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segunda-feira, 26 de abril de 2010

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

" Cortem as cabeças.”

Depois de cortar várias gargantas em Sweeney Todd (2007), ele imaginou que poderia decepar algumas cabeças. Qualquer que tenha sido sua inspiração, o ritmo do filme é um mix de lentidão, com momentos de bastante ação. Após uma breve passagem pela sua infância, vemos uma Alice na adolescência, prestes a ser “convidada” a noivar com um dandy prá lá de esquisito – o que ela, de cara, rechaça. Daí, sua escapada, a queda no buraco e sua “viagem”. Sempre com seu viés lúgubre, não é parecido com nenhuma versão de Alice, muito menos também daquela da mesma Disney, de 1951 (que fracassou à época). Alice, de Burton, não tem muita personalidade - parece um rapaz e não uma garota, no meio de uma série de personagens engraçados. Em alguns momentos , parece que ela deixou o pulso firme que tinha na história original “lá em cima”, antes de cair no buraco do coelho da imaginação do diretor. No original de Carroll, era evidente que ela viajava no mundo de maravilhas, ou seja, ela era a própria dona de sua imaginação. Neste filme, ela serve na maior parte do tempo como elo para os demais personagens, inclusive o Chapeleiro Louco, interpretado por Johnny Depp.

Todo o testamento lisérgico de Carroll - o nonsene e até os aspectos delicados e pensamentos não tão puros que teriam inspirado o trabalho do escritor – não é mostrado com tanta fluidez pela roteirista Linda Woolverton que buscou, ao que parece, dar um fundo psicológico na história pregressa do personagem. Embora a narrativa não flua tanto, Alice possui momentos em que o delírio do diretor faz o filme voar sustentando-o até o fim. As cores são vivas, embora alguns tons metálicos remetam a Sweeney Todd. Há lguns momentos fúnebres na jornada de Alice, quando ela, rumo ao castelo, tem que pisar em cabeças flutuantes no lago, como se fossem de pedra.

A RAinha Vermelha é uma bruxa. Inspirada claramente em Bette Davis – como Elizabeth I-, reconfigurada como uma boneca cabeçuda. Helena Bonham Carter brilha.Conseguimos ver em sua rainha megera uma menina mimada, porém cruel, e uma mulher ferida e mal amada. Ela é a melhor coisa do filme. O seu bordão “off with his head” que brada a sua guarda toda vez que se acha contrariada ou traída ficará marcado por muito tempo. O filme ainda conta com Crispin Glover, o valete Stayne, e com Anne Hathaway, como a Rainha Branca – essa um pouco exagerada. Mas há mais, incluindo Timothy Spall, Alan Rickman e Imelda Stanton.

Tim Burton sempre se fixa nos detalhes. Quem não percebeu o coração perfeitamente desenhado na boca da Rainha de Copas, por exemplo? Por outro lado, enquanto procurou ser perfeccionista nisso, deixou um pouco de lado algumas outras situações. A cena de batalha não é tão empolgante. Talvez porque no original, nunca tenha existido.

Johnny Depp está bem e a cena do chá é engraçada, embora ache que a caracterização de seu Chapeleiro Louco esteja exagerada. Parece uma máscara kabuki ou o Joker, de Heath Ledger.

No fundo, acho que a heroína de Tim Burton tem o mundo de maravilhas em suas costas, e a atriz Wasikowska, que é humana, fica deslocada no meio a tantas imagens geradas digitalmente. A história não é impossível de ser transposta para as telas. A versão do checo Jan Svankmajer, de 1988, soube dosar bem realidade e fantasia. Um pouco injustiçado nas criticas atuais, é difícil de saber o porquê desta Alice não ter empolgado como deveria. Talvez o próprio Burton não estivesse tão engajado como em suas obras anteriores. De qualquer forma, o filme é bonito, e me agradou particularmente.



Alice No País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
2010 – EUA - 108 min. – Colorido – FANTASIA
Direção: TIM BURTON. Roteiro: LINDA WOOLVERTON. Fotografia: DARIUSZ WOLSKI. Montagem: CHRIS LEBENZON. Música: DANNY ELFMAN. Produção: RICHARD D. ZANUCK, distribuído pela WALT DISNEY PICTURES.

Elenco: JOHNNY DEPP (Chapeleiro Louco), MIA WASIKOWSKA (Alice), ANNE HATHAWAY (Rainha Branca), HELENA BONHAM CARTER (Rainha Vermelha), CRISPIN GLOVER (Stayne), MATT LUCAS (Tweedledee/Tweedledum), ALAN RICKMAN (Absolem, a Lagarta), TIMOTHY SPALL (Bayard) e IMELDA STAUNTON (Flor).


Trailer Original:



Assista também:



Sweeney Todd

sábado, 25 de outubro de 2008

A BELA ADORMECIDA

“Mas quando eu a verei novamente?”


