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domingo, 21 de junho de 2009

O TÚMULO DOS VAGA-LUMES

“Bolinhos de arroz. Eu fiz para você. Pegue.”


Final da Segunda Grande Guerra Mundial, bombardeiros norte-americanos atacando as cidades japonesas, incendiando casas, deixando rastros de fumaça... ”O Túmulo dos Vaga-lumes” conta a história de um adolescente, Seita, e da pequena Setsuko, sua irmãzinha de mais ou menos 5 anos, que tentam se proteger dos ataques ao vilarejo que vivem e da fome que a guerra proporciona. Sem casa, nem comida, tentam se refugiar junto à tia, cuja receptividade não é nada acolhedora. O filme é uma experiência emocional avassaladora que dificilmente alguém poderia esquecer. Exagero? Nem um pouco. Filmes como O Gigante de Ferro (1999) e Wall-E (2008) abordam temas bastante sérios e outros, como “Dumbo” (1941), provocam tristeza nos espectadores. Enquanto esses filmes impõe-nos limites – mágoa e lágrimas -, “O Túmulo dos Vaga-lumes” transcende. Traz sofrimento. Sua força vai além do que um filme de animação se propõe. Trata da luta pela sobrevivência, da falta de generosidade e, sobretudo, da fraternidade. Tudo é contado de modo muito realista, mas simples. Os planos são longos e isso enfatiza o tom intimista do filme. Os efeitos visuais são poéticos e os momentos de ação servem para reflexão.

Dirigido por Isao Takarata, do mesmo estúdio de Miyazaki, esse filme tem tons autobiográficos. Baseou-se em um romance de Akiyuki Nosaka – um garoto que, nos tempos da guerra viu sua irmã morrer, sentindo-se culpado. Talvez pela temática real, o desenho animado tenha tomado proporções humanizadas de forma bastante intensa. Sempre se tentou buscar nos movimentos e expressões reais a perfeição para as animações. Disney atingiu esse patamar. Entretanto, mesmo não tendo sido aqui essa a preocupação, a emoção resultante nesse filme poucas vezes viu-se igualada nas mesmas proporções no cinema.

Há algumas cenas que retratam momentos de rara beleza – quando de noite as crianças caçam vaga-lumes e os usam para iluminar a caverna; no dia seguinte, Seita vê a irmãzinha enterrando cuidadosamente os insetos mortos (como imagina sua mãe sendo enterrada). Outras, de imaginação - quando a menina prepara o “jantar” para o irmão, usando lama para fazer “bolinhos de arroz” e outros petiscos. Ou então de puro encantamento - quando Seita prende uma bolha de ar em um lenço, esconde-a e depois solta no rosto perplexo da irmã. São momentos de rara beleza e simbolismo.

Por tratar-se de uma animação japonesa, é pouco vista, ainda mais se tratando da época em que foi realizado. Quem o assiste, jamais esquecerá. Assim como eu. Um dos melhores filmes de guerra e, talvez, junto com “Johnny Vai à Guerra” (71), um dos maiores libelos anti-belicistas que já vi. Maravilhoso.




"O Túmulo dos Vaga-lumes" (Hotaru No Haka)
1988 – JAPÃO - 89 min. – Colorido – ANIMAÇÃO
Direção: ISAO TAKAHATA. Roteiro: ISAO TAKAHATA, baseado no romance de AKIYUKI NOSAKA. Fotografia: NOBUO KOYAMA. Montagem: TAKESHI SEYAMA. Música: MICHIO MAMIYA. Produção: RYOICHI SATO.

Elenco:
TSUTOMU TATSUMI (Voz de Seita) AYANO SHIRAISHI (Voz de Setsuko), YOSHIKO SHINOHARA (Voz da Mãe) e AKEMI YAMAGUCHI (Voz da Tia).




Cenas do Filme:


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Meu Vizinho Totoro

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MEU VIZINHO TOTORO

“É provável que sejam apenas bolas de poeira".


