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domingo, 14 de dezembro de 2008

FEITIÇO DA LUA

“Porque os homens perseguem as mulheres?”


Em "Feitiço da Lua", Ronny Cammareri (Nicholas Cage) ergue Loretta Castorini (Cher) com tamanha empolgação que quase a arremessa por cima do ombro. “Aonde você está me levando?”, grita ela. “Para a cama!”, responde ele. Não para dormir, mas para cama. Há um leve toque de seriedade nessa expressão, o bastante para Loretta deixar a cabeça cair em total entrega. Esse sublime abandono dos protagonistas faz parte da magia da comédia romântica de Norman Jewison, de 1987, mas também depende da verdade explícita em palavras simples. Quando Rose Castorini (Olympia Dukakis), mãe de Loretta, descobre que o marido Cosmo (Vincent Gardênia) a engana, pergunta a Johnny Cammareri (Danny Aiello), noivo da filha, por que os homens agem assim. Ele responde que talvez temam a morte. Tarde da noite, quando Cosmo entra sorrateiro, ela o surpreende na sala: "Eu só queria que você soubesse que independentemente do que faça, ainda vai morrer! Como todo mundo!”. Ele a olha com a expressão de um homem há muito tempo casado com aquela mulher e retruca: "Obrigado, Rose”.

Feitiço da lua é uma comédia romântica baseada em abandono e verdade emocional. Não satisfeita com uma história de amor, inclui outras cinco ou seis, dependendo do jeito que se conta, e admitindo-se que alguns personagens se envolvem em mais de uma. O filme se passa num Brooklyn que jamais existiu, onde a lua cheia faz a noite parecer dia e enlouquece as pessoas de amore, quando a seus olhos parece uma grande pizza.

A trilha sonora divide-se igualmente entre La Boheme e Dean Martin, e os sentimentos de Ronny Cammareri, quando conta a Loretta por que odeia o irmão Johnny, se assemelham aos de um herói de ópera, maiores e mais dramáticos que a vida. Ele narra que certo dia Johnny o distraiu na padaria e com isso Ronny prendeu a mão no cortador de pão. Como conseqüência, a namorada o largou. Segurando no ar a mão de madeira e apontando-a dramático, grita: “Quero minha mão! Quero minha noiva! Johnny tem mão! Johnny tem noiva!”.

Na verdade, Loretta, a futura esposa de Johnny, fora à padaria tentar persuadir Ronny a comparecer ao casamento. Mas depois que ele a leva para a cama tudo muda, e Johnny (Danny Aiello), que esta na Sicília junto ao leito de morte da mãe, não sabe o choque que o espera quando regressar ao Brooklyn.

Em uma carreira com personagens tolos, Nicolas Cage transformou seu Ronny Cammareri no personagem de sua carreira. Quem mais conseguiria mostrar tamanho desespero na fala em que declara seu amor?: "O amor não melhora as coisas. Arruína tudo. Parte nosso coração. Faz uma desordem geral. Nós não estamos aqui para fazer tudo perfeito. Os flocos de neve são perfeitos. As estrelas são perfeitas. Nós não. Nós não! Estamos aqui para nos destruir, para partir nossos corações, amar as pessoas erradas e morrer”. E depois que ela ensaia movimentos de resistência, ele conclui: “Agora quero que você suba comigo e vá para a minha cama!”. O desempenho era digno de um Oscar.

Cher conquistou o prêmio de Melhor Atriz da Academia como Loretta. Houve ainda um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Olympia Dukakis, como Rose, e de melhor roteiro para John Patrick Shanley, além de indicações para melhor filme, melhor diretor e para Vincent Gardenia por sua interpretação de Cosmo. Jewison reuniu um grande elenco, impecavelmente escolhido a partir das personalidades dos atores que recebem igualmente cenas e falas criativas, de modo que, no fim, um grande clímax emocional envolve tantas pessoas que precisa ser realizado em volta da mesa da cozinha.

Ronny e Loretta formam um casal de trinta e poucos anos que representa, neste filme, a versão do amor jovem; mas, também, há o amor de dois casais mais velhos. A tia de Loretta, de nome Rita (Julie Bovasso), e seu marido, Raymond (Louis Guss), têm um momento de ternura comovente quando ele se põe diante da janela para admirar a lua cheia e a esposa lhe diz: "Você, debaixo dessa luz e com essa expressão no rosto, esta parecendo um rapaz de 25 anos”. E apesar de tudo, Rose e Cosmo também se amam - apesar de Mona (Anita Gillette), a namorada secreta a quem Cosmo relata, orgulhoso, sua conversa fiada de encanador para os clientes: “É cano de cobre, o único que eu uso. Custa dinheiro. Custa dinheiro porque poupa dinheiro”. Ela escuta, encantada: “E depois, o que dizem?”, pergunta.

