quarta-feira, 20 de maio de 2009

"UP" DA PIXAR VEM AÍ


Um velhinho e um garoto de 8 anos andam pela floresta carregando uma casa. Essa é uma das cenas do último filme da PIXAR, “UP”, que participou da prémiere em Cannes. Fiquei curioso em assistir ao trailer dessa nova investida do estúdio. Pelo visto, a criatividade do grupo não tem limites. Depois de animarem monstros, peixes, carros, superheróis, ratos e robôs, agora parece que a vez é de “atacar” com um senhor septuagenário, chamado Carl Fredricksen, um comerciante de balões, e mais: em 3D.

Pelo que li, Carl é um viúvo, que se isolou do mundo. Forçado a ir para um retiro para idosos, ele prega balões em sua casa e segue “voando” para perseguir seu sonho de criança como desbravador: as cachoeiras na América do Sul. No meio do caminho, tem que lidar com personagens esquisitos, tais como o garoto Russel e o cãozinho Dug, que mudam sua forma de vida. Estréia no Brasil dia 4 de setembro. Vamos aguardar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

CINEGRAFISTAS DE TIRAR O CHAPÉU #1

GREGG TOLAND
(1904-1948)

Nascido em Illinois em 1904, era o único filho de Jennie e Frank Toland. Seus pais se divorciaram em 1910 e, após alguns anos, Gregg e sua mãe mudaram-se para a Califórnia. Através do trabalho como um governanta de pessoas voltadas ao mundo do entretenimento, Gregg acabou obtendo um emprego a US$ 12 por semana aos 15 anos, nos estúdios de William Fox. Em breve seu salário subiu para US$ 18 por semana como assistente de fotografia. Com o advento do cinema sonoro em 1927, os ruídos das câmeras tornaram-se um problema, exigindo a utilização de cabines à prova de som. Toland contribuiu para criar um dispositivo que silenciava o ruído da câmara e que permitia a câmara de locomover mais livremente. Em 1931, recebeu seu primeiro trabalho solo na comédia de Eddie Cantor, "Palmy Days" (31). Em 1940, foi contratado para trabalhar com Orson Welles, em "Cidadão Kane" – segundo dizem, Toland teria protegido o inexperiente diretor de eventuais embaraços nas reuniões de elenco e técnicos. Orson Welles afirmou que tudo o que ele sabia sobre a arte da fotografia havia ensinado por Toland em meia hora. Na verdade, antes da filmagem de "Cidadão Kane" Toland convidou Welles no final de semana em sua casa, ensinando a ele tudo o que o novato diretor deveria saber sobre lentes e câmara posições. Para o resto da sua vida, Welles elogiou Toland: "Ele não somente foi o maior fotógrafo que eu já trabalhei, como o mais rápido”.Para "Kane", Toland utilizou um método que ficou conhecido como "profundidade de campo”, porque mostrava nitidamente objetos em segundo plano. O teórico do cinema, André Bazin, disse que Toland trouxe democracia na arte de filmar, deixando para o espectador e não mais para o diretor escolher o que achava mais interessante numa determinada cena. Logo, Toland tornou-se o diretor de fotografia mais bem pago de sua época, chegando a receber mais de US$ 200.000, por um período de três anos. Ele também se tornou talvez o primeiro cinematografista a receber créditos nas aberturas dos filmes, em destaque, ao invés de ter o nome junto com outros técnicos.Tragicamente, a carreira de Toland foi interrompida em 1948, na idade de 44 anos. Toland tinha uma filha, Lothian, de seu segundo casamento e outros dois, Gregg Jr. e Timothy, do terceiro. Lothian tornou-se esposa do cômico Red Skelton. Foi um dos mais influentes e inovadores cinegrafistas do Cinema. De 1936 a 1942, foi indicado cinco vezes ao Oscar de Melhor Fotografia. Além de Orson Welles, trabalhou com os melhores diretores de sua época, incluindo John Ford, Howard Hawks, Erich von Stroheim, King Vidor e William Wyler. Nesta parceria, conquistou o Oscar de Melhor Fotografia de 1940 por O Morro dos Ventos Uivantes (39). Fonte:Diversos

Trabalhos Marcantes:
Os Miseráveis(35)
Beco Sem Saída(37)
Intermezzo, Uma História de Amor (39)
A Longa Viagem de Volta (40)
Cidadão Kane(41)

domingo, 17 de maio de 2009

SOBRE ONTEM À NOITE

“Eu peguei o fone e ela já estava na linha”


