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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ARRASTE-ME PARA O INFERNO

“Ajude-me! Ajude-me, por favor!”


O filme mostra Christine (Alison Lohman), uma boa moça, que trabalha no setor de empréstimos bancários e pretendente ao cargo de assistente de gerente num estabelecimento bancário na Califórnia. Ambiciosa e louca para provar ao seu chefe, Jim Jacks (David Paymer), que merece a promoção – mais que seu “rival” colega de trabalho Stu Rubin (Reggie Lee) - Christine nega a extensão de hipoteca para uma senhora cega e com unhas sujas amareladas, que mais parece uma bruxa ou cigana – interpretada de forma bem nojenta por Lorna Raver. Ao sair do trabalho, no estacionamento, a idosa expressa seu descontentamento e roga uma praga na moça, não antes de travar uma luta física em que dentaduras voam por todo lado. O carro da anciã faz lembrar, além do automóvel presente em filme anterior do diretor, aquele do filme “Christine, O Carro Assassino” (83), de John Carpenter – coincidência?

Essa amostra do que se desenrola do filme é apresentada de forma cartunesca e, por vezes, engraçada, sem deixar de causar sustos ou nojo. Esse é um trunfo do filme, que consegue ser tenebroso, porém hilário em diversos momentos. Mérito do diretor Sam Raimi, que já havia provado essa habilidade em seu filme de estréia, “A Morte do Demônio” (81).

Tentando livrar-se da maldição que lhe foi rogada, Christine gasta o restante do filme degladiando-se com um espírito maligno que a persegue e lidando com a preocupação de seu namorado Clayton (Justin Long), um professor, em ajudá-la nesse calvário pessoal.

À medida que Christine vai ficando obstinada, o diretor vai ilustrando essa passagem com cenas que vão desde o desastroso jantar em conhece os pais de Clayton, até uma sessão demoníaca de exorcismo, com direito a pirotecnias - mas sem o uso de muitos recursos de computação gráfica.

“Arraste-me para o Inferno” é agil, vertiginoso, hilário e assustador. Lembra a série “Contos da Cripta” (72) e, com certeza, o final mostra que esta será a primeira de outras seqüências que devem vir por aí. Nem seres humanos nem animais estão livres dessa quase-carnificina, que é orquestrada pelo maestro Sam Raimi, com roteiro de seu irmao Ivan Raimi, que assina os créditos.

Assim como na saga Homem-Aranha, Sam Raimi revela um dom de lidar com o humano e o fantástico, com certa dose de romance no meio de terror e vingança. Creio que seu talento seja maior que isso, mas esse é um bom exemplo. Filme com pedigree.



Arraste-me Para O Inferno (Drag Me To Hell)
2009 – EUA - 99 min. – Colorido – TERROR
Direção: SAM RAIMI. Roteiro: SAM RAIMI E IVAN RAIMI. Fotografia: PETER DEMING. Montagem: BOB MURAWSKI. Música: CHRISTOPHER YOUNG. Produção: ROB RAPERT E GRANT CURTIS, para a UNIVERSAL PICTURES.

Elenco: ALISON LOHMAN ( Christine Brown), JUSTIN LONG (Clay Dalton), LORNA RAVER (Sylvia Ganush), DILEEP HAO (Rham Jas) , DAVID PAYMER (Jim Jacks), ADRIANA BARRAZA (Shaun San Dena), CHELCIE ROSS (Leonard Dalton), REGGIE LEE (Stu Rubin), MOLLY CHEEK (Trudy Dalton), BOJANA NOVAKOVIC (Ilenka Ganush) e KEVIN FOSTER (Milos) .