A partir do roteiro original e inspirado de Shanley, Jewison demonstra total maestria ao narrar histórias paralelas de seu grande elenco. Uma das melhores seqüências ocorre na noite em que Ronny e Loretta vão à ópera - Cosmo e Mona também estão lá. Naquela noite, Rose janta sozinha no restaurante italiano da esquina e vê uma jovem arremessar um copo de água no rosto de um homem em de meia-idade e depois ir embora. Rose convida o homem para jantar a sua mesa. Ele é um professor chamado Perry, interpretado por John Mahoney, num desempenho perfeito de um homem que sabe que é inútil caçar suas jovens alunas, mas não sabe o que mais pode fazer. Conversam sobre a vida e ele leva Rose para casa, ao luar; há uma possibilidade clara de florescer amor entre eles, se não neste universo, talvez em outro. Mas ela diz: “Não posso ir para casa com você, porque sei quem eu sou”. E sabemos o que ela quer dizer: que tem lar, marido, família, identidade e não e carente como ele.

Grande parte do sucesso de Jewison advém do controle do tom. Em nenhum momento o filme é vulgar, mesmo quando ameaça sê-lo, mesmo quando realça o exibicionismo do personagem de Cage. Um suave toque agridoce e uma surpreendente quantidade de diálogos sobre a morte imprimem uma característica pungente às vidas e aos desejos dos personagens mais velhos. O foco emocional do filme concentra-se nos dois casais mais velhos (quatro, se contarmos com Rose e Perry e Cosmo e Mona), que, sob uma luz adequada, ou mesmo sem isso, ainda sentem a paixão que sentiam aos 25 anos.

A direção de fotografia de David Watkin banha freqüentemente os personagens com a luz fria da lua cheia e, por um momento, o sublime os domina; afora isso, Watkin utiliza quentes cores domésticas para criar um ambiente real. O lar dos Castorini - com os imponentes móveis escuros do quarto e as pilhas de mantas, os retratos da família pendurados na parede; a sala de jantar sem uso; a cozinha, palco da família - torna-se tão familiar para nós que há um impacto surpreendente na última cena, quando a câmera simplesmente recua, percorrendo os outros aposentos.

Norman Jewison, canadense nascido em 1926, é um artesão, igualmente à vontade em diversos gêneros, tais como os musicais "Um Violinista no Telhado" (71) e "Jesus Cristo Superstar" (73), comédias e filmes sobre problemas sociais. Todos seus filmes de Jewison obedecem à tendência predominante em Hollywood: ele gosta de trabalhar com estrelas, seus valores de produção são impecáveis e, no entanto, ele raramente parece se inspirar apenas nos resultados de bilheteria. Seu controle de qualidade é extremamente elevado – é o caso também de "Feitiço da Lua".

Ao assistir a esse filme pela segunda vez, ele me surpreendeu com sua sutileza, apesar de todo o barulho e toda a emoção. Surpreendeu-me com a forma de tributo apaixonada que dedica a seus personagens, recusando-se a limitar-lhes as personalidades a simples traços cômicos. O que acontece entre Rose e Perry é mostrado em nuances; eles não se limitam a serem "um velho desprezível e uma dona de casa solitária", mas sim abertos à beleza e ao mistério da vida. O título remete-nos à teoria de que a lua cheia pode tornar as pessoas selvagemente românticas, fazê-las agirem de forma imprevisível, maluca, porém não menos espetacular. O resultado faz-nos rir e também sentir-nos mais disponíveis a impulsos melhores.




"O Feitiço da Lua" (Moonstruck)
1987 – EUA – 102 min. – Colorido – COMÉDIA
Direção: NORMAN JEWISON. Roteiro: JOHN PATRICK SHANLEY . Fotografia: DAVID WATKIN. Montagem: LOU LOMBARDO. Música: DICK HYMAN. Produção: PATRICK PALMER E NORMAN JEWISON, distribuído pela METRO GOLDWYN-MAYER.


Elenco:
CHER (Loretta Castorini) NICOLAS CAGE (Ronny Cammareri), VINCENT GARDENIA (Cosmo Castorini), OLYMPIA DUKAKIS (Rose Castorini), DANNY AIELLO (Johnny Cammareri), JULIE BOVASSO (Rita Cappomaggi), JOHN MAHONEY (Perry), LOUIS GUSS (Raymond Cappomaggi), FEODOR CHALIAPIN JR. (Avô) e ANITA GILLETTE (Mona).



Cenas do Filme:


Assista também:



Um Violinista No Telhado

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O PODEROSO CHEFÃO

“Farei uma oferta que você não poderá recusar.”


