e botar imagens no ar, talvez se identifiquem com o filme.

“Nos Bastidores da Notícia” bem que poderia ser uma denúncia – no estilo do infinitamente superior “Rede de Intrigas” (76), de Sidney Lumet – do jornalismo de massa feito na atualidade, que acaba por dar mais ênfase ao espetáculo do que a notícia em si. Poderia também ser uma crítica amarga do clima de competição que diariamente esquenta redações e redatores de telejornais. Ou ainda, o filme de Brooks poderia ainda enveredar por uma discussão sobre o conceito de ética dos profissionais da área de jornalismo.

Infelizmente, “Nos Bastidores da Noticia” fica a meio caminho de todas essas questões. História simples, banal até, sustentada por um frustrante triângulo amoroso, o filme, leve como uma novela das seis, seduz apenas pela técnica e pelo trabalho de atores. Ainda assim, tudo é bastante convencional. Bem ao estilo que a Academia gosta de premiar. Não é à toa que foi indicado para 7 categorias do prêmio, em 1988. Saiu de mãos abanando.




"Nos Bastidores da Notícia" (Broadcast News)
1987 – EUA - 133 min. – Colorido – DRAMA
Direção: JAMES L. BROOKS. Roteiro: JAMES L. BROOKS. Fotografia: MICHAEL BALLHAUS. Montagem: RICHARD MARKS. Música: BILL CONTI. Produção: JAMES L. BROOKS, distribuído pela 20th CENTURY-FOX.

Elenco:
WILLIAM HURT (Tom Grunick) ALBERT BROOKS (Aaron Altman), HOLLY HUNTER (Jane Craig), ROBERT PROSKY (Ernie Merriman), LOIS CHILES (Jennifer Mack), JOAN CUSACK (Blair Litton), PETER HACKES (Paul Moore), CHRISTIAN CLEMENSON (Bobby), JACK NICHOLSON (Bill Rorich), ROBERT KATIMS (Martin Klein), ED WHEELER (George Wein) e STEPHEN MENDILLO (Gerald Grunick).



Cenas do Filme:


Assista também:



Laços de Ternura

Um comentário:

Sr. Nóbrega disse...

Puxa Jacques... eu curti pra caramba o filme, tá bom...eu admito, é levinho, levinho, mas prende a atenção. hehe

Quanto ao elenco, está é a melhro arma do filme. Era Hoolly surgindo, se não me engano ela ganhou em Berlim com esse filme. O Willian Hurt confirmando que era o astro da década de 80 e Albert Broks se legitimando como ótimo ator (não só comediante) que é. Aida claro, o camafeu de Uncle Jack.

Eu curti o filme, e tem uma cena ótima do Broks discutindo com o Hurt sobre beleza e inteligência. Tipo, o Hurt termina dizendo "que que adiante você ser intelegente... eu sou bonito". é por aí.

falow!