Cenas do filme:


Assista também:





The Evil Dead

quinta-feira, 4 de junho de 2009

MORRE ATOR DE KILL BILL


David Carradine, o astro de televisão da série de TV dos anos 70, “Kung Fu” e o vilão do título dos filmes da saga “Kill Bill”, foi encontrado morto na Tailândia. A embaixada norte-americana em Bangkok disse que o ator foi achado na suíte de um hotel, naquela cidade, onde estava trabalhando em um filme. Ele tinha 72 anos. David Carradine após uma breve participação no personagem título em 1966 de uma adaptação do faroeste “Shane” alcançou o estrelato em 1972, como o Kwai Chang Caine, um viajante criado por monges Shaolin para tornar-se um mestre em artes marciais. Sua carreira revigorou nos últimos anos quando foi convidado para estrelar o Bill, no filme de Tarantino Kill Bill Vol. 1 e Vol.2. Leia mais. Terra .

segunda-feira, 25 de maio de 2009

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

“Você não é um animal, Logan".


O bravo e sarcástico Wolverine agora surge no episódio “ X-Men Origens: Wolverine”, de forma a explicar seu passado e porque o cara é intrigante e incomum. Em determinada cena, ele se diz canadense. Com isso, não fica muito clara sua participação na Guerra Civil Americana, assim como também o fato dele parecer um inglês que passa o verão durante a infância em Indiana, nos Estados Unidos. Outro ponto é que, até então, não se sabia que Logan tinha um irmão. Victor Creed, melhor conhecido (não neste filme) como Dente-de-Sabre, o vilão que num dado momento era tido como o pai de Wolverine, é na verdade seu irmão. Ficamos sabendo isso, graças à confusa seqüência de abertura, na qual a troca de paternidade nos remete ao ano de 1845; entretanto, fica-se sem saber quando a tal troca teria ocorrido. Wolverine, ainda conhecido como James Logan, tem suas garras ainda feitas de osso e não de adamantium; abre a seqüência lutando numa série de batalhas (não em sua roupa de guerra), junto com Victor. Este, que tem suas unhas pontiagudas, é interpretado por Liev Schreiber.

Victor e James (tecnicamente, ele se torna Wolverine somente após os implantes de adamantium) são companheiros, depois inimigos mortais, e novamente amigos. Após a derrota na Guerra do Vietnã, James aposenta-se para as montanhas canadenses, onde ouve de sua namorada, Kayla (Lynn Collins), uma lenda que inspira seu nome. Antes disso, porém, alguns de seus ex- companheiros mutantes morrem - que, infelizmente, coincidência ou não – lembra o atual, e já esquecido, “Watchmen” (2009).

“Wolverine” é mais curto e menos pretensioso do que “Watchmen” (2009) mas tão esquecível quanto aquele, com um roteiro cheio de pontas, algumas inconsistências. Vingança é o motivo principal do filme e, como boa ferramenta, há uma conspiração militar/científica do governo chefiada pelo malvado Stryker (Danny Huston, de longe o melhor do filme).

A série de personagens secundários desfilam pelas cenas, a maior parte mutantes com poderes variados e de questionáveis chances de sucesso para a franquia Marvel. Ryan Reynolds, Taylor Kitsch e Will.i.am exibem-se e fazem o que podem, mas infelizmente não são capazes de compensar as ausências de, por exemplo, Halle Berry, Anna Paquin ou Ian Mckellen.

Acho que “X-Men Origens: Wolverine” vem tentar angariar alguns milhões de dólares, no embalo dos episódios anteriores, mas é a última evidência de que o superherói está sofrendo de uma séria e cansativa falta de imaginação. A reviravolta final, que dá ao pobre Wolverine um caso de amnésia – transformando-o num tipo de Jason Bourne com ferimentos — é uma admissão virtual de que nada terrivelmente interessante se aprendeu sobre o personagem. Ele esquece sua origem antes que o filme dedicado a tratar do assunto tenha terminado.