As frases ruins não se pronunciam nunca. Neste filme nada é falado de Máfia ou da Casa Nostra, muito embora seja uma história épica contada no cerne do crime organizado. Tudo se define a partir de outro termo – A Família. Segundo o próprio Mario Puzo, autor da obra, o enredo não tratava de um romance sobre o crime, mas sim de uma família (um claro eufemismo). Logo no início, Coppola não havia se entusiasmado com o projeto, achando tratar-se de um thriller. Entretanto, reconsiderou sua decisão após ter descoberto justamente este aspecto familiar que o fascinou. Não é à toa que o filme comece e termine com uma celebração tipicamente familiar – uma boda e um batizado. O matrimônio entre Connie Corleone (Talia Shire) e Carlo Rizzi (Gianni Russo) é festejado por todos. No jardim dos Corleone toca uma orquestra e a multidão de convidados amontoa-se no baile. Come-se, brinca-se, a garotada corre e, vez ou outra, alguém levanta o copo para brindar a felicidade da noiva. Enquanto isso, do lado externo da casa, agentes do FBI anotam as placas dos carros.

O pai da noiva, Vito Corleone (Marlon Brando), é um dos cinco “Don” da comunidade italiana de Nova Iorque e, por esta razão, a lista de convidados é ilustre. Segundo a tradição, não se pode rechaçar nenhum pedido no dia da festa de sua filha. Rodeado de filhos e homens de confiança, ele está acomodado, com as persianas baixadas - sua pose aristocrática, iluminada por uma luz âmbar, é a imagem de dignidade e do poder. Com atitude paternalista, concede audiência aos que recorrem a ele em busca de favores: escuta os pedidos e aceita o respeito que lhe dedicam. Estas cenas transmitem calor, como todas as demais em que surge Marlon Brando na pele de Vito Corleone.

Michael, o mais jovem dos Corleone, sempre buscou vôo próprio e sua independência o levou a alistar-se na Marinha para lutar na Segunda Grande Guerra Mundial, de onde retornou como capitão e herói. Tendo durante muito tempo rejeitado os negócios da família, aparece para o casamento de Connie com sua namorada não italiana, Kay (Diane Keaton). Poucos meses mais tarde, no Natal, Don Vito sobrevive a um atentado por haver negado a uma família rival no tráfico de drogas ajuda, por conta de sua influência e conexões com a classe política.

Após salvar seu pai de um segundo atentado, Michael induz seu irmão mais velho, o "cabeça quente" Sonny (James Caan), bem como os conselheiros da família Tom Hagen (Robert Duvall) e Sal Tessio (Abe Vigoda) que ele (Michael) deveria ser o vingador dos responsáveis pelo atentado ao pai. Dada sua condição de não implicado, considera-se livre de suspeita e é convocado para uma mesa de negociações, oportunidade na qual ele aproveita para matar o traficante Virgil Sollozzo (Al Lettieri) e também o capitão McCluskey (Sterling Hayden), um policial corrupto. Por detrás desses fatos, foge para a Sicília sem comunicar-se com sua prometida, Kay (Diane Keaton). Nesta fase, o matiz do filme fica menos intenso - Michael, que aspirava levar uma vida respeitável e por isso havia se distanciado de seus parentes, converte-se num verdadeiro sanguinário. Assim, as imagens já se tornam mais frias, azuladas.

Na terra de seus antepassados, Michael experimenta um processo de endurecimento. Apaixona-se e, fiel à tradição, pede a mão de sua garota ao pai dela. Apesar de tudo, os braços longos de seus inimigos chegam até a Itália e sua jovem esposa, Appollonia, morre em um atentado com carro-bomba, dirigido inicialmente a ele. Em Nova Iorque, a guerra do submundo faz de vítima seu irmão Sonny. Vito Corleone, ainda convalescendo, embora relutante, renuncia à vingança para colocar um ponto final à chacina. Michael retorna aos EUA e casa-se com com Kay. O mais jovem dos Corleone, com sua frieza de caráter, sabe que as antigas feridas seguem abertas e planeja um golpe final. Enquanto está na igreja para o batismo de seu sobrinho recém-nascido, os inimigos da “Família” são eliminados, incluindo Carlo, o marido de Connie, culpado pela emboscada para Sonny.

Connie revolta-se com isso. Kay entra no mérito do ocorrido e Michael nega sua responsabilidade no assunto. Kay percebe como os homens reunidos no escritório de seu marido a excluem - antes que a porta se feche, chega a ver Michael aceitar os cumprimentos e o respeito de seus homens de confiança e subordinados, que o saúdam como novo “Don”. Ele, desta forma, consolida o poder de sua família e inicia seu processo de decadência moral.

Além da brilhante encenação do poder e suas formas de manifestação através de Vito Corleone e de seu filho que o sucede, ficamos marcados pelas cenas de violência: a cabeça decepada de um cavalo na cama do produtor cinematográfico Jack Woltz; as balas que matam Sonny; o disparo nos óculos de Moe Greene, o sócio do cassino; finalmente, a devastação bíblica do fulminante final. Essas seqüências são breves em comparação à duração das demais cenas em família.

