quarta-feira, 28 de maio de 2008

O CLUBE DOS CINCO

“Porque você tem que insultar todo mundo?...Eu estou sendo honesto, idiota. Pensei que soubesse a diferença.”


Cinco alunos de uma escola de Chicago ficam de castigo na manhã de um sábado por haverem cometido infrações diversas. A pena: têm que escrever uma redação de mil palavras dentro de um período de oito horas. O diretor da escola, Richard Vernon (Paul Gleason) está trabalhando em uma sala ao lado da qual os alunos estão fechados. Como não estão sob vigilância contínua, os cinco adolescentes vagabundeiam pela biblioteca, sem nenhuma intenção de executar a tarefa. Como tampouco se conhecem, começam a trocar idéias sobre seus amigos, seus pais e sobre a “primeira vez” de cada um. Ao final do bizarro dia na escola, cada um estará um pouco mais preparado para responder à pergunta: “Quem sou eu?”.O roteirista e diretor John Hughes especializou-se em comédias infantis e de adolescentes. Com “O Clube dos Cinco”, realizou um filme mais intimista, sem protagonistas.Consegue mostrar adolescentes com problemas reais, evitando, contudo, que o filme se aprofunde em demasia nos assuntos que aborda. Embora revele somente o suficiente para não espantar o público-alvo adolescente, o filme mantém um clima de seriedade, de sensibilidade e afeto. A caracterização dos personagens é muito bem realizada. São personagens com matizes que despertam nosso interesse pelos seus destinos, embora, por outro lado, são também bastante carismáticos para que o público se identifique com muitos deles.

Logo na cena em que os “delinqüentes” chegam à escola, Hughes desfila seu estilo de caracterização dos personagens, baseado em alguns clichês: a garota chega numa caminhonete e, o rebelde, a pé, indiferente diante de um carro que breca para não atropelá-lo. O rebelde chama-se John (Judd Nelson), que usa cabelos compridos e camiseta rasgada. Discutindo com o diretor, acaba “ganhando” um castigo de oito sábados adicionais, mas, a princípio, trata seus companheiros com uma agressiva condescendência.

Brian (Anthony Michael Hall) é o clássico exemplo do nerd e os demais o importunam. Claire (Molly Ringwald) provém de uma família rica, mas fica evidente que seu estilo patricinha não lhe interessa nem um pouco. Andrew (Emilio Estevez) é o esportista do grupo, pois participa do time de luta e representa o “projeto” de ambição para seu pai. Por último, mas igualmente importante, é Allison (Ally Sheedy), uma garota que se esconde atrás de seus cabelos desgrenhados e de suas roupas maltrapilhas, além de ser cleptomaníaca.

Ao longo do sábado, todos trocam experiências entre si, de forma sincera, dando-se em conta que todos possuem os mesmos problemas – como atender às expectativas paternas (que não se cumprem), bem como vencer a eterna luta para manter um status dentro da hierarquia da escola.

Nos diálogos, Hughes demonstra ter um talento acima da média: o de compreender os meandros da adolescência. Consegue mostrar de forma realista o modo com que os jovens se expressam, como criam conflitos entre si, como silenciam, como são autênticos e verdadeiros, como perdem o controle e como rompem-se em lágrimas. Consegue criar habilmente personagens com perfis tão distintos, com poucas pinceladas. Um bom exemplo é a melancólica Allison, que em um dado momento vislumbra uma paisagem e sacode a caspa dos cabelos sobre o casaco para imitar neve.

Os cinco jovens atores têm atuações impecáveis, desenvolvendo seus personagens com sinergia, parecendo que se conhecem mutuamente há tempos. Não somente por essa razão, mas também por demonstrar uma clara intenção do filme em oferecer o retrato definitivo de uma geração, os paralelismos com o antecessor “O Reencontro” (The Big Chill), de 1983 e o posterior “O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas” (St. Elmo´s Fire), de 1985, são evidentes. Tanto que nos EUA, “O Clube dos Cinco” foi apelidado de “The Little Chill”. Cult obrigatório.




"O Clube dos Cinco" (The Breakfast Club)
1984 – EUA - 92 min. – Colorido – DRAMA
Direção: JOHN HUGHES. Roteiro: JOHN HUGHES. Fotografia: THOMAS DEL RUTH e GEORGE BOUILLET. Montagem: DEDE ALLEN. Música: KEITH FORSEY e WANG CHUNG. Produção: JOHN HUGHES e NED TANEN, para A&M FILMS E UNIVERSAL PICTURES.

Elenco: EMILIO ESTÉVEZ (Andrew Clarke) JUDD NELSON (John Bender), ANTHONY MICHAEL HALL (Brian Johnson), MOLLY RINGWALD (Claire Standish), ALLY SHEEDY (Allison Reynolds), PAUL GLEASON (Richard Vernon), JOHN KAPELOS (Carl), PERRY CRAWFORD (Pai de Allison), PERRY MARY CHRISTIAN (Irmã de Brian) e ROY DEAN (Pai de Andrew).


Trailer Original:


Do mesmo diretor:



Gatinhas e Gatões

6 comentários:

Robson Saldanha disse...

Há quem diga que juntamente com Curtindo a Vida Adoidado seja um dos grandes filmes teen de todos os tempos. Mas ainda não o vi, por incrível que pareça!

Jacques disse...

Robson,
Dentre vários, inclua na tua lista "The Outsiders" de Coppola. Abcs

Miguel Andrade disse...

Jacques, eu me identificava com o personagem do Judd Nelson! Mas eu nem fumava nem nada, era o tipico adolescente classe média, não um transviado! Hahahaha Foi o primeiro VHS que aluguei em minha vida, exatamente no dia 14 de outubro de 1991. E pela precisão da data você imagina o quanto marcou minha vida. Lembro que um dia levei minha fita gravada da Sessão de Gala pra meu professor de Literatura passar na classe e foi um fracasso monumental! A classe inteira pediu pra ir embora... Muito diferente de Curtindo a Vida Adoidado ou até de Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco não serve a qualquer público, até por sua estrutura. Como você bem lembrou, Hughes tinha um faro e tanto para diálogos, o que deixa sua carreira a partir daqui ainda mais escandalosa de tão fraca!

Ygor Moretti Fiorante disse...

Pois é, esse filme é de fato um marco, um classico teen, mas como foi bem dito, não é um filme pra qualquer um naum, era pra quem estava lá pelos anos 80 perambulando, crescendo, vivendo e moldando o carater para os outros anos e decádas futuras...Assim como o os personagens...

Ah vo linka seu blog, e sobre Tarkovsky, ainda não vi solaris, outro que gostei muito dele é A infancia de Ivan.

abraço...

Tito disse...

Eu vi este filme há muitos anos. Tenho boas lembranças dele, mas tenho que rever.

Jacques disse...

Miguel, é difícil quem não tenha se identificado com algum dos personagens, né? Afinal, está tudo lá: a rebeldia, as expectativas e tudo o mais da época teen. Agora Hughes, de fato, nunca mais fez algo digno de comentários. Pena.

Ygor, todo teen deveria ver o filme. Entretanto, nem todos são obrigados a gostar.Mas, de qualquer modo, continua sendo um bom filme.

Tito, reveja-o.