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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A PISCINA

“Quando estou com você sempre me divirto”


Jean-Paul (Alain Delon) é um escritor desempregado que tem um caso amoroso com Marianne (Romy Schneider), uma jornalista famosa. Ambos passam as férias em uma bela casa em St. Tropez, onde a piscina da mansão é o ponto focal da trama do filme. Marianne convida o amigo Harry (Maurice Ronet) para visitá-los. Harry, um compostor e executivo de gravadora, foi amante de Marianne. A tensão sexual entre os dois vai se desenrolando ao longo do filme sob a observação cuidadosa e incomodada de Jean-Paul, que desconfia do passado de ambos. Jean Paul interessa-se pela filha de Harry, Penelope, interpretada por Jane Birkin (bela como sempre). Muito calor, corpos quentes, conflitos latentes e questões amorosas mal resolvidas – onde é até insinuado um incesto – culminam em um assassinato ocorrido no cenário principal do filme – a piscina.

Após alguns drinques, Harry e Jean-Paul brigam e este empurra o outro na piscina, Jean Paul reluta em ajudar o “oponente" e Harry acaba morrendo. Essa morte faz com que questões mal resolvidas da relação entre Marianne e Jean Paul aflorem.

O casal tenta resolver os problemas, mas a presença do investigador de polícia, Leveque (Paul Crauchet), começa a dificultar as coisas. Oou melhorá-las. Depende do ponto de vista.

Trata-se de um drama policial, dirigido com bastante sensibilidade por Jacques Deray; é o tipo de tema que poderia ter sido conduzido de forma piegas e terminar como a maioria de filmes policiais com alguma investigação e final óbvio, que tanto estamos acostumados a assitir - principalmente no cinema norte-americano.

Aqui, ao contrário, o diretor leva o filme de forma com que amor, sexo e morte sejam expressos ao espectador de forma fluida, através dos inúmeros subtextos contido nos diálogos e nas atitudes dos personagens. Tudo é muito subentendido e sugerido. Fica-se sempre com o sentimento de que há algo a ser dito ou explicitado. Mais por intenção do diretor, do que por falha do filme.

Penélope não convence como filha de Maurice Ronet. Sua personagem tem uma importância no enredo que não poderia ter sido interpretado por uma atriz mais forte do que Jane Birkin. Sua personagem traz parte da história do pai e de seu casamento. O desejo de Harry em um possível reencontro com Marianne, mais a tensão entre pai e filha poderiam ter sido explorados de forma mais intensa na tela. Jane Birkin desfila toda sua beleza e junventude à beira da piscina. E só. Uma pena.

Por outro lado, a dupla Delon-Schneider encontram a sintonia fina num casal apaixonado, numa relação recheada de momentos de assustadora frieza – o ponto certo para deixar no espectador a percepção de que existe uma frustação entre o casal. Eles se amam, desconfiam um do outro, mas são cúmplices. Há uma certa dose de masoquismo entre eles.

Romy Schneider está em plena forma e, além disso, belíssima. Delon imprime um tom blasé a Jean-Paul. Está muito bem e faz um amante a certo ponto insensível, como tem que ser. Fico com a nítida sensação de que o casal reproduziu na tela a até então recém terminada relação de mais de 10 anos na vida real (estavam separados quando participaram do filme).

Não é sempre que se pode assitir a um filme cujo cenário se reduz a uma casa, um quarteto de atores e, ainda assim, apesar do enredo não possuir nada de original, é realizado de forma competente. Jacques Deray faz isso.



A Piscina (La Piscine)
1970– ITÁLIA/FRANÇA - 120 min. – Colorido – DRAMA
Direção: JACQUES DERAY. Roteiro: JEAN-CLAUDE CARRIÈRE, JEAN-EMMANUEL CONIL E JACQUES DERAY Fotografia: JEAN-JACQUES TARBÈS. Montagem: PAUL CAYATTE. Música: MICHEL LEGRAND. Produção: GÉRARD BEYTOUT.

Elenco: ALAIN DELON (Jean-Paul), ROMY SCHNEIDER (Marianne), MAURICE RONET (Harry), JANE BIRKIN (Penelope), PAUL CRAUCHET (Leveque), STEVE ECKARDT (Frank) e SUZIE JASPARD (Emile).