Os negócios dos Corleone, incluídos os assassinatos e as coações, sempre ocorrem longe desse círculo. A rigor, esses acontecimentos estão relacionados a viagens e deslocamentos de automóveis que os distanciam do núcleo familiar. Fugir disto, implica em risco - a tentativa de assassinato de Vito Corleone materializa-se quando o Don, espontaneamente, decide esquivar-se de comprar drogas, e o impulsivo Sonny morre porque abandona a fortaleza da família.

Por outro lado, Michael um homem moderno no início do filme, não teme em libertar-se dos vínculos familiares. Porém, ainda que tenha prazer em ser independente, acaba sendo vítima da tradição de família, uma marionete atada a seu destino. Este simbolismo mostrado de forma tão perfeita na obra é retratada igualmente no filme.

O elenco está todo espetacular. Muito já foi dito de Marlon Brando, mas de fato ele mostra o porquê é um dos maiores astros que as telas já mostrou. Coppola, como poucos diretores ainda vivos do cinema, conduz um elenco afinadíssimo e, junto a um roteiro muito bem adaptado, faz deste filme um clássico absoluto. Visto e revisto, de tempos em tempos, parece cada vez melhor. A fotografia de Gordon Willis é primorosa e a música de Nino Rota (embora já tocada “ad nauseum”) marcou época e tem uma legião de fãs. Grandiloqüente e magistral.



O Poderoso Chefão (The Godfather)
1972 – EUA - 175 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCIS FORD COPPOLA. Roteiro: FRANCIS FORD COPPOLA E MARIO PUZO, baseado na obra “THE GODFATHER”. Fotografia: GORDON WILLIS. Montagem: MARC LAUB, BARBARA MARKS, WILLIAM REYNOLDS, MURRAY SOLOMON E PETER ZINNER. Música: NINO ROTA. Produção: ALBERT S. RUDY, para a PARAMOUNT PICTURES.

Elenco: MARLON BRANDO (Don Vito Corleone) AL PACINO (Michael Corleone), DIANE KEATON (Kay Adams), ROBERT DUVALL (Tom Hagen), JAMES CAAN (Santino Sonny Corleone), JOHN CAZALE (Frederico Fredo Corleone), RICHARD S. CASTELLANO (Peter Clemenza), STERLING HAYDEN (Capitão McCluskey), TALIA SHIRE (Constanzia Connie Corleone-Rizzi), JOHN MARLEY (Jack Woltz), RICHARD CONTE (Don Emilio Barzini), AL LETTIERI (Virgil Sollozzo), AL MARTINO (Johnny Fontane), GIANNI RUSSO (Carlo Rizzi) e SIMONETTA STEFANELLI (Appollonia Vitelli-Corleone).

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme (Albert S. Rudy), Melhor Ator (Marlon Brando) e Melhor Roteiro Adaptado (Francis Ford Coppola e Mario Puzo)/1973.



Cenas do filme:


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O Poderoso Chefão – Parte 2

O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 2

“Mantenha-se perto dos amigos e mais ainda dos inimigos.”


As frases ruins não se pronunciam nunca. Neste filme nada é falado de Máfia. Com esta continuação, que narra a ascensão e decadência da “família” nova iorquina do anterior “O Poderoso Chefão”, Coppola conseguiu muito mais do que a continuação de um roteiro; criou uma obra independente que, segundo muitos, é superior à anterior. Para outros, nem tanto. A bem da verdade é um segundo filme realizado com grandes trechos da obra de Mario Puzo que não tinham espaço no primeiro filme. Em “O Poderoso Chefão 2” são justapostas duas linhas narrativas. A primeira, situa-se na Sicília, no começo do século XX. O jovem Vito Andolini (Oreste Baldini), nascido na aldeia de Corleone, é o único que sobrevive ao extermínio de sua familia pela Máfia. O barco que o leva à América juntamente com amigos do clã familiar representa sua única possibilidade de sobrevivência. Ao chegar a Ellis Island, em Nova Iorque, Vito, que é registrado por um oficial de imigração com o sobrenome de Corleone, contempla a estátua da Liberdade, que significa o sonho americano de muitos imigrantes. Muitos anos depois após ter constituído sua família, um Vito adulto (interpretado por Robert De Niro) pretende estabelecer-se em Little Italy – o bairro nova iorquino ocupado por imigrantes italianos. Mas também ali domina a Máfia, fazendo com que comece a ascensão de Vito à condição de Chefão.

