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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CONFISSÕES À MEIA-NOITE

“Já tive ressacas antes. Mas, desta vez, até meus cabelos doem.”


Nada como uma linha telefônica dividida para unir Rock Hudson e Doris Day nesta comédia romântica bastante divertida. “Confissões à Meia-Noite” usa este artifício para mostrar a relação entre dois vizinhos. Essa união é um pouco ambígua e atrapalhada, pois a ligação que a linha telefônica faz aqui é de trazer muita dor de cabeça e antipatia entre o casal. Doris Day, que interpreta Jan Morrow, uma decoradora de interiores e Rock Hudson, Brad Allen, um bem-sucedido compositor de Nova York, inicialmente insultam-se pelo telefone, sem se conhecerem. Jan fica indignada a cada vez que necessita usar o fone para algum compromisso e depara-se com a linha cruzada de Brad com alguma de suas namoradas. Em contrapartida, ele odeia quando ela o interrompe, parecendo estar invejosa, como se fosse uma velha ranzinza.São essas cenas as mais divertidas do filme, nas quais Brad canta uma mesma música em diversos idiomas – cada namorada dele tem uma nacionalidade.
No momento em que o compositor tem um contato de verdade com Jan e percebe o quanto fazia uma idéia errada de como ela era, o elo amoroso então começa e o telefone e a abordagem de Brad, que então se apresenta para Jan como Rex - um texano - ajudam a desenvolver o romance entre os dois.

É de fato o roteiro ágil e esperto que Robert Shapiro e Maurice Richlin prepararam com base na história de Russell Rouse e Clarence Greene que colabora muito para o enredo e leveza do filme. Os diálogos são inteligentes e engraçados e o elenco de coadjuvantes bem afinado. O uso freqüente das telas bipartidas tornam essa aventura romântica, leve e apropriada - não é a toa que fez e ainda faz bastante sucesso nas sessões de cinema à tarde. Filmado em CinemaScope, o diretor Michael Gordon e todo o elenco devem ter se deliciado bastante.

Toda essa diversão é transmitida ao público de forma fluida e fácil, através de situações e cenas divertidas. Rock Hudson, na pele do compositor cortejando uma garota, enganando-a, fingindo ser um texano da mais alta índole e comportamento está impagável. “Você me dá um sentimento caloroso e verdadeiro, como uma lareira numa fria manhã”, diz ele a Doris Day.

Qual garota não resistiria a essa investida? Bem, talvez não a espevitada e ferina Jan, bem interpretada por Doris, que possui uma maneira bacana de revidar uma investida masculina. Sua raiva são bem “classudas” e suas decepções com Brad são graciosas, mas também assemelham-se em certos momentos a um passeio de montanha russa. Como de costume, Doris Day também canta, porém, bem menos do que em outros filmes. E, quando acontece, o faz de forma sempre agradável. Perry Blackwell também canta duas canções.

Como coadjuvantes estão a formidável Thelma Ritter, como a empregada alcoólatra de Jan Morrow, e Tony Randall, como um milionário aspirante ao amor de Doris Day e também amigo de Rock Hudson. Você já imagina o que pode dar esse triângulo amoroso? Nick Adams como Tony está muito bem e quase rouba uma seqüência de Doris Day. Marcel Dallio, Allen Jenkins e Lee Patrick estão engraçados em diversas outras cenas. O colorido do CinemaScope e as músicas completam esse filme divertido e bacana, que situa-se numa bela e bem fotografada Nova Iorque. Ponto para a Universal.



Confidências à Meia-Noite (Pillow Talk)
1959 – EUA - 101 min. – Colorido – COMÉDIA
Direção: MICHAEL GORDON. Roteiro: STANLEY SHAPIRO E MAURICE RICHLIN, baseado na história de RUSSEL ROUSE E CLARENCE GREENE. Fotografia: ARTHUR E. ARLING. Montagem: MILTON CARRUTH. Música: FRANK DE VOL. Produção: ROSS HUNTER E MARTIN MELCHER, distribuído pela UNIVERSAL-INTERNATIONAL.

Elenco: ROCK HUDSON( Brad Allen/Rex Stetson), DORIS DAY (Jan Morrow), TONY RANDALL (Jonathan Forbes), THELMA RITTER (Alma), NICK ADAMS (Tony), JULIA MEADE (Marie), ALLEN JENKINS (Harry), MARCEL DALIO (Pierot), LEE PATRICK (Sra. Walters), MARY McCARTY (Enfermeira Resnick) , ALEX GERRY (Dr. Maxwell) , HAYDEN RORKE (Sr. Conrad) e VALERIE ALLEN (Eileen).



Cenas do filme:


Assista também:





Ardida Como Pimenta

sábado, 25 de outubro de 2008

A BELA ADORMECIDA

“Mas quando eu a verei novamente?”