Cenas do filme:


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Borsalino

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

OS OLHOS SEM ROSTO

“Sorria. Não muito”


Desde que um acidente automobilístico desfigurou o rosto de sua filha, Christiane (Edith Scob), o doutor Génessier (Pierre Brasseur) faz todo o possível para restituir-lhe a beleza. Com a ajuda de sua colaboradora Louise (Alida Valli), Génessier atrai para sua casa diversas jovens. Ali as anestesia e as converte em cobaias de uma intervenção cirúrgica macabra. Na sala de operações, que fica oculta no sótão da mansão, retira a face das vitimas e as transplanta para sua filha. Essas experiências se repetem sem sucesso. E as tentativas mal sucedidas do pai tornam-se obsessivas. O filme tem um clima muito perturbador. A fotografia em preto e branco de Eugen Schüfftan revive o inquietante claro e escuro do expressionismo alemão. As nuances cromáticas são responsáveis por transformar a mansão em um labirinto, uma prisão quase impossível de escapar. As sombras das escadas parecem tentáculos possíveis de tornar qualquer um prisioneiro da loucura do médico. Sobretudo de sua filha, separada da vida, que vaga como um fantasma através da casa – parece uma Ofélia com o rosto desfigurado, oculto atrás de uma máscara de porcelana branca, cuja expressão de tristeza parece selar seu destino para sempre.

O diretor Franju cria de forma sutil uma atmosfera de pesadelo que sugere o terror a que estão associados os atos de Génessier. A cada resultado mal sucedido, mostrado através de uma sombria sucessão de primeiros planos – fotografias ou imagens congeladas -, mostra o rosto angelical de Christine que perde o viço dias depois, com manchas de necrose na pele transplantada.

A crueldade dessas seqüências mostra que Génessier é um médico perverso, pois além de provocar mortes, torna seu amor pela filha numa obsessão. As tentativas de dar à Christine um novo rosto – uma nova vida – significam ao mesmo tempo mudar sua identidade, recriá-la como mulher ideal, em um ato de criação, tal qual Frankenstein. Esse ato de arrogância que tem, entretanto, suas conseqüências.

O filme também pode ser visto como um alerta, uma crítica ácida à medicina experimental, de tentativa e erro, levada ao extremo. “Os Olhos Sem Rosto” reforça nossos mais profundos temores de infância. Quem de nós, quando criança, não achava que os médicos e enfermeiras eram agentes do mal? Se você planeja submeter-se a uma cirurgia plástica no futuro, evite assistir a este belo filme do terror francês. Sombrio e triste. Porém, brutalmente poético.



Os Olhos Sem Rosto (Les Yeux Sans Visage)
1960– FRANÇA /ITÁLIA - 88 min. – Preto e Branco – TERROR
Direção: GEORGES FRANJU. Roteiro: PIERRE BOILEAU, PIERRE GASCAR, THOMAS NARCEJAC E CLAUDE SAUTET, baseado na obra homônima de JEAN REDON Fotografia: EUGEN SCHÜFFTAN. Montagem: GILBERT NATOT. Música: MAURICE JARRE. Produção: JULES BORKON, para a CHAMPS ÉLYSÉES PRODUCTIONS E LUX FILM.

Elenco: PIERRE BRASSEUR (Dr. Génessier), ALIDA VALLI (Louise), JULIETTE MAYNIEL (Edna), EDITH SCOB (Christine), FRANÇOIS GUÉRIN (Jacques), ALEXANDRE RIGNAULT (Inspetor Parot), BÉATRICE ALTARIBA (Paulette), CHARLES BLAVETTE (Homem do Depósito), CLAUDE BRASSEUR (Inspetor) e MICHEL ETCHEVERRY (Médico Legista).


Cenas do filme:


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A Máscara de Satã

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O PODEROSO CHEFÃO

“Farei uma oferta que você não poderá recusar.”


As frases ruins não se pronunciam nunca. Neste filme nada é falado de Máfia ou da Casa Nostra, muito embora seja uma história épica contada no cerne do crime organizado. Tudo se define a partir de outro termo – A Família. Segundo o próprio Mario Puzo, autor da obra, o enredo não tratava de um romance sobre o crime, mas sim de uma família (um claro eufemismo). Logo no início, Coppola não havia se entusiasmado com o projeto, achando tratar-se de um thriller. Entretanto, reconsiderou sua decisão após ter descoberto justamente este aspecto familiar que o fascinou. Não é à toa que o filme comece e termine com uma celebração tipicamente familiar – uma boda e um batizado. O matrimônio entre Connie Corleone (Talia Shire) e Carlo Rizzi (Gianni Russo) é festejado por todos. No jardim dos Corleone toca uma orquestra e a multidão de convidados amontoa-se no baile. Come-se, brinca-se, a garotada corre e, vez ou outra, alguém levanta o copo para brindar a felicidade da noiva. Enquanto isso, do lado externo da casa, agentes do FBI anotam as placas dos carros.

O pai da noiva, Vito Corleone (Marlon Brando), é um dos cinco “Don” da comunidade italiana de Nova Iorque e, por esta razão, a lista de convidados é ilustre. Segundo a tradição, não se pode rechaçar nenhum pedido no dia da festa de sua filha. Rodeado de filhos e homens de confiança, ele está acomodado, com as persianas baixadas - sua pose aristocrática, iluminada por uma luz âmbar, é a imagem de dignidade e do poder. Com atitude paternalista, concede audiência aos que recorrem a ele em busca de favores: escuta os pedidos e aceita o respeito que lhe dedicam. Estas cenas transmitem calor, como todas as demais em que surge Marlon Brando na pele de Vito Corleone.