O filme conta a história de duas irmãs, Satsuki e Mei, que são levadas pelo pai para uma nova casa, perto de uma floresta. A mãe das jovens, doente, está em um hospital da cidade. Quebrando paradigmas, a enredo não é de um menino e uma menina, como a maioria dos filmes; o pai é forte e amoroso – nao mau ou ausente, como sempre esamos acostumados a ver nos filmes de animação; a mãe está convalescendo – num filme de animação isso não é , de maneira alguma, comum. A casa das irmãs é mal-assombrada. Mas não no sentido que todos estamos acostumados a pensar, com fantasmas e monstros. Ao contrário, a casa tem outros “bichos” - Mei e Satsuki vêem pequenos pontos negros, fugindo à busca de segurança. “É provável que sejam apenas bolas de poeira”, diz o pai. Uma empregada , contratada para cuidar das crianças, diz que são “duendes cobertos de fuligem”, que habitam casas abandonadas e fogem ao ouvir o som de risadas. Quando as meninas olham o interior da casa e exploram o sotão, sentem certo temor . Porém, afastam o medo, abrindo janelas e acenando para o pai, do andar superior - tudo, sem suspense ou mistérios. O pai aceita de forma natural a história contada pelas filhas com as criaturas. Totoros existem? Obviamente que sim, na cabeça das jovens. Também existem outras criaturas fabulosas, como o Gato Ônibus, que corre pela floresta com oito patas e olhos grandes como faróis e um imenso sorriso de felicidade. O aspecto mais interessante é a convivência harmoniosa entre a visão infantil e a adulta. Mesmo que os adultos não concordem, Miyazaki não entra na cilada na qual as crianças resolvem salvar o mundo sozinhas, por serem incompreendidas pelos adultos.

“Meu vizinho Totoro” trata de experiências, situações do cotidiano – sem conflitos ou ameaças. Isso fica flagrante quando assitimos às cenas com os totoros, que não são criaturas reais ou do imaginário popular japonês, mas seres da mente criativa e genial do diretor. Mei depara-se com um filhote de totoro que mais se parece com um coelho, correndo perto da casa. Ela o segue pela floresta, onde acaba adentrando por folhagens e finalmente escorregando e caindo numa criatura gigante e aconchegante. O pai, absorto no trabalho, nem percebe sua ausência. Ele e Setsuki seguem em busca de Mei. O que poderia parecer uma seqüência de suspense, com florestas escuras e apavorantes, traz uma reversão de expectativa – encontram Mei dormindo no chão, sozinha, sem o totoro.

Mais adiante, as meninas vão ao encontro do ônibus do pai. O tempo passa e os bosques escurecem. Em silêncio e com naturalidade, o gigantesto totoro junta-se a elas na parada de ônibus em postura de proteção, como um amigo imaginario. Comeca a chover. As meninas têm sombrinhas e dão uma para o totoro, que fica encantado com os pingos de chuva na sombrinha e pula para cima e para baixo para liberar das árvores uma cascata de pingos. Então, chega o onibus. Myiazaki lidou com uma calma tremenda a cena –a noite e a floresta foram tratadas como uma situação, e não como uma ameaça. O filme não precisa de vilões.

Não há complôs de crianças contra adultos. A família é vista como um porto seguro e reconfortante. O pai é sensato, criterioso e educado; aceita as histórias de criaturas estranhas, confia nas filhas, ouve a explicaçao com a mente aberta. O filme carece de cenas tristes em que o pai interpreta inequivocadamente uma ação bem-intencionada e castiga injustamente. O filme causa admiração nas cenas envolvendo o totoro e encanta nas do Gato Onibus. É surpreendente, mas sem excessos; um pouco triste, mas sem levar às lágrimas; emocionante, sem recorrer, entretanto, à analogia de uma montanha-russa. Como a propria vida.

É um filme para criancas, feito para o mundo em que deveríamos viver e não para o que ocupamos. É um filme sem vilania. Sem cenas de luta. Sem adultos malvados. Sem trevas. Um mundo do bem. Um mundo em que, se você encontrar na floresta uma criatura estranha e grande, acaba aconchegando-se no colo dela, a ponto de tirar um cochilo. O filme sugere que as maravilhas da vida e os recursos da imaginação podem fornecer toda a aventura de que necessitamos. Miyazaki é fabuloso. E fez uma fábula. Imperdível.



Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro)
1988 – JAPÃO - 86 min. – Colorido – ANIMAÇÃO
Direção: HAYAO MIYAZAKI. Roteiro: HAYAO MIYAZAKI. Fotografia: MARK HENLEY. Montagem: TAKESHI SEYAMA. Música: JOE HISAISHI. Produção: TORU HARA, distribuído pela TROMA FILMS.

