Mostrando postagens com marcador pianista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pianista. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

MELODIA IMORTAL

“Eu não quero morrer”


Mal o idealista Eddie Duchin (Tyrone Power) chega a Nova Iorque, depara-se com uma péssima surpresa. Fã da banda de Leo Reisman (Central Park Casino), não consegue o emprego que esperava já ter obtido. Ele acaba sendo “salvo pelo gongo” e por uma garota, Marjorie Oelrichs (Kim Novak) que, com sua influência, ajuda-o a empregar-se como músico. Apaixonam-se e casam-se. Logo após dar à luz ao filho do casal, Marjorie morre e Eddie entra num estado de espírito pétreo que dura anos. Eddie segue sua carreira, seu filho cresce e, de volta ao lar após a Guerra, tem dificuldade de relacionamento com o garoto – agora com 12 anos. Quando o entendimento com seu filho começa a harmonizar-se e tudo parece entrar nos eixos – ele casa-se com a babá de seu filho, Chiquitita (Victoria Shaw) -, Eddie começa a sofrer de uma doença degenerativa nas mãos, que os médicos alegam ser incurável.

Em linhas gerais, esse é o enredo da verdadeira história de Eddie Duchin (embora ficcional), um músico que durante os anos 30 e 40 ficou famoso como um leader band. Samuel Taylor, o roteirista, parece ter exagerado nos elementos trágicos. O clima é triste, apesar de existirem momentos de bastante leveza, principalmente na parte inicial do filme, quando Eddie e Marjorie estão juntos. A trilha sonora ajuda a enfatizar esse clima, como na bela seqüência em que o casal passeia pelo Central Park ao som de "I´ll Take Romance" ao fundo.

O diretor George Sidney conduz bem esse melodrama, apesar de algumas cenas parecerem um tanto over, como aquela em que num excesso de entusiasmo ele, durante a Guerra, pega um piano e toca “Chosticks” com um garoto filipino. Porém, a maioria dos números é bacana e muitos dos temas encenados são famosos, como “Noturno”, de Chopin; "Body and Soul”; "Manhattan"; "You're My Everything”; "Let's Fall in Love”; "Sweet Sue"; "Whispering" e outros do repertório dessa época. Com Carmen Cavallaro ao piano, as músicas acabam sendo, na verdade, as vedetes do filme.

Tyrone Power está bem como Duchin, mostrando que ensaiou bem alguns números musicais. Kim Novak está deslumbrante e linda no papel de sua primeira esposa. Victoria Shaw é uma atraente segunda esposa, mas não chega a fazer sombra a Kim. Rex Thompson é muito mimado e enjoado no papel de Peter Duchin o filho de Eddie, mas James Whitmore destaca-se no papel Lou Sherwood.

Este é um melodrama típico dos anos 50. Sentimental, com momentos de alegria e de tristeza, apesar de alguns tropeços. Tem a mão segura de George Sidney que não deixa o tom desandar. Para apreciadores de uma boa música. Melhor momento do filme (e aqui vai um pouco de bairrismo): Eddie tocando "Aquarela do Brasil". Dá orgulho de ser brasileiro.




"Melodia Imortal" (The Eddie Duchin Story)
1956 – EUA - 123 min. – Colorido – DRAMA
Direção: GEORGE SIDNEY. Roteiro: SAMUEL A. TAYLOR, baseado na história de LEO KATCHER. Fotografia: HARRY STRADLING. Montagem: VIOLA LAWRENCE E JACK W. OGILVIE. Música: GEORGE DUNING. Produção: JERRY WALD, para COLUMBIA PICTURES.

Elenco:
TYRONE POWER (Eddy Duchin) KIM NOVAK ( Marjorie Oelrichs), VICTORIA SHAW (Chiquita), JAMES WHITMORE (Lou Sherwood), REX THOMPSON (Peter Duchin aos 12 anos), MICKEY MAGA (Peter Duchin aos 5 anos), SHEPPERD STRUDWICK (Sr. Wadsworth) , FRIEDA INESCORT (Sra. Wadsworth), GLORIA HOLDEN (Duchin), LARRY KEATING (Leo Reisman) e JOHN MYLONG (Sr. Duchin).



Cenas do Filme:


Assista também:



Scaramouche

sábado, 19 de abril de 2008

SINFONIA EM PARIS

“Se você não pode pintar em Paris, case-se com a filha do chefe.”