Michael, o mais jovem dos Corleone, sempre buscou vôo próprio e sua independência o levou a alistar-se na Marinha para lutar na Segunda Grande Guerra Mundial, de onde retornou como capitão e herói. Tendo durante muito tempo rejeitado os negócios da família, aparece para o casamento de Connie com sua namorada não italiana, Kay (Diane Keaton). Poucos meses mais tarde, no Natal, Don Vito sobrevive a um atentado por haver negado a uma família rival no tráfico de drogas ajuda, por conta de sua influência e conexões com a classe política.

Após salvar seu pai de um segundo atentado, Michael induz seu irmão mais velho, o "cabeça quente" Sonny (James Caan), bem como os conselheiros da família Tom Hagen (Robert Duvall) e Sal Tessio (Abe Vigoda) que ele (Michael) deveria ser o vingador dos responsáveis pelo atentado ao pai. Dada sua condição de não implicado, considera-se livre de suspeita e é convocado para uma mesa de negociações, oportunidade na qual ele aproveita para matar o traficante Virgil Sollozzo (Al Lettieri) e também o capitão McCluskey (Sterling Hayden), um policial corrupto. Por detrás desses fatos, foge para a Sicília sem comunicar-se com sua prometida, Kay (Diane Keaton). Nesta fase, o matiz do filme fica menos intenso - Michael, que aspirava levar uma vida respeitável e por isso havia se distanciado de seus parentes, converte-se num verdadeiro sanguinário. Assim, as imagens já se tornam mais frias, azuladas.

Na terra de seus antepassados, Michael experimenta um processo de endurecimento. Apaixona-se e, fiel à tradição, pede a mão de sua garota ao pai dela. Apesar de tudo, os braços longos de seus inimigos chegam até a Itália e sua jovem esposa, Appollonia, morre em um atentado com carro-bomba, dirigido inicialmente a ele. Em Nova Iorque, a guerra do submundo faz de vítima seu irmão Sonny. Vito Corleone, ainda convalescendo, embora relutante, renuncia à vingança para colocar um ponto final à chacina. Michael retorna aos EUA e casa-se com com Kay. O mais jovem dos Corleone, com sua frieza de caráter, sabe que as antigas feridas seguem abertas e planeja um golpe final. Enquanto está na igreja para o batismo de seu sobrinho recém-nascido, os inimigos da “Família” são eliminados, incluindo Carlo, o marido de Connie, culpado pela emboscada para Sonny.

Connie revolta-se com isso. Kay entra no mérito do ocorrido e Michael nega sua responsabilidade no assunto. Kay percebe como os homens reunidos no escritório de seu marido a excluem - antes que a porta se feche, chega a ver Michael aceitar os cumprimentos e o respeito de seus homens de confiança e subordinados, que o saúdam como novo “Don”. Ele, desta forma, consolida o poder de sua família e inicia seu processo de decadência moral.

Além da brilhante encenação do poder e suas formas de manifestação através de Vito Corleone e de seu filho que o sucede, ficamos marcados pelas cenas de violência: a cabeça decepada de um cavalo na cama do produtor cinematográfico Jack Woltz; as balas que matam Sonny; o disparo nos óculos de Moe Greene, o sócio do cassino; finalmente, a devastação bíblica do fulminante final. Essas seqüências são breves em comparação à duração das demais cenas em família.

Os negócios dos Corleone, incluídos os assassinatos e as coações, sempre ocorrem longe desse círculo. A rigor, esses acontecimentos estão relacionados a viagens e deslocamentos de automóveis que os distanciam do núcleo familiar. Fugir disto, implica em risco - a tentativa de assassinato de Vito Corleone materializa-se quando o Don, espontaneamente, decide esquivar-se de comprar drogas, e o impulsivo Sonny morre porque abandona a fortaleza da família.

Por outro lado, Michael um homem moderno no início do filme, não teme em libertar-se dos vínculos familiares. Porém, ainda que tenha prazer em ser independente, acaba sendo vítima da tradição de família, uma marionete atada a seu destino. Este simbolismo mostrado de forma tão perfeita na obra é retratada igualmente no filme.

O elenco está todo espetacular. Muito já foi dito de Marlon Brando, mas de fato ele mostra o porquê é um dos maiores astros que as telas já mostrou. Coppola, como poucos diretores ainda vivos do cinema, conduz um elenco afinadíssimo e, junto a um roteiro muito bem adaptado, faz deste filme um clássico absoluto. Visto e revisto, de tempos em tempos, parece cada vez melhor. A fotografia de Gordon Willis é primorosa e a música de Nino Rota (embora já tocada “ad nauseum”) marcou época e tem uma legião de fãs. Grandiloqüente e magistral.