Assisti ao novo DVD de A Bela Adormecida e fiquei impressionado. A nova “roupagem” dada ao desenho da Disney enche os olhos. O colorido ganha novos tons e tem-se a impressão de que os mesmos saltam da tela. Foi de fato uma decisão muito apropriada esse relançamento, uma vez que “A Bela Adormecida” foi de fato um produto de tecnologia em alta definição no seu tempo, filmado em Super Technirama, que deram aos 70 mm um aspecto visual mais amplo que o do Cinerama.Também foi, talvez, o ultimo filme da Disney a ser colorizado artesanalmente em células de animação, e não transferidos, através de fotocopias utilizando-se desenhos e gravuras dos animadores. Dali em diante, os elementos artesanais – coloração desbalanceada, linhas quebradas e mesmo a ocasional impressão digital engordurada – desapareceriam do universo da Disney para sempre.

De acordo com os créditos, esta “A Bela Adormecida” foi inspirada na versão do conto de Charles Perrault de 1697, como outros elementos narrativos retirados do balé russo de 1889, musicado por Tchaikovsky. Mas, também, é um filme de seu tempo, com temas de romantismo juvenil e rebeldia inspirados na adolescência emergente do final dos anos 50. O filme nos dá a princesa Aurora – cujo longo loiro – faz-nos lembrar das famosas bonecas de meninas Barbie (que na verdade, pasmem, também foi criada em 1959) ou então a personagem Gidget de Sandra Dee.

Quando Aurora (Mary Costa) encontra o Príncipe Felipe (Bill Shirley) num caramanchão habitado por animaizinhos “humanizados” (que parecem pertencer a um período anterior de animação da Disney), apaixonam-se instanteneamente e, separam-se. O pai de Felipe cede imediatamente ao desejo do rapaz em casar-se com a garota.

Mas, para superar as objeções de Malévola (Eleanor Audley), a feiticeira do mal (que tem a figura maternal) opõe-se mais fortemente. Transforma-se em um dragão – “Agora você terá que lidar comigo, Principe, e com os poderes do mal!” — e inicia uma batalha com Felipe, que atinge o clímax mostrando todo o esplendor de animação do filme.

Sonorizado em 6 canais, “A Bela Adormecida” foi lançado em 1959, como resultado de um trabalho de mais de 8 anos e, orçado em US$ 6 milhões, o filme significou um grande êxito no nível de Pinocchio (1940) e Fantasia (1940). Os animadores haviam afundado nos anos 50 com animações de poucos recursos e pouco ambiciosos, como “Alice no País das Maravilhas” (1951) e “Peter Pan” (1953).

Para o público à época da estréia nas telas, o filme foi considerado demasiadamente imponente e frio. Repreendido pela crítica em função de seus personagens genéricos e relativo falta de calor e humor, “A Bela Adormecida” obteve nas bilheterias metade do que se esperava e antecipou uma nova era de austeridade nos estúdios de seu criador.

A animação da Disney voltou-se para formatos de pequena escala e sitcom, como por exemplo, “101 Dálmatas” (1961). Desta forma, “A Bela Adormecida” ficou sendo o último desenho animado do estúdio baseado em conto de fadas, até a adaptação de “A Pequena Sereia” (1989).

O DvD tem um monte de extras. Para nos cinefilos, há um excelente comentário com John Lasseter, da Pixar; o critico Leonard Maltin e o animador da Disney, Andreas Deja; o making of com cerca de 45 minutos; um especial “The Peter Tchaikovsky Story”, feito especialmente para a TV, em 1959 e o documentário curta-metragem premiado “Grand Canyon”.

Para os pequeninos, há o vídeo com a música “Once Upon a Dream , interpretada por Emily Osment ; também, uma penca de jogos, um tour da Bela Adormecida pela Disneylândia e outras atrações. Se você for fã da Disney em seus tempos áureos, como eu, não perca.



"A Bela Adormecida" (The Sleeping Beauty)
1959 – EUA - 75 min. – Colorido – DESENHO ANIMADO
Direção: CLYDE GERONIMI. Roteiro: JOE RINALDI, WINSTON HIBLER, BILL PEET, TED SEARS, RALPH WRIGHT E MILT BANTA, baseada na estória de CHARLES PERRAULT. Efeitos Especiais: DORSE A. LANPHER. Fotografia/Câmera: ROBERT ANDERSON. Animação: HAL AMBRO. Montagem: ROY M. BREWER JR. E DONALD HALLIDAY. Música: GEORGE BRUNS. Produção: WALT DISNEY; distribuído pela WALT DISNEY.

Vozes: MARY COSTA (Aurora) BILL SHIRLEY (Príncipe Felipe), ELEANOR AUDLEY (voz da Malévola), VERNA FELTON (Flora), BARBARA LUDDY (Merryweather), BARBARA JO ALLEN (Fauna), TAYLOR HOLMES (Stefan) e BILL THOMPSON (Hubert).


Cenas do Filme:



Do mesmo diretor:




Branca de Neve e os 7 Anões