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segunda-feira, 25 de maio de 2009

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

“Você não é um animal, Logan".


O bravo e sarcástico Wolverine agora surge no episódio “ X-Men Origens: Wolverine”, de forma a explicar seu passado e porque o cara é intrigante e incomum. Em determinada cena, ele se diz canadense. Com isso, não fica muito clara sua participação na Guerra Civil Americana, assim como também o fato dele parecer um inglês que passa o verão durante a infância em Indiana, nos Estados Unidos. Outro ponto é que, até então, não se sabia que Logan tinha um irmão. Victor Creed, melhor conhecido (não neste filme) como Dente-de-Sabre, o vilão que num dado momento era tido como o pai de Wolverine, é na verdade seu irmão. Ficamos sabendo isso, graças à confusa seqüência de abertura, na qual a troca de paternidade nos remete ao ano de 1845; entretanto, fica-se sem saber quando a tal troca teria ocorrido. Wolverine, ainda conhecido como James Logan, tem suas garras ainda feitas de osso e não de adamantium; abre a seqüência lutando numa série de batalhas (não em sua roupa de guerra), junto com Victor. Este, que tem suas unhas pontiagudas, é interpretado por Liev Schreiber.

Victor e James (tecnicamente, ele se torna Wolverine somente após os implantes de adamantium) são companheiros, depois inimigos mortais, e novamente amigos. Após a derrota na Guerra do Vietnã, James aposenta-se para as montanhas canadenses, onde ouve de sua namorada, Kayla (Lynn Collins), uma lenda que inspira seu nome. Antes disso, porém, alguns de seus ex- companheiros mutantes morrem - que, infelizmente, coincidência ou não – lembra o atual, e já esquecido, “Watchmen” (2009).

“Wolverine” é mais curto e menos pretensioso do que “Watchmen” (2009) mas tão esquecível quanto aquele, com um roteiro cheio de pontas, algumas inconsistências. Vingança é o motivo principal do filme e, como boa ferramenta, há uma conspiração militar/científica do governo chefiada pelo malvado Stryker (Danny Huston, de longe o melhor do filme).

A série de personagens secundários desfilam pelas cenas, a maior parte mutantes com poderes variados e de questionáveis chances de sucesso para a franquia Marvel. Ryan Reynolds, Taylor Kitsch e Will.i.am exibem-se e fazem o que podem, mas infelizmente não são capazes de compensar as ausências de, por exemplo, Halle Berry, Anna Paquin ou Ian Mckellen.

Acho que “X-Men Origens: Wolverine” vem tentar angariar alguns milhões de dólares, no embalo dos episódios anteriores, mas é a última evidência de que o superherói está sofrendo de uma séria e cansativa falta de imaginação. A reviravolta final, que dá ao pobre Wolverine um caso de amnésia – transformando-o num tipo de Jason Bourne com ferimentos — é uma admissão virtual de que nada terrivelmente interessante se aprendeu sobre o personagem. Ele esquece sua origem antes que o filme dedicado a tratar do assunto tenha terminado.



X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)
2009 – EUA - 107 min. – Colorido – AÇÃO
Direção: GAVIN HOOD. Roteiro: DAVID BENIOFF E SKIP WOODS. Fotografia: DONALD M. McALPINE. Montagem: NICOLAS DE TOTH E MEGAN GILL. Música: HARRY GREGSON-WILLIAMS. Produção: LAUREN SHULER DONNER, RALPH WINTER, HUGH JACKMAN E JJOHN PALERMO, distribuído pela 20th CENTURY FOX.

Elenco:
HUGH JACKMAN(Logan/Wolverine), LIVE SCHREIBER (Victor Creed), DANNY HUSTON (Stryker), WILL.I.AM (John Wraith), LYNN COLLINS (Kayla Silverfox), KEVIN DURAND (Fred Dukes), DOMINIC MONAGHAN (Bradley), TAYLOR KITSCH (Remy LeBeau), DANIEL HENNEY (Agente Zero) e RYAN REYNOLDS (Wade Wilson)



Cenas do filme:


Assista também:




X-Men

quarta-feira, 9 de julho de 2008

SWEENEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

“Que tal uma barba?.”


Eu havia visto poucos filmes de Tim Burton. Dentre os que tinha assistido há tempos atrás estão "Batman" (1989) e "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" (1999). Uma amiga sugeriu-me assistir "Ed Wood" (1994), que ainda não havia visto. A partir de então, percebi que se tratava de um artista ímpar, um grande diretor. Fiquei curioso para ver o seu mais recente trabalho e o resultado de uma junção de dois universos muito diferentes - enquanto Tim Burton faz filmes de fantasia, Stephen Sondheim escreve musicais. Achei difícil imaginar 2 gêneros tão otimistas de pop art ou, de outra forma, 2 artistas pop que tenham, de alguma forma, subvertido o otimismo. Stephen Sondheim sempre gravitou em direção a tonalidades musicais suaves e desenvolveu seus trabalhos com subtextos beirando a ansiedade e a alienação. Tim Burton, por sua vez, envereda mais naturalmente (mas não de forma tão fácil) pela esfera do gótico e do grotesco, transformando temas cômicos e infantis em trabalhos fúnebres e assombrados. E não é surpreendente que “Sweeney Todd”, filme adaptado do musical de Sondheim, seja tão sombrio e aterrorizante. De fato, “Sweeney Todd” é tanto um filme de terror quanto um musical: é cruel nos efeitos e radical na misantropia, expressando um arroubo, uma visão extremamente pessimista da natureza humana. É, também, algo próximo de um grande obra, um trabalho de extrema força, quase genial.