X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)
2009 – EUA - 107 min. – Colorido – AÇÃO
Direção: GAVIN HOOD. Roteiro: DAVID BENIOFF E SKIP WOODS. Fotografia: DONALD M. McALPINE. Montagem: NICOLAS DE TOTH E MEGAN GILL. Música: HARRY GREGSON-WILLIAMS. Produção: LAUREN SHULER DONNER, RALPH WINTER, HUGH JACKMAN E JJOHN PALERMO, distribuído pela 20th CENTURY FOX.

Elenco:
HUGH JACKMAN(Logan/Wolverine), LIVE SCHREIBER (Victor Creed), DANNY HUSTON (Stryker), WILL.I.AM (John Wraith), LYNN COLLINS (Kayla Silverfox), KEVIN DURAND (Fred Dukes), DOMINIC MONAGHAN (Bradley), TAYLOR KITSCH (Remy LeBeau), DANIEL HENNEY (Agente Zero) e RYAN REYNOLDS (Wade Wilson)



Cenas do filme:


Assista também:




X-Men

domingo, 12 de abril de 2009

A CEIA DOS ACUSADOS

“Garçom,sirva as castanhas”.


O filme trata do desaparecimento de um inventor (Edward Ellis), que se torna o principal suspeito de um assassinato. Sua filha Dorothy (Maureen O´Sullivan), recorre a um velho amigo, o ex-detetive Nick, agora um bon-vivant, interpretado por William Powell. Nick é casado com Nora (Myrna Loy). O casal, acompanhado pelo cadelinha de estimação Asta, forma um trio charmoso e hilariante. Isso tudo regado a doses de martinis e destilados que são a força-motriz do par central. Na solução do mistério do filme, deparamo-nos com um desfile de situações – a preocupação, claro, da filha do inventor; a ambição da ex-esposa do inventor (Minna Gombell), uma mulher insegura que vive financiando o amante que, por sua vez a engana com outra mulher; a ambição ainda maior da amante do inventor (Natalie Moorhead) e várias outras figuras, incluindo o advogado do inventor, o contador, o filho do inventor e outros vários bandidos, aprendizes de bandidos, policiais e repórteres, além do infindável elenco de festeiros e “bebuns” que surgem no apartamento dos protagonistas para beberem e se esbaldarem.

Baseado num roteiro de Dashiell Hammett – que escreveu o roteiro de “Relíquia Macabra” (41) – pode-se dizer que “A Cesta dos Acusados” é, na essência, um filme noir. Entretanto, é uma comédia que inclui mortos. O enredo é inverossímil, e o filme não faz questão que o mesmo seja totalmente compreendido. Nick parece absolutamente racional, e tem explicações para todos os eventos, embora a maior parte do tempo esteja sob efeito etílico. E isso é irônico, pois a polícia – cuja coerência deveria conduzir à lógica da investigação – é alienada.

Embora trate da solução de um mistério, “A Ceia dos Acusados” lida com o estilo de vida de uma sociedade muito específica. Pouco se sabe do par central. Nick havia sido um famoso detetive e, agora casado com a rica Nora, aposentou-se e trata dos negócios da família: “uma ferrovia de pequeno porte e um monte de outras coisas”. Ou seja, têm muito dinheiro e passam o tempo viajando, visitando velhos amigos, fazendo novas amizades e, sobretudo, bebendo o dia inteiro.

Para qualquer um, o casal é alcoólatra, mas não no filme, pois o efeito do álcool não lhes prejudica em nenhum momento. É um comportamento, como fumar, um ato que lhes ocupa as mãos, o dia-a-dia, para preencher as conversas e como desculpa para se movimentarem. Quando Nora surge com um saco de gelo na cabeça, por exemplo, mais parece uma palhaçada, do que uma ressaca.

Dick Powell e Myrna Loy funcionam extremamente bem. Ele faz de seu Nick um alcoólatra lírico, sem jamais cair na embriaguez. Apesar de passar uma imagem de decadência, Nick é brilhante. Seus drinques servem como combustível para diálogos inteligentes e elegantes – são maliciosos, sem caírem no lugar-comum e extremamente agradáveis.