O Poderoso Chefão (The Godfather)
1972 – EUA - 175 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCIS FORD COPPOLA. Roteiro: FRANCIS FORD COPPOLA E MARIO PUZO, baseado na obra “THE GODFATHER”. Fotografia: GORDON WILLIS. Montagem: MARC LAUB, BARBARA MARKS, WILLIAM REYNOLDS, MURRAY SOLOMON E PETER ZINNER. Música: NINO ROTA. Produção: ALBERT S. RUDY, para a PARAMOUNT PICTURES.

Elenco: MARLON BRANDO (Don Vito Corleone) AL PACINO (Michael Corleone), DIANE KEATON (Kay Adams), ROBERT DUVALL (Tom Hagen), JAMES CAAN (Santino Sonny Corleone), JOHN CAZALE (Frederico Fredo Corleone), RICHARD S. CASTELLANO (Peter Clemenza), STERLING HAYDEN (Capitão McCluskey), TALIA SHIRE (Constanzia Connie Corleone-Rizzi), JOHN MARLEY (Jack Woltz), RICHARD CONTE (Don Emilio Barzini), AL LETTIERI (Virgil Sollozzo), AL MARTINO (Johnny Fontane), GIANNI RUSSO (Carlo Rizzi) e SIMONETTA STEFANELLI (Appollonia Vitelli-Corleone).

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme (Albert S. Rudy), Melhor Ator (Marlon Brando) e Melhor Roteiro Adaptado (Francis Ford Coppola e Mario Puzo)/1973.



Cenas do filme:


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O Poderoso Chefão – Parte 2

O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 2

“Mantenha-se perto dos amigos e mais ainda dos inimigos.”


As frases ruins não se pronunciam nunca. Neste filme nada é falado de Máfia. Com esta continuação, que narra a ascensão e decadência da “família” nova iorquina do anterior “O Poderoso Chefão”, Coppola conseguiu muito mais do que a continuação de um roteiro; criou uma obra independente que, segundo muitos, é superior à anterior. Para outros, nem tanto. A bem da verdade é um segundo filme realizado com grandes trechos da obra de Mario Puzo que não tinham espaço no primeiro filme. Em “O Poderoso Chefão 2” são justapostas duas linhas narrativas. A primeira, situa-se na Sicília, no começo do século XX. O jovem Vito Andolini (Oreste Baldini), nascido na aldeia de Corleone, é o único que sobrevive ao extermínio de sua familia pela Máfia. O barco que o leva à América juntamente com amigos do clã familiar representa sua única possibilidade de sobrevivência. Ao chegar a Ellis Island, em Nova Iorque, Vito, que é registrado por um oficial de imigração com o sobrenome de Corleone, contempla a estátua da Liberdade, que significa o sonho americano de muitos imigrantes. Muitos anos depois após ter constituído sua família, um Vito adulto (interpretado por Robert De Niro) pretende estabelecer-se em Little Italy – o bairro nova iorquino ocupado por imigrantes italianos. Mas também ali domina a Máfia, fazendo com que comece a ascensão de Vito à condição de Chefão.

A segunda linha narrativa começa em 1958, poucos anos depois do final do primeiro filme. Michael (Al Pacino), filho de Vito Corleone, que desde a morte do pai está à frente dos negócios, vive em Lake Tahoe, Nevada, de onde pretende legalizar suas atividades em Las Vegas e estendê-las a Miami e Cuba, com a colaboração do gângster Hyman Roth (Lee Strasberg). Michael mantém-se fiel aos princípios comerciais de seu pai – ficar perto dos amigos e mais ainda dos inimigos.

Uma grande festa, organizada por Michael em sua propriedade, por ocasião da comunhão de seu filho, reúne sua família e seus sócios. Enquanto os convidados divertem-se do lado de fora, Michael encontra-se em seu escritório recebendo membros da “família”.. Adverte pela primeira vez que seus inimigos estão mais próximos do que imagina. Michael, que havia subornado políticos e preside uma empresa familiar “mais poderosa que a U.S. Steel” (como dirá depois), comprovará que seu objetivo de manter a família unida acaba naufragando.

Ao final do filme – havia tempo que sua esposa Kay (Diane Keaton) o tinha deixado - vemos um Michael Corleone sentado em seu jardim, sózinho, tendo com única companhia suas lembranças e sua raiva. Justamente enquanto sua mãe está presente, ele ordena a execução de seu irmão Fredo (John Cazale), que, como outros, o havia traído.

Em “O Poderoso Chefão – Parte 2” contrapõem-se as personalidades do pai e do filho, permitindo divagar sobre os conceitos de moral, confiança e lealdade, engano e vingança. Vito era um siciliano íntegro, cujas circunstâncias o levaram ao crime. Foi poderoso porque supôs ganhar o respeito e a confiança de seus amigos. Seu filho, por outro lado, foi criado na Máfia e, como tal, teve que aprender a conviver com as responsabilidades herdadas e com o poder vinculado às mesmas. Não confia em nada e tem inimigos dentro de sua própria família. Por mais diferente que sejam os dois personagens, suas histórias se parecem e coincidem na necessidade de ambos em descobrir o significado de ser um gângster.