A história é uma tragédia sobre a vingança. Um barbeiro, julgado erroneamente, retorna a Londres e abre uma barbearia, cortando gargantas e cabelos. Os corpo de suas vítimas viram tortas de carne (servidas aos fregueses) nas mãos da Sra. Lovett, sua parceira nos negócios e nos crimes. Canibalismo e assassinato, como alicerces para o espetáculo, formam uma brincadeira perversa e, acreditem, até deliciosa.

O filme de Tim Burton, apesar da participação de Sacha Baron Cohen (como um barbeiro saltimbanco) e Timothy Spall (como um xerife), que super representam em seus papéis, acerta no elenco. A Londres do diretor é escura, nebulosa e suja. A direção de arte de Dante Ferretti é estupenda e tem o poder de fazer a luz do dia parecer sinistra. A inocência, representada por um casal apaixonado (Jayne Wisener e Jamie Campbell Bower), cujo romance é platônico, não possui chances de concretização; é um truque do destino, algo para ser interrompido ou destruído.

A Sra. Lovett, uma cozinheira maquiavélica, é interpretada por Helena Bonham Carter, que a cada dia parece um fotocópia de Tim Burton, como uma bruxa do universo do diretor e mãe de seus filhos. Está bem no papel. Se o diretor possui um alter ego, ou pelo menos um ator que seja capaz de incorporar suas idéias nas telas, ele é representado por Johnny Depp. Como Sweeney, tendo seus cabelos desgrenhados e tingidos de branco e olhos pintados de negro, ele mais parece um avatar de fúria.

Cantando, sua voz é áspera e fina, mas de grande força. Traz o tom visceral de rock and roll para um idioma acostumado a um maior refinamento e, fazendo isso, desperta a violência das letras e canções de Sondheim. Muito próximo de qualquer outro filme de terror – o adolescente rejeitado pelos garotos, o homem decente cujo sofrimento foi desprezado – Sweeney surge como uma figura simpática.

No início, era um feliz marido e pai, até sua amada (Laura Michelle Kelly) tornar-se objeto de desejo de um juiz mau caráter (Alan Rickman), que exilou o pobre barbeiro para a Austrália. Anos depois, ele retorna para descobrir que sua filha, agora adolescente, está sob tutela do juiz.

Procurando suas antigas navalhas – “minhas amigas” – sob as tábuas do chão da antiga barbearia, Sweeney monta uma armadilha para o juiz - um projeto que requer o assassinato de muitos clientes ao longo do caminho. “Nunca sentirão a falta deles”, canta a Sra. Lovett. O olhar de Sweeney é duro, quase de um genocida. “Eles merecem morrer”, ele diz, contemplando a cidade sobre os telhados das casas.

E, o diretor, descreve essas mortes cruelmente. Os jatos de sangue podem parecer artificiais, mas quando os corpos deslizam da cadeira do barbeiro abaixo, em direção ao porão, amontoam-se com realidade doentia – estamos assistindo a pessoas virando alimento.

Pode parecer estranho elogiar um filme de tamanha selvageria. Entretanto, é um filme que não passa despercebido – ouso dizer que dificilmente pode ser esquecido e, mesmo sendo, vai ser relembrado no futuro. A força de “Sweeney Todd” está, sobretudo, na sua recusa em fazer qualquer tipo de concessão sentimental. Desde do desejo do diretor em ressaltar os pontos mais chocantes da história, até seu mais lúgubre final.

“Sweeney Todd” é uma fábula sobre o mundo no qual toda a possibilidade de justiça foi amputada e substituída - de um lado, por um poder fútil e arbitrário e, de outro, por um desejo furioso por justiça que rapidamente se torna loucura.

Pode haver um fio de esperança no final de tudo, mas em nenhum momento consegue-se perceber isso na telona. O que se assiste é tão negro quanto um túmulo. O que se ouve – uma maravilhosa trilha musical –, é igualmente infernal; contudo, o conjunto da obra é celestial.



"Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street)
2007 – EUA - 116 min. – Colorido – DRAMA/MUSICAL
Direção: TIM BURTON. Roteiro: JOHN LOGAN, baseado no musical de STEPHEN SONDHEIM E HUGH WHEELER, com adaptação de CHRISTOPHER BOND. Fotografia: DARIUSZ WOLSKI. Montagem: CHRIS LEBENZON. Música: STEPHEN SONDHEIM. Produção: RICHARD D. ZANUCK, distribuído pela DreamWorks Pictures e Warner Bros. Pictures.

Elenco: JOHNNY DEPP (Sweeney Todd) HELENA BONHAM CARTER(Sra. Lovett), ALAN RICKMAN (Juiz Turpin), TIMOTHY SPALL (Beadle), SACHA BARON COHEN(Pirelli), JAMIE CAMPBELL BOWER (Anthony), LAURA MICHELLE KELLY (Pedinte), JAYNE WISENER (Johana) e ED SANDERS (Toby).

Prêmios:
Oscar de Melhor Direção de Arte (Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo)/2008
Globo de Ouro de Melhor Filme - Musical ou Comédia/2008
Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Musical ou Comédia (Johnny Depp)/2008
National Board of Review - Melhor Diretor (Tim Burton)/2007

Trailer Original:


Do mesmo diretor:



Ed Wood