Myrna Loy funciona como uma luva para Powell, porém o filme é dele. Domina cada cena, seus movimentos físicos desengonçados, seu pequeno bigode (que o faz parecer mais sério do que é na verdade). A cadela Asta (Skippy) também ficou famosa no cinema e se constitui em charme à parte, principalmente quando protege os olhos com a atinha, quando a situação fica difícil ou se sente envergonhada.

A direção de W.S. Dyke é segura. A produção parece barata, pois os cenários restringem-se a interiores simples, porém elegantes. A fotografia em preto-e-branco ressalta o figurino cotidiano e formal usado por um elenco de excelente aparência. Além de Powell, Myrna e Maureen O´Sullivan, reparem a presença de César Romero ainda jovem.

Para a época em que foi realizado, logo após a Depressão, esse tipo de filme deve ter servido de puro escapismo para os norte-americanos – gente bonita em ambientes luxuosos, falando bobagens o dia todo, sem se preocupar com o mundo. Uma situação em que até o crime é apenas um divertimento.

O filme teve quatro indicações ao Oscar (incluindo Melhor Filme) e quatro seqüências num período de 12 anos. Pena que não ganhou nenhum. Posteriormente, Powell foi indicado por “Irene, a teimosa” (36) e por “Nossa Vida com Papai” (47). Porém, nunca ganhou. Tampouco foi agraciado com um prêmio pelo conjunto da obra – embora a Academia já houvesse sido pressionada para tal. Assistir à “A Ceia dos Acusados” é ver esse grande ator encarnando um personagem nunca igualado. Neste filme, a máxima de que todo bêbado é chato, não se aplica. Imperdível.




"A Ceia dos Acusados" (The Thin Man)
1934 - EUA - 93 min. – Preto e Branco – COMÉDIA
Direção: W.S. VAN DYKE. Roteiro: ALBERT HACKETT E FRANCES GOODRICH, baseado na obra de DASHIELL HAMMETT. Fotografia: JAMES WONG HOWE. Montagem: ROBERT J. KERN. Música: WILLIAM AXT. Produção: JOHN BRABOURNE E ANTHONY HAVELOCK-ALLAN.


Elenco: WILLIAM POWELL (Nick) MYRNA LOY(Nora), MAUREEN O`SULLIVAN (Dorothy), NAT PENDLETON (Guild), MINNA GOMBELL (Mimi), PORTER HALL (MacCaulay), HENRY WADSWORTH (Tommy), WILLIAM HENRY (Gilbert), HAROLD HUBER (Nunheim), CESAR ROMERO (Chris), NATALIE MOORHEAD (Julia Wolf), EDWARD BROPHY (Morelli), EDWARD ELLIS (Wynant) e CYRIL THORNTON (Tanner).





Trailer Original:



Do mesmo diretor:



A Comédia dos Acusados

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

FANATISMO MACABRO

“Stephen?...Stephen? Ela está nesta casa, querido....”


O filme retrata uma frustrada atriz, Sra. Trefoile (Tallulah Bankhead), mergulhada em forte fundamentalismo religioso, que recebe a visita da ex-namorada de seu filho já morto. Fanática, ela tenta resgatar um vínculo do relacionamento que existiu entre seu filho Stephen e Patricia, interpretada por Stefanie Powers. Não concordando com os hábitos de vestir e de comportar-se da ”nora”, Sra. Trefoile busca purificá-la para o filho. Seguem-se sermões e discussões bíblicas, até que Patricia, percebendo os exageros da "sogra", tenta fugir. É o que basta para que Sra. Trefoile a torne sua prisioneira, com a ajuda da empregada Anna (Yootha Joyce), do marido desta (Peter Vaughn) e de um débil mental, protagonizado por Donald Sutherland.