A segunda linha narrativa começa em 1958, poucos anos depois do final do primeiro filme. Michael (Al Pacino), filho de Vito Corleone, que desde a morte do pai está à frente dos negócios, vive em Lake Tahoe, Nevada, de onde pretende legalizar suas atividades em Las Vegas e estendê-las a Miami e Cuba, com a colaboração do gângster Hyman Roth (Lee Strasberg). Michael mantém-se fiel aos princípios comerciais de seu pai – ficar perto dos amigos e mais ainda dos inimigos.

Uma grande festa, organizada por Michael em sua propriedade, por ocasião da comunhão de seu filho, reúne sua família e seus sócios. Enquanto os convidados divertem-se do lado de fora, Michael encontra-se em seu escritório recebendo membros da “família”.. Adverte pela primeira vez que seus inimigos estão mais próximos do que imagina. Michael, que havia subornado políticos e preside uma empresa familiar “mais poderosa que a U.S. Steel” (como dirá depois), comprovará que seu objetivo de manter a família unida acaba naufragando.

Ao final do filme – havia tempo que sua esposa Kay (Diane Keaton) o tinha deixado - vemos um Michael Corleone sentado em seu jardim, sózinho, tendo com única companhia suas lembranças e sua raiva. Justamente enquanto sua mãe está presente, ele ordena a execução de seu irmão Fredo (John Cazale), que, como outros, o havia traído.

Em “O Poderoso Chefão – Parte 2” contrapõem-se as personalidades do pai e do filho, permitindo divagar sobre os conceitos de moral, confiança e lealdade, engano e vingança. Vito era um siciliano íntegro, cujas circunstâncias o levaram ao crime. Foi poderoso porque supôs ganhar o respeito e a confiança de seus amigos. Seu filho, por outro lado, foi criado na Máfia e, como tal, teve que aprender a conviver com as responsabilidades herdadas e com o poder vinculado às mesmas. Não confia em nada e tem inimigos dentro de sua própria família. Por mais diferente que sejam os dois personagens, suas histórias se parecem e coincidem na necessidade de ambos em descobrir o significado de ser um gângster.

Al Pacino mostra-nos que Michael Corleone é outro homem – duro, prepotente e obstinado a impor seus objetivos a qualquer custo. Entretanto, sua atuação não traz nenhuma grande novidade em relação ao primeiro filme. Robert De Niro, por sua vez, retrata de forma interessante o jovem Vito Corleone. Porém, sua participação ao final peca em parecer uma imitação caricatural da inesquecível composição de Marlon Brando.

A narração, sinuosa e com múltiplas tramas secundárias, dá muita oportunidade aos personagens e aos atores coadjuvantes: John Cazale, como o irmão humilhado de Michael, em seu papel de Caim; Talia Shire (Connie), irmã de Michael e ovelha negra da família e Robert Duvall (Tom Hagen), o leal advogado da família. Todos estão bem, porém menos à vontade do que poderiam.

Há notáveis exceções. Lee Strasberg, o mítico idealizador do Actors Studio, está extraordinário como Hyman Roth, um poderoso criminoso judeu (baseado em Meyer Lansky), de quem Michael tenta assumir a Máfia cubana durante o regime Batista. O personagem é interpretado como uma mistura de luxúria, rudeza e desprezo. O dramaturgo Michael V. Gazzo (de "A Hatful of Rain"), também está soberbo como um Capitão Corleone que cruza na “Família”. Vale lembrar de G. D. Spradlin, um ator não profissional e ex-político, que está bastante correto como um inescrupuloso e petulante senador de Nevada.

A direção de arte é estupenda, com rigor histórico e muito precisa. A fotografia de Gordon Willis, nas trocas de matizes - do sépia (nos flashbacks) ao tom mais escuro – capta bem as trocas dos ambientes familiares, embora pareça menos criativa do que no primeiro filme. As cenas externas estão muito claras, enquanto as internas parecem demasiadamente escuras (pergunto-me o porquê desses mafiosos não poderem comprar lâmpadas melhores). A música de Nino Rota toca a todo momento como numa caixa musical de bar.

Com o êxito de “O Poderoso Chefão”, Coppola conseguiu o controle total desta continuação, resultando num clássico moderno. Realizou um filme mais sereno, emocional e sombrio comparativamente ao primeiro e, a própria estrutura narrativa fragmentada permitiu a ele retrabalhar muitas cenas que foram muito melhor realizadas da primeira vez: reuniões familiares, tiroteios, e até diálogos (aliás, muitos deles parecem tirados de cartoons). Com tudo isso e, apesar de tudo isso, é um filme de um grande autor. É um Coppola genuíno.



O Poderoso Chefão – Parte 2 (The Godfather – Part II)
1974 – EUA - 200 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCIS FORD COPPOLA. Roteiro: FRANCIS FORD COPPOLA E MARIO PUZO, baseado na obra “THE GODFATHER”. Fotografia: GORDON WILLIS. Montagem: BARRY MALKIN, RICHARD MARKS E PETER ZINNER. Música: NINO ROTA E CARMINE COPPOLA. Produção: FRANCIS FORD COPPOLA, para a THE COPPOLA COMPANY e PARAMOUNT PICTURES.

