sábado, 18 de outubro de 2008

AKIRA

“Eu não sou Akira!”


“Akira”, de Katsuhiro Ôtomo é um trabalho de animação fenomenal com todas as credenciais de um cult clássico. Seu estilo pós-apocalíptico, armadilhas hi-tech, ilustrações sensacionais e uma vasta coleção de personagens bizarros, colocam-no no panteão dos animês da ficção científica. Baseado na saga animê largamente popular Ôtomo, ”Akira” pega seu nome de uma força misteriosa que pode estar em progresso em Neo-Tóquio, onde a ação acontece. Em 2019, 31 anos após a III Guerra Mundial, o mundo tem a possibilidade de voltar ao normal - estudantes de ginásio, gangues de motocicleta, agentes de Governo corruptos e místicos que prevêem o futuro. “Conforme a cultura”, diz alguém, "encontramos a solidão do coração humano”.

O diretor investe neste fúnebre desabrochar da civilização pós-nuclear com uma rara e grande beleza. Os desenhos de Neo-Tóquio à noite são mostrados com tanta minúcia que todas as janelas de cada arranha-céus aparecem em detalhe. E, essas cenas noturnas, brilham em cores claras e vibrantes. Nunca recorrendo a recursos de forma a ostentar um visual poderoso gratuitamente, o diretor utiliza-se de uma grande variedade de tonalidades de forma premeditada e interessante, “animando” seu filme com constante doses de surpresa. Os movimentos e mudanças apresentadas na tela são tremendamente diversificadas e quase sempre imprevisíveis. Por outro lado, “Akira” é hermético e, naturalmente, possui um apelo maior junto ao público interessado em desvendar sua trama complicada e bem desenvolvida.

No epicentro da história está Tetsuo, o membro de uma gangue juvenil , que se torna (contra sua vontade) uma cobaia de experimentos secretos do Governo e Kaneda, que em diferentes ocasiões é o seu melhor amigo – mas também seu arquirrival. No enredo, há o envolvimento das forças do Governo, de militares, de outras gangues e de um pequeno grupo de pálidas crianças paranormais. Mesmo quando fornecem terríveis afirmações, esses personagens falam com tal propriedade que ajudam a dar a esse filme pop o tom austeramente japonês.

O diretor e seu pelotão de habilidosos animadores estão em seu melhor, ao fazerem surgir - como por encanto - turbulentos efeitos especiais, mostrados ao mesmo tempo com grande força e ingenuidade. “Akira” apresenta cores, sombras e traços com inúmeros matizes e quando seus personagens enfrentam-se no espaço, fazem-no com uma energia de tirar o fôlego. No meio das seqüências fortes, está aquela em que são mostrados brinquedinhos na enfermaria, que logo se transformam em monstros enormes e assutadores; em outra, na qual grandes e assutadores mucos de sangue saltam do corpo de uma vitima assustada.

A violência permeia o filme, fazendo deste o habitat natural de Akira. Os personagens mais sensatos advogam pelo sábio uso dos temerosos “novos” poderes da humanidade, dando ao filme como um todo uma sensação de um conto premonitório.



"Akira" (Akira)
1988 – JAPÃO - 124 min. – Colorido – FICÇÂO CIENTÍFICA
Direção: KATSUHIRO ÔTOMO. Roteiro: KATSUHIRO ÔTOMO e IZÔ HASHIMOTO. Fotografia: KATSUJI MISAWA. Montagem: TAKESHI SEYAMA. Música: SHOJI YAMASHIRO. Produção: RYOHEI SUSUKI E SHUNZO KATO, distribuído pela STREAMLINE PICTURES.

Elenco:
MITSUO IWATA (voz de Shôtarô Kaneda), NOZOMU SASAKI (voz de Tetsuo Shima), MAMI KOYAMI (voz de Kei), TESSHÔ GENDA (voz de Ryûsaku), HIROSHI ÔTAKE (voz de Nezu), KÔICHI KITAMURA (voz de Miyako), MICHIHIRO IKEMIZU (voz do Inspetor), YURIKO FUCHIZAKI (voz de Kaori), MASAHAKI OKURA (voz de Yamagata), TARÔ ARAKAWA (voz de Eiichi Watanabe) e TAKESHI KUSAO (voz de Kai).


Cenas do Filme:


Do mesmo diretor:




Steamboy

6 comentários:

Johnny Strangelove disse...

CLASSICOOOOOO (infinito)


Uma obrigação inconstestavel para não só quem gosta de violencia, mas para quem gosta de refletir e perceber como uma animação de muitos anos atrás consegue ser tão atual e tão assustador.

E a grande pergunta do filme, o que é o Akira é perguntar para nós mesmo quem nós somos.

Classico!
abraços

Miguel Andrade disse...

Jacques, muito bom! O primeiro animé em longa a passar no Brasil na cola dos Cavaleiros do Zodíaco que fazia estrondoso sucesso na TV. Também foi o primeiro mangá a ser vendido nas bancas!
Quem não sonhou em ser como o Kaneda não teve infância! rs
Até agora Otomo só se confirmou como gênio. Steamboy é fabuloso em proporções menores que Akira.
Abraços

Kau disse...

Jacques, não sou ligado em animações orientais. Mas preciso me atualizar, pois vejo estar perdendo coisa boa!

Abs.

Miriam disse...

Tabém não gosto deste tipo de animação, mas meus filhos amam.
Beijos

Cecilia Barroso disse...

Akira é, até hoje, a melhor animação adulta já feita.
O roteiro é sensacional e as imagens falam por si.
Não só fiz questão de ver várias vezes, como tenho o filme em casa.
Imperdível!

Beijocas

Jacques disse...

Strangelove, de fato é um belo filme - não somente pela animação, mas pelo tema. T+

Miguel, fiquei impressionado também ao assisti-lo.Valeu!

Kau, não perca. Assista sim.

Miriam, assita-os com seus filhos. É um belo trabalho de animação, mesmo para quem não seja muito ligado em animações. Bjos.

Cecilia. De fato um grande filme. Lançaram-no em uma caixa nas versões 4:3 e widescreen, com direito a camiseta promocional e tudo. Vc tem esse box? Bjos.