Seguindo o que foi comum nos anos 60, quando grandes estrelas de décadas anteriores (Bette Davis, Joan Crawford e outras) enveredaram por produções de baixo orçamento – na maioria filmes de terror ou suspense - esta foi a vez de um tour de force de Tallulah. Sua intensidade dramática – embora em alguns momentos ela super representa -, tom vocal e trejeitos têm uma extensão que vai desde uma educada e polida senhora até uma maluca descontrolada.

Stefanie Powers interpreta uma Patricia à vezes deslocada, mas que duela de forma honesta com a grande atriz. O elenco britânico de coadjuvantes funciona bem, com destaque para Donald Sutherland, bastante convincente no papel de Joseph. Mas o show é de Tallulah que, quase sem artificios (maquiagem, e algumas vezes despenteada) mostra – com maneirismos, é verdade - a grande atriz que foi. Embora datado como a maioria dos filmes da Hammer, o filme garante bons momentos de suspense. Para ver e ter na prateleira.



Fanatismo Macabro (Fanatic)
1965 – INGLATERRA - 97 min. – Colorido – TERROR
Direção: SILVIO NARIZZANO. Roteiro: RICHARD MATHESON, baseado na obra “Nightmare” de ANNE BLAISDELL. Fotografia: ARTHUR IBBETSON. Montagem: JOHN DUNSFORD. Música: WILFRED JOSEPHS. Produção: ANTHONY HINDS, para a HAMMER, distribuído pela COLUMBIA.

Elenco: TALLULAH BANKHEAD(Sra. Trefoile), STEFANIE POWERS ( Patricia Carroll), PETER VAUGHN (Harry), MAURICE KAUFMANN (Alan Glentower), YOOTHA JOYCE (Anna), DONALD SUTHERLAND (Joseph), GWENDOLYN WATTS (Gloria), ROBERT DORNING (Ormsby), PHILIP GILBERT (Oscar), WINIFRED DENNIS (Lojista) e DIANA KING (Vendedora)



Cenas do filme:



Assista também:




Um Barco e Nove Destinos

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ROMEU E JULIETA

“Em seus lábios, expio meus pecados.”


“Romeu e Julieta” é um romance trágico que tem sido filmado à exaustão. Em 1936, foi estrelada uma versão com Norma Shearer e Leslie Howard. Os atores estavam com uma idade excessiva para interpretarem o par central. Outras versões mais modernas foram feitas: “Amor, Sublime Amor” (1961), de Robert Wise, que transpõe para Nova Iorque o romance em meio a uma briga entre gangues; “Inimigos pelo Destino” (1987), de Abel Ferrara, sobre um romance proibido entre uma jovem de Chinatown e um rapaz de Little Italy; também, “Romeu + Julieta” (1996), de Baz Luhrmann, sobre punks californianos em Verona Beach. Porém, é bem provável que por muitos anos a melhor versão para o cinema continue sendo esta de Franco Zefirelli. A começar pela escolha de atores adolescentes para interpretarem os personagens. Na obra de Shakespeare, Julieta deveria ter cerca de 14 anos e Romeu um puco mais. Olivia Hussey, argentina de 16 anos, foi escolhida através de uma pesquisa internacional. Leonard Whiting, inglês, tinha a idade de 17 anos.

Zefirelli foi criticado por haver suprimido parte da retórica predominante na peça; entretanto, foi uma decisão acertada, pois muito do que no palco precisa ser explicitado ou descrito, nas telas pode simplesmente ser mostrado. É o caso de Benvolio, que assiste ao funeral de Julieta e, portanto, não há a necessidade de descrevê-lo para Romeu que se encontrava exilado. O diretor manteve integralmente os elementos principais: a pureza da paixão do casal; a rusticidade da ama de Julieta; a estratégia bem intencionada de frei Lourenço, as diferenças ferrenhas entre os rapazes das duas familais rivais e a cruel ironia da dupla morte.