Elenco: AL PACINO (Michael Corleone), ROBERT DUVALL ( Tom Hagen), DIANE KEATON (Kay Adams), ROBERT DE NIRO (Vito Corleone), JOHN CAZALE (Frederico Fredo Corleone), TALIA SHIRE (Constanzia Connie Corleone-Johnson), LEE STRASBERG (Frederico Fredo Corleone), MICHAEL V. GAZZO (Hyman Roth), G.D. SPRADLIN (Frankie Pentangeli), RICHARD BRIGHT (Al Neri), ORESTE BALDINI (Jovem Vito Corleone) e GASTONE MOSHIN (Don Fanucci).

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme (Francis Fod Coppola, Gray Fredrikson e Fred Ross), Melhor Diretor (Francis Ford Coppola), Melhor Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Roteiro Adaptado (Francis Ford Coppola e Mario Puzo), Melhor Trilha Sonora (Nino Rota e Carmine Coppola) e Melhor Direção de Arte (Dean Tavoularis, Angelo P. Graham e George Nelson)/1975.



Cenas do filme:



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O Poderoso Chefão – Parte 3

O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 3

“Toda família tem más recordações.”


“O Poderoso Chefão – Parte 3” surgiu quase vinte anos após “O Poderoso Chefão – Parte II” sem que houvesse perda de continuidade. Um dos maiores méritos deste filme foi nos dar a impressão que os Corleone e seus parceiros de crime foram mantidos intactos durante todas as décadas que se passaram entre as filmagens, quando, na verdade muitos resistiram em aparecer na tela. A dama de honra (Jeannie Linero) que teve um breve caso com Sonny Corleone no primeiro filme, por exemplo, agora tem uma breve e discreta aparição como a mãe do esquentado Vincent Mancini (Andy Garcia), o futuro Chefão. Trazendo de volta um Michael maduro, como um monarca preocupado com seus filhos e o destino de seu império, relembra as muitas perdas de Michael no passado (nesta tragédia que tem como centro a família, também podemos fazer paralelismos com a própria de Coppola e seus fracassos comerciais após a seqüência de numero dois). Cercado pó sentimento de culpa, Michael é um personagem muito mais compenetrado do que antes e a atuação de Al Pacino contribui para isso. O Michael mais velho não perdeu sua rudeza, mas sua autoconfiança por vezes percebe-se que foi abalada, assim como sua postura de ferro. Mais sentimental do que antes, ele agora é capaz até mesmo de um piscar de olhos paternal.

O objeto de sua afeição é sua filha, Mary (Sofia Coppola), a responsável pela fundação beneficente da família Corleone. O movimento da família em direção à respeitabilidade agora significa pelo menos um generoso Pavilhão Corleone num hospital de Nova Iorque, uma residência na 5ª. Avenida para Michael e uma doação de US$ 100 milhões dos Corleone aos pobres da Sicília, ofertada por Mary durante a extravagante seqüência de abertura da festa que celebra Michael recebendo uma importante honraria Papal.”Não gaste tudo em um lugar”, diz Mary ao calculista arcebispo (Donal Donnelly), que recebe o cheque.

Sofia Coppola interpreta sua personagem de modo irregular, não homogêneo, o que a compromete muito o impacto de sua Mary como a peça chave desta historia. Embora o papel dela seja pequeno, ele deveria afetar muito dos personagens de forma importante e a presença incerta da atriz faz muito pouco, em comparação a vigorosa participação dos demais astros. Al Pacino, Andy Garcia e Diane Keaton como Kay, a mãe de Mary, felizmente são capazes de compensar essa falta. Entretanto esse exagero de Coppola quase causa um desastre.

O foco principal desta última seqüência da saga é o Vaticano, que se tornou o centro de maior esperança de Michael, mais para lavagem de dinheiro do que por fé espiritual. O roteiro escrito por Coppola e Mario Puzo, amarra um esquema através do qual Michael espera adquirir uma maior parcela da International Immobiliare, um consórcio da igreja católica sob controle do banco do Vaticano. Isso completa a retirada dos Corleone de seus negócios escusos, que foram transferidos a Joey Zasa (Joe Mantegna), outro mafioso.

O estilo mais polido de Michael atrai associados, como seu advogado (George Hamilton, bem escalado na versão do trapaceiro Tom Hagen interpretado anteriormente por Robert Duvall) e seu relações públicas (Don Novello). Quando este distribui kits de imprensa celebrando a medalha papal entregue a Michael, é interpelado por uma repórter sobre o passado de crimes, ao que ele responde: “Você acha que sabe mais do que o Papa?”.