Assisti ao novo DVD de A Bela Adormecida e fiquei impressionado. A nova “roupagem” dada ao desenho da Disney enche os olhos. O colorido ganha novos tons e tem-se a impressão de que os mesmos saltam da tela. Foi de fato uma decisão muito apropriada esse relançamento, uma vez que “A Bela Adormecida” foi de fato um produto de tecnologia em alta definição no seu tempo, filmado em Super Technirama, que deram aos 70 mm um aspecto visual mais amplo que o do Cinerama.Também foi, talvez, o ultimo filme da Disney a ser colorizado artesanalmente em células de animação, e não transferidos, através de fotocopias utilizando-se desenhos e gravuras dos animadores. Dali em diante, os elementos artesanais – coloração desbalanceada, linhas quebradas e mesmo a ocasional impressão digital engordurada – desapareceriam do universo da Disney para sempre.

De acordo com os créditos, esta “A Bela Adormecida” foi inspirada na versão do conto de Charles Perrault de 1697, como outros elementos narrativos retirados do balé russo de 1889, musicado por Tchaikovsky. Mas, também, é um filme de seu tempo, com temas de romantismo juvenil e rebeldia inspirados na adolescência emergente do final dos anos 50. O filme nos dá a princesa Aurora – cujo longo loiro – faz-nos lembrar das famosas bonecas de meninas Barbie (que na verdade, pasmem, também foi criada em 1959) ou então a personagem Gidget de Sandra Dee.

Quando Aurora (Mary Costa) encontra o Príncipe Felipe (Bill Shirley) num caramanchão habitado por animaizinhos “humanizados” (que parecem pertencer a um período anterior de animação da Disney), apaixonam-se instanteneamente e, separam-se. O pai de Felipe cede imediatamente ao desejo do rapaz em casar-se com a garota.

Mas, para superar as objeções de Malévola (Eleanor Audley), a feiticeira do mal (que tem a figura maternal) opõe-se mais fortemente. Transforma-se em um dragão – “Agora você terá que lidar comigo, Principe, e com os poderes do mal!” — e inicia uma batalha com Felipe, que atinge o clímax mostrando todo o esplendor de animação do filme.

Sonorizado em 6 canais, “A Bela Adormecida” foi lançado em 1959, como resultado de um trabalho de mais de 8 anos e, orçado em US$ 6 milhões, o filme significou um grande êxito no nível de Pinocchio (1940) e Fantasia (1940). Os animadores haviam afundado nos anos 50 com animações de poucos recursos e pouco ambiciosos, como “Alice no País das Maravilhas” (1951) e “Peter Pan” (1953).

Para o público à época da estréia nas telas, o filme foi considerado demasiadamente imponente e frio. Repreendido pela crítica em função de seus personagens genéricos e relativo falta de calor e humor, “A Bela Adormecida” obteve nas bilheterias metade do que se esperava e antecipou uma nova era de austeridade nos estúdios de seu criador.

A animação da Disney voltou-se para formatos de pequena escala e sitcom, como por exemplo, “101 Dálmatas” (1961). Desta forma, “A Bela Adormecida” ficou sendo o último desenho animado do estúdio baseado em conto de fadas, até a adaptação de “A Pequena Sereia” (1989).

O DvD tem um monte de extras. Para nos cinefilos, há um excelente comentário com John Lasseter, da Pixar; o critico Leonard Maltin e o animador da Disney, Andreas Deja; o making of com cerca de 45 minutos; um especial “The Peter Tchaikovsky Story”, feito especialmente para a TV, em 1959 e o documentário curta-metragem premiado “Grand Canyon”.

Para os pequeninos, há o vídeo com a música “Once Upon a Dream , interpretada por Emily Osment ; também, uma penca de jogos, um tour da Bela Adormecida pela Disneylândia e outras atrações. Se você for fã da Disney em seus tempos áureos, como eu, não perca.



"A Bela Adormecida" (The Sleeping Beauty)
1959 – EUA - 75 min. – Colorido – DESENHO ANIMADO
Direção: CLYDE GERONIMI. Roteiro: JOE RINALDI, WINSTON HIBLER, BILL PEET, TED SEARS, RALPH WRIGHT E MILT BANTA, baseada na estória de CHARLES PERRAULT. Efeitos Especiais: DORSE A. LANPHER. Fotografia/Câmera: ROBERT ANDERSON. Animação: HAL AMBRO. Montagem: ROY M. BREWER JR. E DONALD HALLIDAY. Música: GEORGE BRUNS. Produção: WALT DISNEY; distribuído pela WALT DISNEY.

Vozes: MARY COSTA (Aurora) BILL SHIRLEY (Príncipe Felipe), ELEANOR AUDLEY (voz da Malévola), VERNA FELTON (Flora), BARBARA LUDDY (Merryweather), BARBARA JO ALLEN (Fauna), TAYLOR HOLMES (Stefan) e BILL THOMPSON (Hubert).


Cenas do Filme:



Do mesmo diretor:




Branca de Neve e os 7 Anões