Olivia Huhssey e Leonard Whiting interpretam o papel de forma excepcional – pela estréia e pela complexidade que seus papeis exigiam. O próprio desconhecimento da riqueza do texto de Shakespeare contribuiiu para que a dupla naõ se intimidasse ao interpretá-los. Contribuem para a harmonia do filme a trilha sonora de Nino Rota e a estupenda fotografia de Pasqualino de Santis, premiada com o Oscar.

As duas cenas principais do filme são a do balcao e da cripta. Segundo o próprio Zefirelli, o sucesso do filme dependia dessas tomadas. E ele estava certo. Por esta razão a película foi um hit à época de seu lançamento. Filmado num período em que o mundo enfrentava diversas crises políticas, a película foi um sucesso entre jovens que estavam cansados de conflitos e guerras. O diretor ousou em mostrar o casal despertando na cama de Julieta (algo que os puristas devem ter torcido o nariz).

Na verdade, Zefirelli nada mais fez do que tornar explicito algo que estava nas entrelinhas da obra original. Porque não faria sentido os jovens consumarem o seu romance, estando casados, e antes que Romeu fosse enviado ao exílio?
Além da trilha sonora e da fotografia, vale destacar o figurino de Danilo Donati, também premiado com o Oscar, que introduz sensualidade e voluptuosidade aos personagens. “Romeu e Julieta” continua sendo o apogeu na carreira de Zefirelli, que acabou ficando caracterizado como um diretor romântico.

Assistir ao filme é entrar em sintonia com esse clima amoroso. É muito interessante o fato de que esse filme resgata todo o vigor de um romance puro, porém intenso, ao passo que a versão de 1996resgata um clima mais violento. Talvez, o tempo tenha mudado e deixado o público muito céptico em relação às relações amorosas e, conseqüentemente, mais ávido por ação e conflitos.

Apesar disso tudo, duvido que atualmente alguém seria capaz de caçoar da explicita natureza romântica e da pureza do casal de amantes. Isso, por uma razão: o próprio Shakespeare ao apresentar a sua peça pela primeira vez , não se supreendeu com a reação do público ao assistir à encenação de Romeu e Julieta. O público era formado por pessoas de diversas classes, culturas e gostos. E, como tal, além, de toda a grandeza do texto do autor, as pessoas perceberam que o casal ali representado não era formado por personalidades inatingíveis, daquelas tão comuns de serem encenadas –reis, artistas, etc. – mas um jovem casal apaixonado e comum, como todos já haviam visto e sido em algum momento de suas vidas.



"Romeu e Julieta" (Romeo and Juliet)
1968– INGLATERRA/ITÁLIA - 158 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCO ZEFIRELLI. Roteiro: FRANCO BUSATI, MASOLINO D´AMICO E FRANCO ZEFIRELLI, baseado na peça de W. SHAKESPEARE. Fotografia: PASQUALINO DE SANTIS. Montagem: REGINALD MILLS. Música: NINO ROTA. Produção: JOHN BRABOURNE E ANTHONY HAVELOCK-ALLAN.


Elenco: LEONARD WHITING (Romeu) OLIVIA HUSSEY(Julieta), JOHN McENERY (Mercúcio), MILO O´SHEA (Frei Lourenço), PAT HEYWOOD (Ama), ROBERT STEPHENS (Príncipe de Verona), MICHAEL YORK (Tebaldo), BRUCE ROBINSON (Benvólio), PAUL HARDWICK (Lorde Capuletto), NATASHA PARRY (Lady Capuletto), ANTONIO PIERFEDERICI (Lorde Montecchio), ESMERALDA RUSPOLI (Lady Montecchio) e ROBERTO BISACCO (Páris).

Prêmios:
Oscar de Melhor Fotografia (Pasqualino de Santis) e Melhor Figurino (Danilo Donati)/1969.

Trailer Original:


Do mesmo diretor:



Irmão Sol, Irmã Lua