Tomando carona de leve nas teorias de conspiração que cercam a morte do Papa João Paulo I, o filme sistematicamente coloca Michael entre essa nova ambição e o seu legado passado. “Logo agora que pensei estar fora, eles me colocam de volta!”, ele brada em uma cena que se tornou tão avassaladora que Coppola ousa em inseri-la em um palco iluminado, - mesmo que não fique totalmente adequado. Por conta dessas situações "O Poderoso Chefão – Parte 3" possui pontos mais histriônicos que os anteriores, permitindo a Michael um monólogo que sela seu destino.
A seqüência mais dramática acontece num grand finale, que se passa num teatro em que se encena uma ópera, intercalando-se os atos da peça com ações de vingança. A deliberada invocação dos filmes anteriores por Coppola, tanto aqui como em diversas situações do filme, agrega gravidade sem sucumbir aos perigos da repetição. Oeste filme ainda é grande.

Entre as seqüências também memoráveis estão o espalhafatoso tiroteio em Atlantic City, uma cena em que Michael inesperadamente fica comovido ao confessar-se a um cardeal (Raf Vallone), a reaproximação entre Michael e Kay, uma batida de gangue num desfile em Nova Iorque e uma série de reuniões, sessões clandestinas para planejar alguma atividade e festas familiares que dão não somente a este filme, mas também compõe a trilogia um brilho particular. Novamente a direção de fotografia majestosamente escura de Gordon Willis enfeitiça o filme. Também a direção de arte de Dean Tavoularis é persuasiva e poderosa. Milena Canonero e seu guarda-roupa vestem com sutileza e elegância todo o filme.

O enorme elenco também inclui Eli Wallach como um esperto e asqueroso velho Don; Talia Shire como uma recém fortalecida Connie Corleone, Enzo Robutti e Vittorio Duse como duas figuras marcantes nas cenas que se passam na Sicília e Bridget Fonda foto jornalista que logo arrouba a atenção de Vincent, interpretado por Andy Garcia. Ela não está sozinha. A atuação de Andy Garcia é enérgica - um espirituoso revival do Sonny (interpretado anteriormente por James Caan) - e também mais centrada do que aquele.

Alguns pontos que merecem atenção: a profundidade dramática que é o foco dos filmes anteriores – a maneira na qual mesmo personagens menos importantes tomavam vulto ao longo da história – não é percebido aqui. E certas associações, como a freqüente ligação visual entre estátua religiosa e um tiroteio iminente, tornaram-se mais reflexivos e menos leves. O final do filme é abrupto e chocante. Talvez tenha faltado algo a ser dito.

O roteiro é em alguns momentos brilhantemente amplo, como quando o filho de Michael, Anthony (Franc D'Ambrosio), chega a Sicília e pergunta "Porque esse país tão bonito é....tão violento?” Em outros momentos, no entanto, o diálogo chega a ser engraçado. No início da história, Anthony recusa-se a ir trabalhar para seu pai por causa das lembranças ruins. “Toda família tem más recordações”, Michael grita em protesto. Será? Mas não desta forma.

Mesmo não estando à altura dos anteriores, "O Poderoso Chefão – Parte 3" é necessário e irresistivelmente belo.



O Poderoso Chefão Parte 3 (The Godfather Part III)
1990 – EUA - 162 min. – Colorido – DRAMA
Direção: FRANCIS FORD COPPOLA. Roteiro: FRANCIS FORD COPPOLA E MARIO PUZO, baseado em sua obra “THE GODFATHER”. Fotografia: GORDON WILLIS. Montagem: BARRY MALKIN, LISA FRUCHTMAN E WALTER MURCH. Música: CARMINE COPPOLA. Produção: FRANCIS FORD COPPOLA, distribuído pela PARAMOUNT PICTURES.

Elenco: AL PACINO (Michael Corleone) DIANE KEATON ( Kay Adams Michelson), TALIA SHIRE (Connie Corleone Rizzi), ANDY GARCIA (Vincent Mancini), ELI WALLACH (Don Altobello), JOE MANTEGNA (Joey Zasa), GEORGE HAMILTON (B. J. Harrison), BRIDGET FONDA (Grace Hamilton), SOFIA COPPOLA (Mary Corleone), RAF VALLONE (Cardeal Lamberto), FRANC D´AMBROSIO (Anthony Corleone), DONAL DONNELLY (Arcebispo Gilday), DON NOVELLO (Dominic Abbandando), VITTORIO DUSE (Don Tommasino), ENZO ROBUTTI (Licio Lucchesi)e JEANNIE LINERO (Lucy Mancini).



Cenas do filme:


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O Poderoso Chefão

domingo, 16 de março de 2008

VOLVER

"Coisas de mulher.”