“Sobre Ontem à Noite” é uma comédia romântica a respeito de um bonito casal de moradores de Chicago – Danny Martin e Debbie Sullivan – que vive nos arredores do Side North sem pertecerem necessariamente à tribo yuppie. Enquanto Debbie é uma diretora de arte numa agência de propaganda, Danny está sem rumo profissional. Ele comercializa produtos para restaurantes, sem pique ou convicção - somente porque tem que cumprir algum ofício. Ambos se vêem pela primeira vez num jogo de softball numa praça. Depois, encontram-se novamente num singles bar. A partir daí, ficam atraídos e, ao invés de engatarem em outro drinque, seguem para casa e transam. Tudo parece um Banco Imobiliário, tendo camas e lençóis, ao invés de casas, hotéis, locadoras de automóveis, etc. Danny e Debbie então continuam nessa “relação” durante um tempo, atravessam o Ano Novo, apaixonam-se, deixam de estar apaixonados, lidam com os defeitos, discutem sobre relacionamento. São fotografados em closes transando (que fica bacana), em tomadas mais abertas, quando estão em crise doméstica (o que é engraçado) e em vista panorâmica, iluminada, sob o céu de Chicago, acompanhados por uma trilha sonora super 80´s (que não pára de tocar).

O filme foi baseado na peça “Sexual Perversity in Chicago”, de David Mamet., sobre Danny Shapiro e Debbie Soloman e como, com a ajuda de um casal de “melhores amigos”, o caso amoroso vai para o brejo. ''Sobre Ontem à Noite'' é um idílio romântico, interpretado com mais charme do que convicção por Rob Lowe e Demi Moore, nos papéis de Danny Martin e Debbie Sullivan, respectivamente. Elizabeth Perkins está muito bem, como a melhor amiga de Debbie (e às vezes, colega de quarto), Joan. Esta é uma professora crianças no jardim de infância, que tende a conversar como se estivesse relacionando sempre com crianças de 5 anos - mesmo nas grosserias com os rapazes do bar que freqüenta.

Não é por acidente que o melhor desempenho do filme fica por conta de James Belushi, como Bernie Litko, o auto-confiante (nem tanto), vulgar e maníaco melhor amigo de Danny. James está engraçado no papel de um sexista, um tipo inconveniente que não tem a minima nossa que quando adentra no bar ponto de encontro para uma “caçada”, mais se parece com um macaco numa loja de cristais.

Essas adaptações de peças de teatro em filmes sempre são difíceis de resultarem na mesma altura. Às vezes a tentativa vai além do esperado; outras, fica aquém da expectativa. Não sei qual foi o caso de “Sobre Ontem à Noite” em relação à peça de David Mamet. Porém, o filme em si é engraçado e trz algumas situações que um casal sempre está acostumado a enfrentar, ainda mais quando não há maturidade suficiente para a rotina da vida a dois e, para tal, recorre-se a palpites de terceiros. Ou a coisa melhora ou degringola de vez. Veja, mas não espere muito.




"Sobre Ontem à Noite" (About Last Night)
1986 – EUA - 113 min. – Colorido – DRAMA
Direção: EDWARD ZWICK. Roteiro: TIM KAZURINSKY E DENISE DeCLUE, baseado na obra “Sexual Perversity in Chicago”, de DAVID MAMET. Fotografia: ANDREW DINTENFASS. Montagem: HARRY KERAMIDAS. Música: MILES GOODMAN. Produção: JASON BRETT E STUART OKEN, distribuído pela TRI STAR PICTURES.

Elenco:
ROB LOWE (Danny) DEMI MOORE (Debbie), JAMES BELUSHI (Bernie), ELIZABETH PERKINS (Joan), GEORGE DiCENZO (Sr. Favio), MICHAEL ALLDREDGE (Mother Malone), ROBIN THOMAS (Steve Carlson), DONNA GIBBONS (Alex), MEGAN MULLALLY (Pat), PATRICIA DUFF (Leslie), ROSANA De SOTO (Sra. Lyons) e SACHI PARKER (Carrie).