Elenco:
Noriko Hidaka( Satsuki - Voz), CHIKA SAKAMOTO ( Mei - Voz), SHIGESATO ITOI (Tatsuo Kusakabe - Voz), SUMI SHIMAMOTO (Kanta no obâsan - Voz), KAORU KOBAYASHI (Voz de Jiko-bô), TANIE KITABAYASHI (Voz de Kouroko), HITOSHI TAKAGI (Totoro - Voz), YÛKO MARUYAMA (Voz de Toki), MACHIKO WASHIO (Kanta no okâsan - Voz), REIKO SUZUKI (Professora-Voz), MASASHI HIROSE (Furoi on´na no hito - Voz) , TOSHIYUKI AMAGASA (Kanta-Voz ) , SHIGERU CHIBA (Kusakari-Otoko - Voz) e NAOKI TATSUTA (Voz)



Cenas do filme:



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Princesa Mononoke

sábado, 1 de novembro de 2008

PÉROLAS NEGRAS DE HOLLYWOOD

Desde o início da história da premiação do Oscar poucos artistas negros(as) foram premiados, em relação ao número total dos agraciados. Entretanto, aqueles (as) que receberam a tão cobiçada estatueta - justamente ou injustamente - fazem parte de um grupo seleto de pessoas cujos nomes estarão cravados de forma definitiva em Hollywood. Segue uma homenagem àqueles (as) que tiveram seus minutos de alegria - desde a inesquecível Hattie McDaniel (de "...E o Vento Levou") até o poderoso Forest Whitaker (de "O Último Rei da Escócia"). Ei-los (as):



1939
Hattie McDaniel em “... E o Vento Levou”, pelo papel da inesquecível babá Mammy de Scarlett O´Hara (Vivien Leigh). Hattie foi a primeira negra a ser indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante; também, foi a primeira atriz negra a ganhar o prêmio nessa categoria, além da mais velha a ganhar um Oscar da Academia (aos 44 anos); finalmente, a primeira artista negra (homem ou mulher) a ganhar um Oscar.


1946
James Baskett, Oscar Honorário, por sua “calorosa caracterização do Tio Remus, amigo e contador de histórias para crianças do mundo”, no filme “Canção do Sul”, de Walt Disney. O prêmio foi entregue na cerimônia de 1948.





1963
Sidney Poitier, em “Uma Voz nas Sombras”, pelo papel de Homer Smith. Foi o primeiro negro a ganhar o Oscar na categoria de Melhor Ator Principal, bem como o mais jovem a ganhar como ator nessa categoria (aos 37 anos).





1971
Isaac Hayes, Melhor Música Original pelo “Tema de Shaft”, do filme “Shaft”. Foi o primeiro negro a ganhar o prêmio na categoria de Melhor Canção Original.







1982
Louis Gossett, Jr, em “A Força do Destino”, no papel do Sargento Emil Foley. Foi o primeiro negro a ganhar o Oscar na categoria de Melhor Ator Coadjuvante.







1983
Irene Cara, Melhor Canção Original “What a Feeling”, do filme "Flashdance". Foi a segunda artista negra a ganhar o prêmio de Melhor Canção Original; a primeira (e única) a ganhar um Oscar fora da categoria de atriz. Irene Cara foi responsável somente pela letra da canção. A indicação foi conjunta com Giorgio Moroder e o co-letrista Keith Forsey.



1984
Prince, Melhor Música, Melhor Trilha Sonora Original, do filme “Purple Rain”. Foi o primeiro (e único) artista negro a ganhar o prêmio nesta categoria (cantada), que atualmente não mais existe. Hoje essa categoria é Melhor Trilha Original, que engloba trilha instrumental e cantada.




1984
Stevie Wonder, Melhor Canção Original "I Just Called to Say I Loved You", do filme “A Dama de Vermelho”. Foi o segundo artista negro a ganhar o prêmio na categoria Melhor Canção Original






1985
Lionel Richie, Melhor Canção Original "Say You, Say Me”, do filme “O Sol da Meia-Noite”. Foi o terceiro artista negro ganhar o prêmio como Melhor Canção Original







1986
Herbie Hancock, Melhor Trilha Sonora Original, do filme “Por Volta da Meia-Noite”. O primeiro (e único) artista negro a ganhar o prêmio na categoria Melhor Trilha Original.