O filme “Volver” é uma história sem flashbacks ou intrincadas tramas, mas é um filme de um grande diretor. Contribui para isso o conjunto de atrizes poderosas e cheias de recursos, em particular da protagonista, Penélope Cruz. Ela interpreta Raimunda, uma trabalhadora “empurrada” para todas as direções por acontecimentos nada fáceis e pelas necessidades das mulheres que estão ao seu redor. Em um ponto no filme, ela atende a porta para seu vizinho, Emílio (Carlos Blanco), um dos tímidos e supérfluos homens que aparecem na tela. Emílio, que claramente tem uma “queda” por Raimunda, percebe uma mancha de sangue em seu pescoço e pergunta se ela está bem. Ela responde: “Coisas de mulher” ou coisa parecida, num tom de piada e verdade.

Realmente há muitos problemas e dores de cabeça. O sangue pertence a seu marido, Paco (Antonio de la Torre), que morreu recentemente num mar vermelho no chão da cozinha, depois de levar uma facada no estômago. Sua morte não é para ser desprezada – e ele recebe um funeral que merece – nem para ser lamentada. Os homens para Raimunda, e seu ciclo de relacionamento, tendem a ser maus, desprezíveis ou simplesmente ausentes: são maridos errantes, aproveitadores, pesos-mortos – causam problemas. Mas “Volver” não trata dos homens.

Trata, sobretudo, do que as feministas norte-americanas do passado chamavam de irmandade, e também sobre as complicadas semelhanças que o diretor mostra durante o crescimento de uma criança em uma sociedade espanhola, tradicional, oprimida e patriarcal. Os problemas de Raimunda podem ser extremos, mas ela livra-se deles com determinada paixão, dando vazão para cada sentimento, nunca resvalando em auto-comiseração.

Há muitos outros que precisam de sua atenção, em especial sua filha adolescente, Paula (Yohana Cobo), que foi objeto da lúxuria de Paco. Raimunda também tem que dar atenção a Sole (a espetacular Lola Dueñas), sua irmã, cujo rosto registra solidão e desapontamento mesmo quando tenta demonstrar estar com muitos problemas ou mesmo bem humorada; também para sua tia Paula (Chus Lampreave); e, finalmente para Agustina (Blanca Portillo), uma vizinha, cujos lamentos são tantos que poderiam ocupar outro filme. Há também um restaurante para ser administrado (cujo dono é Emílio, mas que Raimunda toma conta, durante sua ausência).

Neste papel, Penélope Cruz mostra que realmente é uma atriz de peso, em parte porque ela consegue ser crua, despretensiosa e mesmo vulgar, sem perder um milímetro de seu glamour. Além disso, o diretor foi inspirado ao colocar Carmen Maura como a mãe de Raimunda, que adiciona um toque de gótico (e surrealista) à estória. O humor de Carmen Maura é um elemento crucial na estrutura do filme. – é uma crônica, de tragédia e terror, “envernizada” em cores fortes e brilhantes.

Para relacionar detalhes da narrativa – morte, câncer, traição, abandono familiar, mais morte, etc. – o filme teria que criar uma impressão de melancolia e angústia. Mas isso não ocorre com “Volver”, que trata do tema de forma fácil – sem ser fútil – e densa, sem nunca cair no sentimentalismo. O diretor admite ceticismo – e leva isso a sério – a partir de uma perspectiva fundamentalmente humorada. Muitos poucos diretores conseguiram sorrir tão convincentemente face à miséria e fatalidade – um deles é Jean Renoir. Um amigo, ao assistir ao filme, lembrou-me de outro – Billy Wilder. Mesmo não tendo assistido muito Almodóvar e não saber se ele ainda possui tal calibre, provavelmente ele pode fazer companhia a esses dois grandes mestres do cinema.

“Volver” é fascinante na sua concepção– a direção de fotografia de José Luis Alcaine e a suave e apaixonada trilha sonora de Alberto Iglesias – mas nunca artificial. O filme seduz o espectador, convida-o a permanecer atento e ansioso. Oferece algo mais do que realismo. O mundo real, afinal de contas, é o lugar onde todos temos que viver; para alguns de nós, contudo, o mundo de Almodóvar, parece ser seu lar.



Volver (Volver)
2006 – ESPANHA - 121 min. – Colorido – DRAMA
Direção: PEDRO ALMODÓVAR. Roteiro: PEDRO ALMODÓVAR. Fotografia: ALBERTO IGLESIAS. Montagem: JOSÉ SALCEDO. Música: JOSÉ LUIS ALCAINE. Produção: ESTHER GARCIA, distribuído pela SONY PICTURES CLASSICS.

Elenco: PENÉLOPE CRUZ (Raimunda), CARMEN MAURA (Irene), LOLA DUEÑAS (Sole), BLANCA PORTILLO (Agustina), YOHANA COBO (Paula), CHUS LAMPREAVE (Tia Paula), ANTONIO DE LA TORRE (Paco) e CARLOS BLANCO (Emílio).


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