Cenas do Filme:


Assista também:



O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

domingo, 10 de maio de 2009

O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS

“Você sabe o que é isso? É fogo de Santelmo”


Na linha dos filmes sobre juventude escolar, “O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas” fica no meio termo entre “O Reencontro” (83) e “O Clube dos Cinco” (85). No caso, seus personagens já estão suficientemente adultos para grandes demonstrações de idealismo; porém, jovens o bastante para necessitarem de auto-afirmação. No decorrer da estória, logo se deparam com a situação em que devem abrir mão das baladas e encontros noturnos no bar St. Elmo´s (que dá título ao filme), em busca de mais foco e responsabilidade para suas vidas. O filme tem como principal chamariz um elenco de postulantes ao estrelato (à época), que fizeram carreira e tornaram-se famosos posteriormente. Alguns deles, os brat-pack, lançados por Francis F. Coppola, dois anos antes, em “Vidas Sem Rumo” (83). Parece que, por causa disso, o diretor Joel Schumacher teve alguma dificuldade de tornar a participação do elenco proporcional. Em alguns momentos, a edição faz com que os personagens sejam um pouco superficiais, com a sensação de que deveriam ter uma presença maior. O filme fica bem mais interessante quando flerta com o elenco que, de fato, esbanja charme. Quando tenta abordar temas mais sérios dos personagens e seus problemas – drogas, sexualidade, carreira, relacionamento – o filme perde um pouco.

As tentativas, que lembram “O Clube dos Cinco”, de amenizar os assuntos - a euforia dando lugar às lágrimas, confissões, promessas de mudança e de amizade eterna, etc., - são mais bem sucedidas do que abordá-los de forma mais dura e realista. Uma cena embaraçosa é aquela na qual as três amigas – Jules (Demi Moore), Leslie (Ally Sheedy) e Wendy (Mare Winningham) - encontram-se para uma sopa num refeitório popular. Jules, em tom de brincadeira com as demais, declara que vai acabar sem dinheiro, como uma indigente – ao seu lado, uma velha indigente assiste a tudo. Apesar disso, fica uma parábola, na qual a senhora parece mais à vontade na situação do que a problemática Jules.

Há também um tom irônico em certas passagens, resvalando em aspectos políticos, mas que ficam frágeis. É o caso de Alec (Judd Nelson), que decide alterar sua filiação política por razões de salário. “Um senador republicano paga mais do que um senador democrata.", ele diz à namorada. "A gente podia comprar um sofá maior e depois a gente se casava". Em alguns momentos é esse o tipo de preocupação do filme – os yuppies da década de 80.

O diretor requinta o aspecto visual do filme - cenários modernos e moradias que lembram lofts, o que mostra alguns personagens esbanjando recursos esforçando para manter as aparências. Entretanto, a questão principal que o filme colocou é adivinhar daqueles atores/atrizes conseguiriam alçar vôos mais altos, após esse projeto.
Rob Lowe - cujo ar rebelde no enredo tornou-o o principal nome do elenco - virou um ídolo, repetiu outros filmes do gênero e obteve sua maturidade na série de TV “West Wing” (1999-2006). Em "O Primeiro Ano...", desempenha o papel do petulante e irresponsável Billy Hicks. Emilio Estevez, que também teve sua careira ampliada posteriormente, faz o papel de um biruta apaixonado, que às vezes se mete em situações embaraçosamente ridículas - principalmente quando seu objeto de desejo é bela Andie MacDowell.

Judd Nelson, o brigão de "O Clube dos Cinco", não está tão diferente aqui, apesar da gravata - numa demonstração de ser o personagem mais maduro do grupo, embora não o seja. Sua autoconfiança no filme às vezes descamba para o humor. Andrew McCarthy desempenha o personagem masculino menos intransigente do filme – o de um aspirante escritor, amigo de todos e o iconoclasta do grupo.

As personagens femininas são menos desenvolvidas no roteiro. Destaque para linda e drogada Jules (Demi Moore), a enfeitada e “preocupada com todos” Leslie (Ally Sheedy) e a assistente social virgem Wendy (Mare Winningham). Demi Moore é bela e ocupa a tela, embora não faça nada de especial, Maré Winningham faz muito para um personagem discreto e Ally Sheedy procura ser agradável, com senso de humor e inteligência.

"O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas" é um bom filme da década de 80. Mostra um produto para uma geração recém-saída de universidade e o início da vida profissional. Ao estilo Hollywood, diga-se bem.




"O Primeiro Ano do Resto de Nosss Vidas" (St. Elmo´s Fire)
1985 – EUA - 88 min. – Colorido – DRAMA
Direção: JOEL SCHUMACHER. Roteiro: JOEL SCHUMACHER E KARLS KURLANDER. Fotografia: STEPHEN H. BURUM. Montagem: RICHARD MARKS. Música: DAVID FOSTER. Produção: LAUREN SHULER, distribuído pela COLUMBIA.