Al Pacino mostra-nos que Michael Corleone é outro homem – duro, prepotente e obstinado a impor seus objetivos a qualquer custo. Entretanto, sua atuação não traz nenhuma grande novidade em relação ao primeiro filme. Robert De Niro, por sua vez, retrata de forma interessante o jovem Vito Corleone. Porém, sua participação ao final peca em parecer uma imitação caricatural da inesquecível composição de Marlon Brando.

A narração, sinuosa e com múltiplas tramas secundárias, dá muita oportunidade aos personagens e aos atores coadjuvantes: John Cazale, como o irmão humilhado de Michael, em seu papel de Caim; Talia Shire (Connie), irmã de Michael e ovelha negra da família e Robert Duvall (Tom Hagen), o leal advogado da família. Todos estão bem, porém menos à vontade do que poderiam.

Há notáveis exceções. Lee Strasberg, o mítico idealizador do Actors Studio, está extraordinário como Hyman Roth, um poderoso criminoso judeu (baseado em Meyer Lansky), de quem Michael tenta assumir a Máfia cubana durante o regime Batista. O personagem é interpretado como uma mistura de luxúria, rudeza e desprezo. O dramaturgo Michael V. Gazzo (de "A Hatful of Rain"), também está soberbo como um Capitão Corleone que cruza na “Família”. Vale lembrar de G. D. Spradlin, um ator não profissional e ex-político, que está bastante correto como um inescrupuloso e petulante senador de Nevada.

A direção de arte é estupenda, com rigor histórico e muito precisa. A fotografia de Gordon Willis, nas trocas de matizes - do sépia (nos flashbacks) ao tom mais escuro – capta bem as trocas dos ambientes familiares, embora pareça menos criativa do que no primeiro filme. As cenas externas estão muito claras, enquanto as internas parecem demasiadamente escuras (pergunto-me o porquê desses mafiosos não poderem comprar lâmpadas melhores). A música de Nino Rota toca a todo momento como numa caixa musical de bar.

Com o êxito de “O Poderoso Chefão”, Coppola conseguiu o controle total desta continuação, resultando num clássico moderno. Realizou um filme mais sereno, emocional e sombrio comparativamente ao primeiro e, a própria estrutura narrativa fragmentada permitiu a ele retrabalhar muitas cenas que foram muito melhor realizadas da primeira vez: reuniões familiares, tiroteios, e até diálogos (aliás, muitos deles parecem tirados de cartoons). Com tudo isso e, apesar de tudo isso, é um filme de um grande autor. É um Coppola genuíno.



O Poderoso Chefão – Parte 2 (The Godfather – Part II)
1974 – EUA - 200 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCIS FORD COPPOLA. Roteiro: FRANCIS FORD COPPOLA E MARIO PUZO, baseado na obra “THE GODFATHER”. Fotografia: GORDON WILLIS. Montagem: BARRY MALKIN, RICHARD MARKS E PETER ZINNER. Música: NINO ROTA E CARMINE COPPOLA. Produção: FRANCIS FORD COPPOLA, para a THE COPPOLA COMPANY e PARAMOUNT PICTURES.

Elenco: AL PACINO (Michael Corleone), ROBERT DUVALL ( Tom Hagen), DIANE KEATON (Kay Adams), ROBERT DE NIRO (Vito Corleone), JOHN CAZALE (Frederico Fredo Corleone), TALIA SHIRE (Constanzia Connie Corleone-Johnson), LEE STRASBERG (Frederico Fredo Corleone), MICHAEL V. GAZZO (Hyman Roth), G.D. SPRADLIN (Frankie Pentangeli), RICHARD BRIGHT (Al Neri), ORESTE BALDINI (Jovem Vito Corleone) e GASTONE MOSHIN (Don Fanucci).

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme (Francis Fod Coppola, Gray Fredrikson e Fred Ross), Melhor Diretor (Francis Ford Coppola), Melhor Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Roteiro Adaptado (Francis Ford Coppola e Mario Puzo), Melhor Trilha Sonora (Nino Rota e Carmine Coppola) e Melhor Direção de Arte (Dean Tavoularis, Angelo P. Graham e George Nelson)/1975.



Cenas do filme:



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O Poderoso Chefão – Parte 3

O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 3

“Toda família tem más recordações.”


