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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O FEITIÇO DE ÁQUILA

“Eu te amo! Eu te amo!”


No século XIII, em algum lugar entre Navarre e Anjou, existia uma cidade chamada de Áquila, comandada por um bispo maligno, que havia se apaixonado por uma linda mulher chamada Isabeau (Michelle Pfeiffer). Entretanto, Isabeau amava Etienne (Rutger Hauer), o capitão da guarda do bispo. Quando esse descobre a paixão entre o casal, vende sua alma ao diabo, em troca de que uma maldição recaia sobre os amantes. Desse momento em diante, Isabeau toma a forma de um falcão durante o dia, enquanto Etienne transforma-se em lobo. Ela retoma sua forma humana ao anoitecer; ele, ao anoitecer. Somente no exato limiar entre o pôr do sol e a aurora, eles conseguem de relance vislumbrar o que tiveram no passado. Exilado pelo bispo, vive a cavalgando pelos campos em seu belo corcel negro, com seu falcão (Isabeau) nos ombros, cumprindo-se o que os roteiristas do filme fixaram como a sina do casal: "Sempre juntos, sempre separados”.

“O Feitiço de Áquila” é um belo filme passado na Era Medieval. Parece que custou milhões, mas provavelmente seu custo foi bem inferior do que aparenta. Filmado no norte da Itália através das lentes inspiradas do grande Vittorio Storaro - ganhador do Oscar por “Apocalypse Now” e “Reds” - “O Feitiço de Áquila” enche as telas com belas paisagens e castelos em tonalidades sépia avermelhadas, parecendo envelhecidas. Entretanto, parece-nos um tanto quanto moderno demais para a era que retrata.

Richard Donner, o mesmo diretor de "Superman - O Filme" e os três roteiristas (Edward Khmara, Michael Thomas e Tom Mankiewicz) parecem não ter tido a coragem de contar a história em detalhes – o que é uma pena – pois haveria muito mais a ser dito. O filme possui um bom elenco. Além dos protagonistas, John Wood no papel de um bispo obcecado e Matthew Broderick, como um jovem ladrão (mas bom rapaz) e melhor amigo de Etienne, estão em perfeita sintonia. Todos sem exceção conseguem interpretar seus personagens de forma coerente e firme, conforme o figurino, apesar da falta de poesia ao roteiro.

Matthew Broderick apesar da posterior carreira irregular, mostrava já naquela época que possuía calibre para ser um dos melhores atores da sua geração. Desenvolve seu personagem Phillipe com picardia e graça e, embora algumas de suas piadas nunca pudessem fazer parte de um dia a dia da época – o que é um perigo – ele segura a peteca com inteligência e humor.

O camp Rutger Hauer apesar de ser um cavaleiro rústico, dá pinceladas de requinte ao seu personagem amargurado e perdido e Michelle Pfeiffer, uma das mais belas atrizes da década de 80-90, mostra o porquê vale a pena ser amaldiçoado eternamente. Sua presença – sexy e tremendamente sensual – ilumina tanto a tela que, mesmo quando é representada por um falcão tem-se a sensação de que ainda permanece em cena. John Wood está suficientemente majestoso e maléfico como o bispo e Leo McKern, que interpreta um pároco bêbado – originalmente o responsável pela situação do casal – preenche a tela com estilo.

O diretor deve ter tido dificuldades em coordenar os vários elementos em cena. Seja quando Etienne, ao pôr-do-sol, corre rapidamente pela floresta retirando uma vestimenta que obviamente um lobo não teria; seja quando o falcão transforma-se em Isabeau e surge completamente vestida, embora, na maior parte do tempo, não há nenhuma indumentária feminina à mão.

Cenas de aventura e de forte impacto e esplendor visuais - em particular quando a ave de rapina em vôo rasante sobre um lago, toca as pontas das asas na água – são intercaladas com outras tomadas banais. É o caso em que, num dado momento, no clímax final, uma batalha na catedral de Áquila, Etienne ao reencontrar Isabeau faz o seguinte comentário: “Você cortou seu cabelo”. Apesar deste e outros nonsenses, o filme é belo e muito bem dirigido.




