“Não posso viver sem minha vida. Não posso morrer sem minha alma.”
O projeto de “O Morro dos Ventos Uivantes” começou polêmico muito antes de ser filmado. Laurence Olivier achou a escolha de Merle Oberon como seu par romântico um absurdo. Ele queria que a escolha recaísse sobre Vivien Leigh (sua mulher à época). David Niven não tinha nenhum interesse no filme. O produtor, Samuel Goldwyn exigiu que o filme tivesse um final feliz – ao contrário do que pretendia seu diretor, William Wyler. Com tudo isso, no entanto, tudo acabou se ajeitando: Viven Leigh foi escalada para “...E o Vento Levou” (1939); Olivier e Niven viraram estrelas e esta versão da obra de Emily Brontë é considerada como a definitiva – apesar das diversas versões posteriores. E também um dos filmes românticos mais importantes e dramáticos da histórica do cinema. O senhor Earnshaw (Cecil Kellaway), acolhe um tipo mulato (Rex Downing), a quem dará o nome de Heathcliff. Ao passo que sua filha, Cathy (Sarita Wooton), possui uma especial inclinação pelo rapaz, seu irmão, Hindley, o odeia. Quando Earnshaw morre e Hindley (Hugh Williams) toma seu lugar, relega o rapaz a serviçal. O amor secreto que existe entre Cathy (Merle Oberon) e Heathcliff (Laurence Olivier) passará por provações, uma vez que o rapaz não tem como atender todos os anseios sociais da jovem. As humilhações e os mal entendidos culminam na tragédia de Heathcliff e no casamento de Cathy com um vizinho rico, Edgar Linton (David Niven). Três anos depois Heathcliff volta retorna como um fidalgo e decidido a vingar-se.
O elenco, cheio de atores britânicos e pouco conhecidos (apesar de Olivier e Oberon), foi uma sacada inteligente. Para o aristocrático Olivier, o papel de serviçal foi marcante, pois encarnou Heathcliff com raiva e rancor. Oberon também está muito bem, diante da árdua tarefa de tornar crível tanto a paixão de Cathy por alguém de outra classe social, como seu apego superficial pela ostentação em que vive a família de seu marido. Niven não compromete no papel de Edgar, que não tem nenhuma chance de conquistar efetivamente Cathy.
O trabalho de William Wyler é excepcional, pois mantém inalterado um ingrediente que havia convertido a história em um escâncalo: a ambivalência moral dos personagens. No ano de 1939 foram produzidos inúmeros grandes filmes, tais como “...E o Vento Levou”, “No Tempo das Diligências”, “O Mágico de Oz”, dentre outros. Provavelmente, porisso, “O Morro dos Ventos Uivantes” não tenha dado a seus protagonistas e nem a seu diretor um Oscar.
Entretanto, o trabalho primoroso de fotografia de Greg Tolland foi premiado. Dois anos antes de Cidadão Kane (1941), já podemos perceber que a mansão dos Linton possui imagens semelhantes às de Xanadu, o luxuoso recanto de Kane. Tolland retrata com a mesma técnica as paisagens de ambos os filmes. Pérola do cinema.
"O Morro dos Ventos Uivantes" (Wuthering Heights)
1939 – EUA - 103 min. – Preto e Branco – DRAMA
Direção: WILLIAM WYLER. Roteiro: CHARLES MACARTHUR E BEN HECHT, baseado no romace homônimo de EMILE BRONTË. Fotografia: GREGG TOLLAND. Montagem: DANIEL MANDELL. Música: ALFRED NEWMAN. Produção: SAMUEL GOLDWYN, para a SAMUEL GOLDWYN COMPANY.
Elenco: MERLE OBERON (Cathy) LAURENCE OLIVIER (Heathcliff), DAVID NIVEN (Edgar Linton), GERALDINE FITZGERALD (Isabella Linton), FLORA ROBSON (Ellen), HUGH WILLIAMS (Hindley), DONALD CRISP (Doutor Kenneth), LEO G. CARROLL (Joseph), CECIL KELLAWAY (Sr. Earnshaw), SARITA WOOTON (Cathy criança), REX DOWNING (Heathcliff criança) e DOUGLAS SCOTT (Hindley criança).
Prêmios:
Oscar de Melhor Fotografia (Gregg Tolland)/1939
Trailer Original:
Do mesmo diretor:

Ben Hur