“O Poderoso Chefão – Parte 3” surgiu quase vinte anos após “O Poderoso Chefão – Parte II” sem que houvesse perda de continuidade. Um dos maiores méritos deste filme foi nos dar a impressão que os Corleone e seus parceiros de crime foram mantidos intactos durante todas as décadas que se passaram entre as filmagens, quando, na verdade muitos resistiram em aparecer na tela. A dama de honra (Jeannie Linero) que teve um breve caso com Sonny Corleone no primeiro filme, por exemplo, agora tem uma breve e discreta aparição como a mãe do esquentado Vincent Mancini (Andy Garcia), o futuro Chefão. Trazendo de volta um Michael maduro, como um monarca preocupado com seus filhos e o destino de seu império, relembra as muitas perdas de Michael no passado (nesta tragédia que tem como centro a família, também podemos fazer paralelismos com a própria de Coppola e seus fracassos comerciais após a seqüência de numero dois). Cercado pó sentimento de culpa, Michael é um personagem muito mais compenetrado do que antes e a atuação de Al Pacino contribui para isso. O Michael mais velho não perdeu sua rudeza, mas sua autoconfiança por vezes percebe-se que foi abalada, assim como sua postura de ferro. Mais sentimental do que antes, ele agora é capaz até mesmo de um piscar de olhos paternal.

O objeto de sua afeição é sua filha, Mary (Sofia Coppola), a responsável pela fundação beneficente da família Corleone. O movimento da família em direção à respeitabilidade agora significa pelo menos um generoso Pavilhão Corleone num hospital de Nova Iorque, uma residência na 5ª. Avenida para Michael e uma doação de US$ 100 milhões dos Corleone aos pobres da Sicília, ofertada por Mary durante a extravagante seqüência de abertura da festa que celebra Michael recebendo uma importante honraria Papal.”Não gaste tudo em um lugar”, diz Mary ao calculista arcebispo (Donal Donnelly), que recebe o cheque.

Sofia Coppola interpreta sua personagem de modo irregular, não homogêneo, o que a compromete muito o impacto de sua Mary como a peça chave desta historia. Embora o papel dela seja pequeno, ele deveria afetar muito dos personagens de forma importante e a presença incerta da atriz faz muito pouco, em comparação a vigorosa participação dos demais astros. Al Pacino, Andy Garcia e Diane Keaton como Kay, a mãe de Mary, felizmente são capazes de compensar essa falta. Entretanto esse exagero de Coppola quase causa um desastre.

O foco principal desta última seqüência da saga é o Vaticano, que se tornou o centro de maior esperança de Michael, mais para lavagem de dinheiro do que por fé espiritual. O roteiro escrito por Coppola e Mario Puzo, amarra um esquema através do qual Michael espera adquirir uma maior parcela da International Immobiliare, um consórcio da igreja católica sob controle do banco do Vaticano. Isso completa a retirada dos Corleone de seus negócios escusos, que foram transferidos a Joey Zasa (Joe Mantegna), outro mafioso.

O estilo mais polido de Michael atrai associados, como seu advogado (George Hamilton, bem escalado na versão do trapaceiro Tom Hagen interpretado anteriormente por Robert Duvall) e seu relações públicas (Don Novello). Quando este distribui kits de imprensa celebrando a medalha papal entregue a Michael, é interpelado por uma repórter sobre o passado de crimes, ao que ele responde: “Você acha que sabe mais do que o Papa?”.

Tomando carona de leve nas teorias de conspiração que cercam a morte do Papa João Paulo I, o filme sistematicamente coloca Michael entre essa nova ambição e o seu legado passado. “Logo agora que pensei estar fora, eles me colocam de volta!”, ele brada em uma cena que se tornou tão avassaladora que Coppola ousa em inseri-la em um palco iluminado, - mesmo que não fique totalmente adequado. Por conta dessas situações "O Poderoso Chefão – Parte 3" possui pontos mais histriônicos que os anteriores, permitindo a Michael um monólogo que sela seu destino.
A seqüência mais dramática acontece num grand finale, que se passa num teatro em que se encena uma ópera, intercalando-se os atos da peça com ações de vingança. A deliberada invocação dos filmes anteriores por Coppola, tanto aqui como em diversas situações do filme, agrega gravidade sem sucumbir aos perigos da repetição. Oeste filme ainda é grande.

Entre as seqüências também memoráveis estão o espalhafatoso tiroteio em Atlantic City, uma cena em que Michael inesperadamente fica comovido ao confessar-se a um cardeal (Raf Vallone), a reaproximação entre Michael e Kay, uma batida de gangue num desfile em Nova Iorque e uma série de reuniões, sessões clandestinas para planejar alguma atividade e festas familiares que dão não somente a este filme, mas também compõe a trilogia um brilho particular. Novamente a direção de fotografia majestosamente escura de Gordon Willis enfeitiça o filme. Também a direção de arte de Dean Tavoularis é persuasiva e poderosa. Milena Canonero e seu guarda-roupa vestem com sutileza e elegância todo o filme.

O enorme elenco também inclui Eli Wallach como um esperto e asqueroso velho Don; Talia Shire como uma recém fortalecida Connie Corleone, Enzo Robutti e Vittorio Duse como duas figuras marcantes nas cenas que se passam na Sicília e Bridget Fonda foto jornalista que logo arrouba a atenção de Vincent, interpretado por Andy Garcia. Ela não está sozinha. A atuação de Andy Garcia é enérgica - um espirituoso revival do Sonny (interpretado anteriormente por James Caan) - e também mais centrada do que aquele.