Elenco:
EMILIO ESTEVEZ (Kirby Keger) ROB LOWE (Billy Hicks), ANDREW McCARTHY (Kevin Dolenz), DEMI MOORE (Jules), JUDD NELSON (Alec Newbary), ALLY SHEEDY (Leslie Hunter), MARE WINNINGHAM (WEndy Beamish), MARTIN BALSAM (Sr. Beamish), ANDIE MacDOWELL (Dale Biberman), JOYCE VAN PATTEN (Sra. Beamish) e JENNIE WRIGHT (Felicia).




Cenas do Filme:


Assista também:



O Clube dos Cinco

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MEU VIZINHO TOTORO

“É provável que sejam apenas bolas de poeira".


O filme conta a história de duas irmãs, Satsuki e Mei, que são levadas pelo pai para uma nova casa, perto de uma floresta. A mãe das jovens, doente, está em um hospital da cidade. Quebrando paradigmas, a enredo não é de um menino e uma menina, como a maioria dos filmes; o pai é forte e amoroso – nao mau ou ausente, como sempre esamos acostumados a ver nos filmes de animação; a mãe está convalescendo – num filme de animação isso não é , de maneira alguma, comum. A casa das irmãs é mal-assombrada. Mas não no sentido que todos estamos acostumados a pensar, com fantasmas e monstros. Ao contrário, a casa tem outros “bichos” - Mei e Satsuki vêem pequenos pontos negros, fugindo à busca de segurança. “É provável que sejam apenas bolas de poeira”, diz o pai. Uma empregada , contratada para cuidar das crianças, diz que são “duendes cobertos de fuligem”, que habitam casas abandonadas e fogem ao ouvir o som de risadas. Quando as meninas olham o interior da casa e exploram o sotão, sentem certo temor . Porém, afastam o medo, abrindo janelas e acenando para o pai, do andar superior - tudo, sem suspense ou mistérios. O pai aceita de forma natural a história contada pelas filhas com as criaturas. Totoros existem? Obviamente que sim, na cabeça das jovens. Também existem outras criaturas fabulosas, como o Gato Ônibus, que corre pela floresta com oito patas e olhos grandes como faróis e um imenso sorriso de felicidade. O aspecto mais interessante é a convivência harmoniosa entre a visão infantil e a adulta. Mesmo que os adultos não concordem, Miyazaki não entra na cilada na qual as crianças resolvem salvar o mundo sozinhas, por serem incompreendidas pelos adultos.

“Meu vizinho Totoro” trata de experiências, situações do cotidiano – sem conflitos ou ameaças. Isso fica flagrante quando assitimos às cenas com os totoros, que não são criaturas reais ou do imaginário popular japonês, mas seres da mente criativa e genial do diretor. Mei depara-se com um filhote de totoro que mais se parece com um coelho, correndo perto da casa. Ela o segue pela floresta, onde acaba adentrando por folhagens e finalmente escorregando e caindo numa criatura gigante e aconchegante. O pai, absorto no trabalho, nem percebe sua ausência. Ele e Setsuki seguem em busca de Mei. O que poderia parecer uma seqüência de suspense, com florestas escuras e apavorantes, traz uma reversão de expectativa – encontram Mei dormindo no chão, sozinha, sem o totoro.

Mais adiante, as meninas vão ao encontro do ônibus do pai. O tempo passa e os bosques escurecem. Em silêncio e com naturalidade, o gigantesto totoro junta-se a elas na parada de ônibus em postura de proteção, como um amigo imaginario. Comeca a chover. As meninas têm sombrinhas e dão uma para o totoro, que fica encantado com os pingos de chuva na sombrinha e pula para cima e para baixo para liberar das árvores uma cascata de pingos. Então, chega o onibus. Myiazaki lidou com uma calma tremenda a cena –a noite e a floresta foram tratadas como uma situação, e não como uma ameaça. O filme não precisa de vilões.

Não há complôs de crianças contra adultos. A família é vista como um porto seguro e reconfortante. O pai é sensato, criterioso e educado; aceita as histórias de criaturas estranhas, confia nas filhas, ouve a explicaçao com a mente aberta. O filme carece de cenas tristes em que o pai interpreta inequivocadamente uma ação bem-intencionada e castiga injustamente. O filme causa admiração nas cenas envolvendo o totoro e encanta nas do Gato Onibus. É surpreendente, mas sem excessos; um pouco triste, mas sem levar às lágrimas; emocionante, sem recorrer, entretanto, à analogia de uma montanha-russa. Como a propria vida.

