Mal o idealista Eddie Duchin (Tyrone Power) chega a Nova Iorque, depara-se com uma péssima surpresa. Fã da banda de Leo Reisman (Central Park Casino), não consegue o emprego que esperava já ter obtido. Ele acaba sendo “salvo pelo gongo” e por uma garota, Marjorie Oelrichs (Kim Novak) que, com sua influência, ajuda-o a empregar-se como músico. Apaixonam-se e casam-se. Logo após dar à luz ao filho do casal, Marjorie morre e Eddie entra num estado de espírito pétreo que dura anos. Eddie segue sua carreira, seu filho cresce e, de volta ao lar após a Guerra, tem dificuldade de relacionamento com o garoto – agora com 12 anos. Quando o entendimento com seu filho começa a harmonizar-se e tudo parece entrar nos eixos – ele casa-se com a babá de seu filho, Chiquitita (Victoria Shaw) -, Eddie começa a sofrer de uma doença degenerativa nas mãos, que os médicos alegam ser incurável.
Em linhas gerais, esse é o enredo da verdadeira história de Eddie Duchin (embora ficcional), um músico que durante os anos 30 e 40 ficou famoso como um leader band. Samuel Taylor, o roteirista, parece ter exagerado nos elementos trágicos. O clima é triste, apesar de existirem momentos de bastante leveza, principalmente na parte inicial do filme, quando Eddie e Marjorie estão juntos. A trilha sonora ajuda a enfatizar esse clima, como na bela seqüência em que o casal passeia pelo Central Park ao som de "I´ll Take Romance" ao fundo.
O diretor George Sidney conduz bem esse melodrama, apesar de algumas cenas parecerem um tanto over, como aquela em que num excesso de entusiasmo ele, durante a Guerra, pega um piano e toca “Chosticks” com um garoto filipino. Porém, a maioria dos números é bacana e muitos dos temas encenados são famosos, como “Noturno”, de Chopin; "Body and Soul”; "Manhattan"; "You're My Everything”; "Let's Fall in Love”; "Sweet Sue"; "Whispering" e outros do repertório dessa época. Com Carmen Cavallaro ao piano, as músicas acabam sendo, na verdade, as vedetes do filme.
Tyrone Power está bem como Duchin, mostrando que ensaiou bem alguns números musicais. Kim Novak está deslumbrante e linda no papel de sua primeira esposa. Victoria Shaw é uma atraente segunda esposa, mas não chega a fazer sombra a Kim. Rex Thompson é muito mimado e enjoado no papel de Peter Duchin o filho de Eddie, mas James Whitmore destaca-se no papel Lou Sherwood.
Este é um melodrama típico dos anos 50. Sentimental, com momentos de alegria e de tristeza, apesar de alguns tropeços. Tem a mão segura de George Sidney que não deixa o tom desandar. Para apreciadores de uma boa música. Melhor momento do filme (e aqui vai um pouco de bairrismo): Eddie tocando "Aquarela do Brasil". Dá orgulho de ser brasileiro.
"Melodia Imortal" (The Eddie Duchin Story)
1956 – EUA - 123 min. – Colorido – DRAMA
Direção: GEORGE SIDNEY. Roteiro: SAMUEL A. TAYLOR, baseado na história de LEO KATCHER. Fotografia: HARRY STRADLING. Montagem: VIOLA LAWRENCE E JACK W. OGILVIE. Música: GEORGE DUNING. Produção: JERRY WALD, para COLUMBIA PICTURES.
Elenco:
TYRONE POWER (Eddy Duchin) KIM NOVAK ( Marjorie Oelrichs), VICTORIA SHAW (Chiquita), JAMES WHITMORE (Lou Sherwood), REX THOMPSON (Peter Duchin aos 12 anos), MICKEY MAGA (Peter Duchin aos 5 anos), SHEPPERD STRUDWICK (Sr. Wadsworth) , FRIEDA INESCORT (Sra. Wadsworth), GLORIA HOLDEN (Duchin), LARRY KEATING (Leo Reisman) e JOHN MYLONG (Sr. Duchin).

Cenas do Filme:
Assista também:

Scaramouche