Alguns pontos que merecem atenção: a profundidade dramática que é o foco dos filmes anteriores – a maneira na qual mesmo personagens menos importantes tomavam vulto ao longo da história – não é percebido aqui. E certas associações, como a freqüente ligação visual entre estátua religiosa e um tiroteio iminente, tornaram-se mais reflexivos e menos leves. O final do filme é abrupto e chocante. Talvez tenha faltado algo a ser dito.

O roteiro é em alguns momentos brilhantemente amplo, como quando o filho de Michael, Anthony (Franc D'Ambrosio), chega a Sicília e pergunta "Porque esse país tão bonito é....tão violento?” Em outros momentos, no entanto, o diálogo chega a ser engraçado. No início da história, Anthony recusa-se a ir trabalhar para seu pai por causa das lembranças ruins. “Toda família tem más recordações”, Michael grita em protesto. Será? Mas não desta forma.

Mesmo não estando à altura dos anteriores, "O Poderoso Chefão – Parte 3" é necessário e irresistivelmente belo.



O Poderoso Chefão Parte 3 (The Godfather Part III)
1990 – EUA - 162 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCIS FORD COPPOLA. Roteiro: FRANCIS FORD COPPOLA E MARIO PUZO, baseado em sua obra “THE GODFATHER”. Fotografia: GORDON WILLIS. Montagem: BARRY MALKIN, LISA FRUCHTMAN E WALTER MURCH. Música: CARMINE COPPOLA. Produção: FRANCIS FORD COPPOLA, distribuído pela PARAMOUNT PICTURES.

Elenco: AL PACINO (Michael Corleone) DIANE KEATON ( Kay Adams Michelson), TALIA SHIRE (Connie Corleone Rizzi), ANDY GARCIA (Vincent Mancini), ELI WALLACH (Don Altobello), JOE MANTEGNA (Joey Zasa), GEORGE HAMILTON (B. J. Harrison), BRIDGET FONDA (Grace Hamilton), SOFIA COPPOLA (Mary Corleone), RAF VALLONE (Cardeal Lamberto), FRANC D´AMBROSIO (Anthony Corleone), DONAL DONNELLY (Arcebispo Gilday), DON NOVELLO (Dominic Abbandando), VITTORIO DUSE (Don Tommasino), ENZO ROBUTTI (Licio Lucchesi)e JEANNIE LINERO (Lucy Mancini).



Cenas do filme:


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O Poderoso Chefão

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A MÁSCARA DE SATÃ

“Você nunca ficará livre de minha vingança….”


No século XVII, a bruxa Asa Vajda (Barbara Steele) é morta a mando de seu irmão, o príncipe Vajda. Ele a renega como tal, por prática de bruxaria, ordenando que em seu rosto seja encravada uma máscara (a marca de representação do diabo). Como vingança, lança uma maldição que deverá incomodar toda geração de seus algozes.
Esse é a trama principal de “A Máscara de Satã”, dirigido por Mario Bava, que se baseou num conto de Nikolai Gogol e roteiro de Ennio De Concini para desenhar a vampira secular. Passados 200 anos, uma dupla de médicos em viagem, Dr. Andre Gorobec (John Richardson) e Dr. Thomas Kruvajan (Andrea Checchi), descobre uma cripta e quando um deles se machuca, sangrando, estabelece o mecanismo suficiente para trazer de volta a bruxa à vida. Esta, com a ajuda do também ressuscitado assistente, iniciam uma saga de vingança que terá como a principal vítima a bela Katia Vajda (Barbara Steele em papel duplo) agora apaixonada por Andre, que tentará protegê-la.

Temos todos os ingredientes do clássico terror da década de 60, de baixo orçamento. Isso torna o visual fake; contudo, é difícil não se deixar seduzir pela personagem principal - que mais parece uma manequim de olhos vidrados, visual mundano e uma voz de outro mundo. Barbara Steele está apopriada como a bruxa/vampira – não ao estilo Theda Bara, mas uma versão genuína da bebedora de sangue.

Mario Bava, permite que essa Bela Lugosi de saias sacie sua sede por cerca de quatro vezes antes de queimar na fogueira, gritando, diante do olhar de Andre (John Richardson). Essa história se passa num decadente castelo, com todos os aparatos que se têm direito nos filmes de terror – teias de aranha, portas com passagem secreta, túmulos, etc. Como ambiente fúnebre, faz-nos sentir saudades do tranqüilo e modesto motel Bates, de “Psicose” (1960).