É um filme para criancas, feito para o mundo em que deveríamos viver e não para o que ocupamos. É um filme sem vilania. Sem cenas de luta. Sem adultos malvados. Sem trevas. Um mundo do bem. Um mundo em que, se você encontrar na floresta uma criatura estranha e grande, acaba aconchegando-se no colo dela, a ponto de tirar um cochilo. O filme sugere que as maravilhas da vida e os recursos da imaginação podem fornecer toda a aventura de que necessitamos. Miyazaki é fabuloso. E fez uma fábula. Imperdível.



Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro)
1988 – JAPÃO - 86 min. – Colorido – ANIMAÇÃO
Direção: HAYAO MIYAZAKI. Roteiro: HAYAO MIYAZAKI. Fotografia: MARK HENLEY. Montagem: TAKESHI SEYAMA. Música: JOE HISAISHI. Produção: TORU HARA, distribuído pela TROMA FILMS.

Elenco:
Noriko Hidaka( Satsuki - Voz), CHIKA SAKAMOTO ( Mei - Voz), SHIGESATO ITOI (Tatsuo Kusakabe - Voz), SUMI SHIMAMOTO (Kanta no obâsan - Voz), KAORU KOBAYASHI (Voz de Jiko-bô), TANIE KITABAYASHI (Voz de Kouroko), HITOSHI TAKAGI (Totoro - Voz), YÛKO MARUYAMA (Voz de Toki), MACHIKO WASHIO (Kanta no okâsan - Voz), REIKO SUZUKI (Professora-Voz), MASASHI HIROSE (Furoi on´na no hito - Voz) , TOSHIYUKI AMAGASA (Kanta-Voz ) , SHIGERU CHIBA (Kusakari-Otoko - Voz) e NAOKI TATSUTA (Voz)



Cenas do filme:



Assista também:




Princesa Mononoke

quarta-feira, 15 de abril de 2009

GOLDEN KIDS DO CINEMA (#2)

ANGELA CARTWRIGHT
(1952-)

Nascida em Altrincham, Inglaterra, inaugurou nas telas aos 3 anos de idade. Inicialmente na TV, participou da série “Make Room for Daddy” (57-65). Nas telonas, tornou-se famosa interpretando Brigitta von Trapp em “A Noviça Rebelde” (65), ao lado de Julie Andrews e Christopher Plummer. Somente voltou ao cinema em 1979, em “Beyond the Poseidon Adventure”. Entretanto, sua presença sempre será lembrada no papel de Penny Robinson, a filha mais nova de Guy Williams e June Lockhart, na série para TV “Perdidos no Espaço” (65-68). Em 1998 fez uma pequena aparição no longa metragem de mesmo nome, no cinema. Após isso tem aparecido no teatro e em comerciais de TV.

domingo, 12 de abril de 2009

A CEIA DOS ACUSADOS

“Garçom,sirva as castanhas”.


O filme trata do desaparecimento de um inventor (Edward Ellis), que se torna o principal suspeito de um assassinato. Sua filha Dorothy (Maureen O´Sullivan), recorre a um velho amigo, o ex-detetive Nick, agora um bon-vivant, interpretado por William Powell. Nick é casado com Nora (Myrna Loy). O casal, acompanhado pelo cadelinha de estimação Asta, forma um trio charmoso e hilariante. Isso tudo regado a doses de martinis e destilados que são a força-motriz do par central. Na solução do mistério do filme, deparamo-nos com um desfile de situações – a preocupação, claro, da filha do inventor; a ambição da ex-esposa do inventor (Minna Gombell), uma mulher insegura que vive financiando o amante que, por sua vez a engana com outra mulher; a ambição ainda maior da amante do inventor (Natalie Moorhead) e várias outras figuras, incluindo o advogado do inventor, o contador, o filho do inventor e outros vários bandidos, aprendizes de bandidos, policiais e repórteres, além do infindável elenco de festeiros e “bebuns” que surgem no apartamento dos protagonistas para beberem e se esbaldarem.