"O Feitiço de Áquila" (Ladyhawke)
1985 – EUA – 121 min. – Colorido – FANTASIA
Direção: RICHARD DONNER. Roteiro: EDWARD KHMARA, MICHAEL THOMAS E TOM MANKIEWICZ, do argumento de EDWARD KHMARA . Fotografia: VITTORIO STORARO. Montagem: STUART BAIRD. Música: ANDREW POWELL. Produção: RICHARD DONNER E LAUREN SHULER, distribuído pela WARNER BROS.

Elenco:
MATTHEW BRODERICK (Phillipe Gaston) RUTGER HAUER (Capitão Etienne Navarre), MICHELLE PFEIFFER (Isabeau D´Anjou), LEO MCKERN (Imperius), JOHN WOOD (Bispo de Áquila), KEN HUTCHINSON (Marquet), ALFRED MOLINA (Cezar) , GIANCARLO PRETE (Fornac), LORIS LODDI (Jehan) e ALESSANDRO SERRA (Sr. Pitou).



Cenas do Filme:


Assista também:



Superman - O Filme

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

SORTILÉGIO DE AMOR

“Ela usou um gato.”


É comum vermos em filmes lindas garotas enfeitiçando rapazes, seja através de olhares, jeito de falar, de andar, etc. Em “Sortilégio de Amor”, esse feitiço ocorre literalmente, quando Gillian “Gil” Holroyd (Kim Novak), linda como sempre, encanta um homem, Shepherd “Shep” Henderson (James Stewart), fazendo com que ele se apaixone por ela. O tema pode parecer tolo e banal. Porém, o roteirista Daniel Taradash transformou a peça de John van Druten em um conto de fadas urbano. Desde o atelier da heroína, uma espécie de marchand de arte primitiva, até o esfumaçante bar noturno em Greenwich Village, onde os feiticeiros locais e seus aprendizes tocam, tudo é divertido, com visual vÍvido e sugestivo.

Mérito deve ser dado ao diretor de arte Cary Odell, que dá cores especiais devido à própria necessidade imposta pelos próprios cenários do filme; o consultor especial de matizes, Eliot Elisoforn, e o diretor de fotografia, James Wong Howe, juntos, conseguem fazer com que fiquemos hipnotizados.

Para se ter uma idéia, eles sugerem como as coisas acontecem sob a ótica dos olhos do gato de estimação da feiticeira, saturando as imagens na câmera em um tom azul escuro melancólico. E o que conseguem fazer com as tomadas nas ruas de Nova Iorque é mágico. Graças a eles, Kim Novak, como a provocante e sedutora jovem que possui poderes de feiticeira, parece bem mais convincente em sua atuação. James Stewart é o ator de sempre e, envelhecido como par da estonteante Kim, faz o papel do editor que ela fisga.

Jack Lemmon, como um bruxo ou irmão de Gillian, Nick Holroyd, está um pouco afetado. Elsa Lanchester (Queenie Holroyd) e Hermione Gingold (Bianca de Passe) interpretam de forma muito engraçada uma dupla de velhas inescrupulosas, e Ernie Kovacs (Sidney Redlitch) retrata um escritor com ar desajeitado e maltrapilho como se estivesse tentando invocar Maxim Gorky para o filme.

"Sortilégio de Amor” é um feitiço brando, mas chega perto de parecer magia.



"Sortilégio de Amor" (Bell, BooK and Candle)
1958 – EUA - 106 min. – Colorido – COMÉDIA
Direção: RICHARD QUINE. Roteiro: DANIEL TARADASH, baseado na peça homômina de JOHN VAN DRUTEN. Fotografia: JAMES WONG HOWE. Montagem: CHARLES NELSON. Música: GEORGE DUNING. Produção: JULIAN BLAUSTEIN, para a COLUMBIA PICTURES.


Elenco:
JAMES STEWART (Shepard Henderson), KIM NOVAK ( Gillian Holroyd), JACK LEMMON (Nicky Holroyd), ERNIE KOVACS (Sidney Redlitch), HERMIONE GINGOLD (Bianca de Passe), ELSA LANCHESTER (Queenie Holroyd), JANICE RULE (Merle Kittridge), PHILLIPE CLAY (cantor francês), BEK NELSON (secretária), HOWARD McNEAR (Andy White) e THE BROTHERS CANDOLL (músicos).


Cenas do Filme:



Do mesmo diretor:



O Mundo de Susie Wong