"A Máscara de Satã" (Black Sunday)
1960 – ITÁLIA - 87 min. – Preto e Branco – HORROR
Direção: MARIO BAVA. Roteiro: ENNIO DE CONCINI e MARIO SERANDREI, baseado no conto “The Viy”, de NIKOLAI GOGOL. Fotografia: MARIO BAVA. Montagem: MARIO SERANDREI. Música: ROBERTO NICOLOSI. Produção: GALATEA S. P. A., distribuído pela AMERICAN INTERNATIONAL PICTURES

Elenco:
BARBARA STEELE (Asa/Katia Vajda), JOHN RICHARDSON ( Dr. Andre Gorobec), ANDREA CHECCHI (Dr. Thomas Kruvajan), IVO GARRANI (Príncipe Vajda), ARTURO DOMINICI (Igor Javutich/Javuto), ENRICO OLIVIERI (Príncipe Constantine Vajda), ANTONIO PIERFEDERICI (Padre), TINO BIANCHI (Ivan), CLARA BINDI (Empregada da Estalagem), MARIO PASSANTE (Nikita, o cocheiro) e RENATO TERRA (Boris).


Cenas do Filme:



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As Três Máscaras do Terror

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ANÔNIMO VENEZIANO

“Era bom demais para durar”


Enrico (Tony Musante), um músico aspirante a maestro e Valeria (Florinda Bolkan) foram casados por onze anos e estão separados há oito. Após longa ausência, Enrico a chama de Ferrara, onde ela vive com o filho do casal e um amante rico e mais velho, para um reencontro em Veneza. Foi nessa cidade que se conheceram durante os tempos de faculdade – onde a forte paixão entre eles nasceu, acabou e, durante o dia, renasce. Porém, há um problema: Enrico tem uma séria doença. “Anônimo Veneziano” é um drama romântico ítaliano, absolutamente aclimatado e vivido em Veneza – com seu o canal, suas gôndolas, suas “piazzas” e igrejas. Foi dirigido e parcialmente escrito por Enrico Maria Salerno para parecer um filme intimista. Porisso, utiliza-se de diálogos de relacionamento, onde a questão principal é como tentar resolver um casamento no qual a incompatibilidade de gênios é maior que o sentimento que une o casal. Entretanto, não necessariamente esse seja o ponto principal do filme, mas, sobretudo, o esclarecimento de uma relação que não deu certo – e que nunca dará. Não porque o casal não queira, mas porque o curso das coisas assim os levou a uma irreversível separação.

Há alguns momentos em que o diretor inevitavelmente mutila um clichê bacana (se é que se pode chamar um clichê disso), quando Enrico e Valeria voltam a um restaurante típico que costumavam ir quando jovens – “O que você tem?”, Valeria pergunta ao garçom. “Arroz com tinta de lula, sopa de peixe, espaguete, fettucine, lasanha...”, diz ele, de forma direta. Ela responde: “Espaguete...”, como se estivesse num sonho.

Por outro lado, muito dos diálogos são bastante interessantes e gosto particularmente da forma como Enrico resume seu sentimento na relação: “O bovarismo está enraizado na alma feminina, de modo que a mulher chega a trair o amante com o próprio marido” (muito embora Enrico já a tivesse traído antes). É uma tentativa de limpar os pratos sujos de forma sutil.

Tony Musante e Florinda Bolkan fizeram trabalhos sérios em outros filmes, mas aqui fica muito limitada a avaliação interpretativa do casal, uma vez que claramente o cenário e a história sobressaem-se ao par. E, Salerno, ao final, nos deixa com a sensação de que ficou algo a mais para ser dito. É como se fossemos a câmera e nos jogassem nos canais de Veneza, sem rumo definido, ao som da bela trilha sonora de Cipriani (ainda hoje um cult).

Mas, de qualquer forma é sempre bom rever um filme estrelado pela nossa cearense Florinda Bolkan (ex-Bulcão), atriz que já trabalhou com renomados cineastas europeus, como Elio Petri e outros. Li que De Sica teria dito quando a convidou para o filme “Amargo Despertar” (1973): “Escolhi você por que seus olhos são de quem já conheceu a fome". A resposta de Florinda: "Quem nasce no Ceará traz uma carga de verdade muito dura e forte". E é verdade. Ela continua linda, vive na Itália e está na ativa.



"Anônimo Veneziano" (Anonimo Veneziano)
1970 – ITÁLIA - 91 min. – Colorido – DRAMA
Direção: ENRICO MARIA SALERNO. Roteiro: ENRICO MARIA SALERNO E GIUSEPPE BERTO. Fotografia: MACELLO GATTI. Música: STELVIO CIPRIANI.Montagem: MARIO MORRA. Produção: TURI VASILE, distribuído pela ALLIED ARTISTS.

Elenco: TONY MUSANTE (Enrico) FLORINDA BOLKAN (Valeria), TOTI DAL MONTE (proprietário da casa), SANDRO GRINFAN (gerente da fábrica), BRIZIO MONTINARO (garçom) e GIUSEPPE BELLA (técnico).

Cenas do Filme:


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