Baseado num roteiro de Dashiell Hammett – que escreveu o roteiro de “Relíquia Macabra” (41) – pode-se dizer que “A Cesta dos Acusados” é, na essência, um filme noir. Entretanto, é uma comédia que inclui mortos. O enredo é inverossímil, e o filme não faz questão que o mesmo seja totalmente compreendido. Nick parece absolutamente racional, e tem explicações para todos os eventos, embora a maior parte do tempo esteja sob efeito etílico. E isso é irônico, pois a polícia – cuja coerência deveria conduzir à lógica da investigação – é alienada.

Embora trate da solução de um mistério, “A Ceia dos Acusados” lida com o estilo de vida de uma sociedade muito específica. Pouco se sabe do par central. Nick havia sido um famoso detetive e, agora casado com a rica Nora, aposentou-se e trata dos negócios da família: “uma ferrovia de pequeno porte e um monte de outras coisas”. Ou seja, têm muito dinheiro e passam o tempo viajando, visitando velhos amigos, fazendo novas amizades e, sobretudo, bebendo o dia inteiro.

Para qualquer um, o casal é alcoólatra, mas não no filme, pois o efeito do álcool não lhes prejudica em nenhum momento. É um comportamento, como fumar, um ato que lhes ocupa as mãos, o dia-a-dia, para preencher as conversas e como desculpa para se movimentarem. Quando Nora surge com um saco de gelo na cabeça, por exemplo, mais parece uma palhaçada, do que uma ressaca.

Dick Powell e Myrna Loy funcionam extremamente bem. Ele faz de seu Nick um alcoólatra lírico, sem jamais cair na embriaguez. Apesar de passar uma imagem de decadência, Nick é brilhante. Seus drinques servem como combustível para diálogos inteligentes e elegantes – são maliciosos, sem caírem no lugar-comum e extremamente agradáveis.

Myrna Loy funciona como uma luva para Powell, porém o filme é dele. Domina cada cena, seus movimentos físicos desengonçados, seu pequeno bigode (que o faz parecer mais sério do que é na verdade). A cadela Asta (Skippy) também ficou famosa no cinema e se constitui em charme à parte, principalmente quando protege os olhos com a atinha, quando a situação fica difícil ou se sente envergonhada.

A direção de W.S. Dyke é segura. A produção parece barata, pois os cenários restringem-se a interiores simples, porém elegantes. A fotografia em preto-e-branco ressalta o figurino cotidiano e formal usado por um elenco de excelente aparência. Além de Powell, Myrna e Maureen O´Sullivan, reparem a presença de César Romero ainda jovem.

Para a época em que foi realizado, logo após a Depressão, esse tipo de filme deve ter servido de puro escapismo para os norte-americanos – gente bonita em ambientes luxuosos, falando bobagens o dia todo, sem se preocupar com o mundo. Uma situação em que até o crime é apenas um divertimento.

O filme teve quatro indicações ao Oscar (incluindo Melhor Filme) e quatro seqüências num período de 12 anos. Pena que não ganhou nenhum. Posteriormente, Powell foi indicado por “Irene, a teimosa” (36) e por “Nossa Vida com Papai” (47). Porém, nunca ganhou. Tampouco foi agraciado com um prêmio pelo conjunto da obra – embora a Academia já houvesse sido pressionada para tal. Assistir à “A Ceia dos Acusados” é ver esse grande ator encarnando um personagem nunca igualado. Neste filme, a máxima de que todo bêbado é chato, não se aplica. Imperdível.




"A Ceia dos Acusados" (The Thin Man)
1934 - EUA - 93 min. – Preto e Branco – COMÉDIA
Direção: W.S. VAN DYKE. Roteiro: ALBERT HACKETT E FRANCES GOODRICH, baseado na obra de DASHIELL HAMMETT. Fotografia: JAMES WONG HOWE. Montagem: ROBERT J. KERN. Música: WILLIAM AXT. Produção: JOHN BRABOURNE E ANTHONY HAVELOCK-ALLAN.


Elenco: WILLIAM POWELL (Nick) MYRNA LOY(Nora), MAUREEN O`SULLIVAN (Dorothy), NAT PENDLETON (Guild), MINNA GOMBELL (Mimi), PORTER HALL (MacCaulay), HENRY WADSWORTH (Tommy), WILLIAM HENRY (Gilbert), HAROLD HUBER (Nunheim), CESAR ROMERO (Chris), NATALIE MOORHEAD (Julia Wolf), EDWARD BROPHY (Morelli), EDWARD ELLIS (Wynant) e CYRIL THORNTON (Tanner).





Trailer Original:



Do mesmo diretor:



A Comédia dos Acusados