O homem que dorme, acorda, entreabre a porta desde a cama e pega a bolsa que oferecem. Levanta a cama até o teto com um sistema de cordas, abre o armário, tira uma mesa e uma cadeira de dentro, procura uma xícara e uma faca em uma gaveta com a mão esquerda, um paletó no armário com a direita, fecha a gaveta com o joelho e volta à mesa. Voilà! O café da manhã está pronto. O pintor americano, Jerry Mulligan vive em Paris com certa dificuldade, e isso é o que mostra a magnífica cena inicial de “Sinfonia em Paris”. Mas o que se pretende transmitir, sobretudo, é o seguinte: com Mulligan, interpretado por Gene Kelly, o bailarino excepcional que também assina como responsável toda a coreografia do filme, todos os afazeres diários convertem-se em dança, em uma festa de movimento e domínio corporal.

O filme narra a história de Jerry, que permanece em Paris, depois da Segunda Grande Guerra Mundial. Jerry é pintor, que vai vivendo graças ao dinheiro emprestado por amigos, como o americano Adam Cook (Oscar Levant), um pianista que nunca atuou em público. Uma coisa fica clara: o dinheiro não desempenha nenhum papel importante no filme. “Sinfonia em Paris” é um conto que prescinde das obrigações da vida real. Este fato fica claro, também, quando na vida de Jerry entram duas mulheres – Milo Roberts (Nina Foch), que é rica, aprecia os quadros de Jerry e atua como uma espécie de mecenas de saias, protegendo o artista sem recursos; e Lisa Bouvier (Leslie Caron), que é ingenuamente bonita. E, naturalmente, Jerry interessa-se muito mais por Lisa do que por Milo. Entretanto, na vida de Lisa há outro homem.

Afirmar que a cena de abertura de “Sinfonia em Paris” é uma festa, seria apenas uma verdade e meia; o filme inteiro é – uma festa que celebra o genial bailarino Gene Kelly e a encantadora Leslie Caron (que Kelly havia descoberto dois anos em um ballet nos Champs Elysées); uma festa que celebra essa Paris irresistivelmente bela e pitoresca, o amor e, sobretudo, a música. Na trilha sonora, há canções memoráveis e imortais de George Gershwin (música) e Ira Gershwin (letra), tais como Our Love is Here to Stay, Embraceable You e S´Wonderful. Gene Kelly canta o clássico I Got Rhythm em um maravilhoso dueto com algumas crianças na rua, tema com o qual o americano ensina inglês aos pequenos franceses.

Além disso, o filme celebra também o prazer de contar histórias. O diretor Vincente Minelli e o roteirista Alan Jay Lerner ("My Fair Lady", de 1964) dominam a narrativa, embelezam e jogam de forma magistral com as convenções. O filme começa com ao menos três vozes que nos introduzem à história, através de comentários em off – além de Jerry e do pianista Adam, também a estrela da revista francesa Henri Baurel (Georges Guétary). Na história, são incluídas várias seqüências oníricas, dentre as quais uma em que Adam sonha com seu primeiro concerto, no qual ele não somente se senta ao piano de calda e comanda o show, mas também toca todos os instrumentos.

Ao final, o filme desprende-se definitivamente de toda a dramaturgia cinematográfica conhecida e conclui com uma cena de baile que dura cerca de dezoito minutos e cuja produção, dizem, custou cerca de quinhentos mil dólares de um total de produção superior a dois milhões e setecentos mil dólares. Somente com música, sem canções e diálogos, Kelly e Caron dançam, num misto de dança moderna e ballet clássico, uma história de amor entre eles e uma Paris extremamente estilizada, inspirada em obras de pintores franceses, como Renoir e Toulouse–Lautrec. Sublime!



Sinfonia em Paris (An American in Paris)
1951 – EUA - 114 min. – Colorido – MUSICAL
Direção: VINCENTE MINELLI. Roteiro: ALAN JAY LERNER. Fotografia: ALFRED GILKS e JOHN ALTON. Montagem: ADRIENNE FAZAN. Música: GEORGE GERSHWIN, SAUL CHAPLIN e JOHNNY GREEN. Produção: ARTHUR FREED, para a MGM.

Elenco: GENE KELLY (Jerry Mulligan) LESLIE CARON (Lisa Bouvier), OSCAR LEVANT (Adam Cook), GEORGES GUÉTARY (Henu Baurel), NINA FOCH (Milo Roberts), EUGENE BORDEN (George Matthieu), e MARTHA BAMATTRE (Mathilde Matthieu).

Prêmios:
Oscars de Melhor Filme (Arthur Freed), Melhor Roteiro (Alan Jay Lerner), Melhor Direção de Arte (Cedric Gibbons, E. Prestn Ames, Edwin B. Willis e F. Keogh Gleason), Melhor Fotografia (Alfred Gilks e John Alton); Melhor Figurino (Orry-Kelly, Walter Plunkett e Irene Sharaff) e Melhor Trilha Musical (John Green e Saul Chaplin) /1951.

Trailer Original:


Assista também:




Gigi