1988
Willie D. Burton, Melhor Som por "Bird", dividido com Les Fresholtz, Rick Alexander e Vern Poore. Foi o primeiro negro a ganhar o prêmio na categoria Melhor Som.

1989
Russel Williams II, Melhor Som por “Tempos de Glória”, dividido com Donald O. Mitchell, Gregg Rudloff, e Elliot Tyson. Foi o segundo negro a ganhar o prêmio de Melhor Som.

1989
Denzel Washington, em “Tempos de Glória”, como Trip. Foi o segundo negro a ganhar o prêmio na categoria de Melhor Ator Coadjuvante; também, o primeiro ator negro a receber duas indicações nessa categoria.






1990
Whoopi Goldberg, em “Ghost, do Outro Lado da Vida”, como Oda Mae Brown, a hilária tranbiqueira. Foi a segunda negra a ganhar o Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, bem como a primeira a receber duas indicações como atriz no geral.





1990
Russel Williams II, Melhor Som por “Dança com Lobos”, dividido com Jeffrey Perkins, Bill W. Benton e Gregory H. Watkins. Foi o terceiro negro a ganhar o prêmio de Melhor Som e o primeiro a ganhá-lo por duas vezes.






1995
Quincy Jones, Prêmio Humanitário Jean Hersholt.









1996
Cuba Gooding, Jr., em Jerry Maguire”, como Rod Tidwell. O terceiro negro a ganhar o Oscar na categoria de Melhor Ator Coadjuvante; também, o mais jovem ator negro a ganhar o prêmio da Academia (aos 29 anos).





2001
Denzel Washington, em “Dia de Treinamento”, como Alonzo Harris. O primeiro negro a receber cinco indicações como ator no geral; também, foi o primeiro a receber três indicações ao prêmio, na categoria Melhor Ator Coadjuvante; o segundo negro a ganhar um Oscar na categoria Melhor Ator Principal; foi neste ano, pela primeira vez, que diversos atores receberam indicação ao prêmio na categoria de Melhor Ator Principal; finalmente, foi o mais velho ator negro a ganhar o prêmio na categoria Melhor Ator Principal (aos 47 anos).


2001
Halle Berry, em “A Última Ceia”, como Leticia Musgrove. Foi a primeira (e única) negra a ganhar o prêmio na categoria Melhor Atriz Principal.







2002
Sidney Poitier, Prêmio por Reconhecimento da Obra, “pelas atuações extraordinárias e presença única na tela e por representar a indústria com dignidade, estilo e inteligência”. O prêmio foi entregue na cerimônia de 2002.





2004
Jamie Foxx, em “Ray”, no papel do cantor Ray Charles. Foi o terceiro negro a ganhar o prêmio na categoria Melhor Ator Principal; foi o primeiro ator a receber duas indicações de melhor performance no mesmo ano.






2004
Morgan Freeman, em “A Menina de Ouro”, como Eddie 'Scrap-Iron' Dupris. Foi o quarto negro a ganhar o prêmio na categoria de Melhor Ator Coadjuvante; o mais velho negro a ganhar um prêmio da Academia (aos 67 anos); o segundo negro a receber duas indicações na categoria Melhor Ator Coadjuvante.



2005
Jordan Houston, Cedric Coleman, Paul Beauregard (Houston e Beauregard são do grupo musical Three 6 Mafia), pela canção “It is hard out here for a Pimp", do filme “Ritmo de Um Sonho”.


2006
Forest Whitaker, em “ O Último Rei da Escócia”, como o ditador Idi Amin Dada. Foi o quarto negro a ganhar o prêmio na categoria de Melhor Ator Principal.







2006
Jennifer Hudson, em “Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho”, como Effie White. Foi a terceira negra a ganhar o prêmio na categoria Melhor Atriz Coadjuvante; a primeira (e única) negra a ganhar um prêmio da Academia em seu filme de estréia; foi a mais jovem negra a ganhar um prêmio da Academia (aos 25 anos); a primeira participante de um reality show de TV a vencer um premio da Academia; o primeiro (e único) filme a ter indicados negros tanto na categoria de Melhor Ator Principal como Melhor Atriz Coadjuvante.


2006
Russel Williams II, Melhor Som por “Dreamgirls”, dividido com Michael Minkler e Bob Beemer. O primeiro negro a ser indicado e a ganhar na recém renomeada categoria de Melhor Mixagem de Som”.

Fonte: Diversos